Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Livros 14.08.2020 14.08.2020

Eça de Queiroz – 120 anos da morte do maior escritor do realismo português

Em 16 de agosto de 1900, aos 54 anos de idade, na cidade de Neuilly-sur-Seine, na França, morria Eça de Queiroz, aos 54 anos, vítima de tuberculose. Um dos maiores escritores de Portugal em todos os tempos, e sem dúvida o maior do século XIX, ele dividia com o brasileiro Machado de Assis, o posto de maior nome da literatura realista em Língua Portuguesa, retratando a vida como ela era.

Relembrando os 120 anos da morte do maior escritor do realismo português, vamos entender porque ele continua atual depois de tanto tempo, e porque vale a pena ler Eça de Queiroz.

Quem foi Eça de Queiroz

José Maria Eça de Queiroz nasceu em 25 de novembro de 1845 em Povoa do Varzim, uma cidade ao Norte de Portugal. Filho de José Maria Teixeira de Queiroz, magistrado e membro da nobreza Portuguesa que nasceu no Rio de Janeiro em 1820, quando a cidade era capital do Brasil Reino Unido a Portugal e Algarves. Isso mesmo, o pai de Eça de Queiroz era carioca “da gema”, e a título de curiosidade, era amigo de outro grande escritor, Camilo Castelo Branco.

A mãe de Eça era Carolina Augusta Pereira d’Eça, e um escândalo para a época, não era casada com o pai do escritor. Não se sabe a razão, mas alguns estudiosos suspeitam que a família era contra, tanto que só se casaram seis dias após a morte da avó materna de Eça de Queiroz, que na época já tinha quase quatro anos de idade. E consta que por alguns episódios incestuosos do menino, ele foi criado por uma ama, na casa de sua avó paterna.

Da casa de sua avó, Eça foi enviado a um colégio interno na cidade do Porto, de onde saiu aos 16 anos para estudar Direito na prestigiada Universidade de Coimbra, onde se tornou amigo de outro grande nome da literatura portuguesa, o escritor e poeta Antero de Quental. Além de advogado, Eça de Queiroz foi jornalista, tendo sido editor ou colaborador de várias revistas e jornais, funcionário público e finalmente, diplomata.

Se casou aos 40 anos de idade com D. Emília de Castro, com quem teve quatro filhos. Visitou muitos lugares como Egito (viu a inauguração do Canal de Suez) e a Palestina, e como diplomata, foi cônsul de Portugal em Havana, Cuba e em Newcastle e Bristol, no Reino Unido. Seu último cargo diplomático foi como cônsul de Portugal em Paris, na França, país onde viria a falecer, vítima da tuberculose aos 54 anos.

A obra de Eça de Queiroz

A obra de Eça de Queiroz é carregada de uma profunda crítica aos valores da sociedade  portuguesa de seu tempo. Seus personagens têm virtudes de fachada e comportamentos nada elogiáveis na intimidade, como em O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio. Embora sejam o início do realismo português, ainda tem características do chamado naturalismo, em que as ações dos personagens são resultado de determinismo social e são narradas objetivamente.

O estilo de Eça se Queiroz se tornaria mais sofisticado, sem perder nada de seu humor refinado e crítica social em Os Maias, onde além de narrar as ações dos personagens de uma maneira objetiva, ele penetra na consciência dos personagens, numa reflexão sobre a moralidade de suas ações.  Um estilo de narrativa revolucionário para os padrões do realismo português da época.

Finalmente em A Ilustre Casa de Ramires, temos um Eça de Queiroz refletindo sobre a decadência de Portugal na pessoa de Gonçalo Mendes Ramires, um fidalgo decadente que, a escrever uma novela de cavalaria medieval que revive os tempos gloriosos dos Ramires e de Portugal, tenta escapar da mediocridade da Portugal do fim do século XIX.

A ilustre Casa de Ramires Foi o último romance publicado por Eça de Queiroz em vida, mas sob a coordenação de seus filhos, sua vasta obra foi publicada postumamente ao longo do século XX.

Livros de Eça de Queiroz

O Mistério da Estrada de Sintra (1870)

O Crime do Padre Amaro (1875)

A Tragédia da Rua das Flores (1877-78)

O Primo Basílio (1878)

O Mandarim (1880)

A Relíquia (1887)

Os Maias (1888)

Uma Campanha Alegre (1890-91)

Correspondência de Fradique Mendes (1900)

Dicionário de milagres ](1900)

A Ilustre Casa de Ramires (1900)

A Cidade e as Serras (1901, póstumo)

Contos (1902, póstumo)

Prosas Bárbaras (1903, póstumo)

Cartas de Inglaterra (1905, póstumo)

Ecos de Paris (1905, póstumo)

Cartas familiares e bilhetes de Paris (1907, póstumo)

Notas contemporâneas (1909, póstumo)

Últimas páginas (1912, póstumo)

A Capital (1925, póstumo)

O Conde de Abranhos (1925, póstumo)

Alves & Companhia (1925, póstumo)

Correspondência (1925, póstumo)

O Egito (1926, póstumo)

Cartas inéditas de Fradique Mendes (1929, póstumo)

Eça de Queirós entre os seus – Cartas íntimas (1949, póstumo).

 

Eça de Queiroz no cinema e na TV.

A narrativa ágil e a prosa afiada do grande escritor português se adaptaram muito bem às versões nas telonas e telinhas, tendo dado origem à vários filmes, novelas para a TV e minisséries.

O Primo Basílio foi adaptado pela Rede Globo em uma minissérie de 1988, dirigida por Daniel Filho, com Marcos Paulo, Giuliia Gam e Tony Ramos nos papéis de Basílio, Luísa e Jorge. Antes disso, em 1969, havia estreado nas telonas da então Alemanha Ocidental como Der Vetter Basilio, com Diana Körner como Luísa, Erich Schleyer como Jorge e Hans von Borsody como Basílio.

 O Crime do Padre Amaro foi adaptado para o cinema em uma produção conjunta do México, Espanha, França e Argentina, dirigida por Carlos Carrera com roteiro de Vicente Leñero, que concorreu ao Oscar de Melhor filme estrangeiro em 2002, e logo depois, em 2005, uma versão portuguesa foi produzida por Carlos Coelho da Silva, com roteiro de Vera Sacramento.

Os Maias foi adaptado para o formato de minissérie pela Rede Globo em 2001, em parceria com a emissora portuguesa SIC. Escrita por Maria Adelaide Amaral, e contou com um elenco de grandes atores e atrizes brasileiros como Ana Paula Arósio, Fábio Assunção, Walmor Chagas, Leonardo Vieira, Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Simone Spoladore, Marília Pêra, Paulo Betti, Osmar Prado, Eliane Giardini, Stenio Garcia e Eva Wilma. Raul Cortes aparecia no papel de Eça de Queiroz, como um narrador.

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