Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 09.04.2013 09.04.2013

É Tudo Verdade: a intimidade dos ícones nas telas

Por Edu Fernandes
 
O sucesso dos reality shows e de publicações dedicadas ao mundo das celebridades é uma prova da curiosidade do ser humano. Alguns documentários em cartaz no É Tudo Verdade 2013 usam essa característica para seduzir o público com imagens raras e íntimas de pessoas públicas. Dois desses exemplos têm como tema líderes políticos, que chegaram a governar seus países na mesma época.
O presidente norte-americano Richard Nixon (1913-1994) teve seu mandato marcado pelo Caso Watergate, que o levou a renunciar ao cargo em 1974. Durante sua estadia na Casa Branca, ele colocou o homem na Lua e teve de lidar com a série de protestos conta a Guerra do Vietnã.
O documentário Nosso Nixon usa imagens de arquivo para narrar os bastidores dos seus cinco anos de governo. Uma das fontes do longa são filmes em 8 mm captados por três de seus mais próximos assessores – todos acabaram demitidos quando o Caso Watergate foi exposto pelos jornais. Há também o uso de gravações de telefonemas feitos pelo ex-presidente.
 
Com esse tipo de registro, o espectador entra em contato com imagens até então inéditas, e o filme chega a ganhar tons cômicos. Ao mesmo tempo em que se pode ver o noivado da filha de Nixon, consegue-se ouvir sua opinião sobre seriados que defendem os direitos dos homossexuais. Outra novidade é saber o quão perto os protestos contra a Guerra do Vietnã chegaram do presidente.
O uso de imagens de arquivo faz com que o tamanho da tela varie bastante durante a projeção. Isso ocorre porque os filmes em 8 mm têm baixa resolução e precisam conviver com entrevistas televisivas concedidas décadas depois da renúncia de Nixon. Por outro lado, os pontos de alívio cômico tornam mais palatável o documentário centrado em uma figura política com reputação negativa.
 
Cena do filme Nosso Nixon
 
Para Palme, a reputação do seu protagonista não foi um problema. Olof Palme (1927-1986) foi primeiro-ministro da Suécia até seu assassinato. Até hoje não houve uma conclusão definitiva para as investigações do atentado que levou à sua morte. O documentário não se dedica muito a esse assunto, mas a mostrar a vida e a escalada política do líder.
A infância de Olof é contada por fotos de família, mas a intimidade é mais exposta em filmes em que aparece com a esposa e os filhos. É dessa maneira que se vê a família durante as férias de verão, por exemplo. Outra forma de adentrar na vida pessoal de Palme é pelas entrevistas gravadas especialmente para o documentário. Além de depoimentos de membros da família, há a participação de amigos e colegas.
 
O pioneirismo político de Olof é a espinha dorsal da produção. Ele foi o primeiro governante ocidental a se posicionar contra a Guerra do Vietnã (para descontentamento de Nixon) e foi o primeiro a se declarar contrário ao regime do apartheid na África do Sul. Suas posições claras destoavam da neutralidade que a Suécia pregava desde a Segunda Guerra Mundial.
Há algum espaço em Palme para questionar o protagonista, mas no geral o documentário é a favor de suas decisões.
 
Cena do filme Filha Problema
 
Veja outros documentários íntimos em cartaz no É Tudo Verdade 2013:
 
Filha Problema: a pianista argentina Martha Argerich concede entrevista à sua filha caçula. Durante a conversa, a artista fala sobre sua família e seu trabalho, deixando cair suas defesas.
 
Antes e Depois do Jantar: a esposa do ator e diretor teatral André Gregory dirige um documentário sobre o marido. Os focos do filme são a personalidade rara do artista e seus parceiros profissionais.
Paulo Moura – Alma Brasileira: o instrumentista e a esposa encomendaram o documentário pouco antes de sua morte. Imagens de arquivo e fotos da família são reunidas para prestar tributo ao artista.
 
Para consultar a programação do festival clique aqui.
 
 
 
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