Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.03.2011 30.03.2011

É Tudo Verdade, 16 anos

 
   A jornalista russa Anna Politkovskaya tem sua história contada em O gosto amargo da liberdade (2011), da documentarista russa
   Marina Goldovskaya, homenageada deste ano


   PorBruno Dorigatti
 

Umdos principais responsáveis pelo crescente interesse que o documentário vemdespertando por aqui é o festival É Tudo Verdade, que neste ano chega à sua 16ªedição e acontece entre 31 de março e 10 de abril no Rio de Janeiro e em SãoPaulo. Na competição nacional de longase médias-metragens, sete obras inéditas, entre elas, Assim é, se lhe parece,de Carla Gallo, um perfil do artista plástico Nelson Leirner; Carne,osso, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros, um mergulho no mundo dosfrigoríficos brasileiros; Dois tempos, de Dorrit Harazim e ArthurFontes, a visão da nova classe média brasileira, através do perfil de uma famíliamoradora na Vila Brasilândia paulistana, dez anos depois; e Tancredo, atravessia, de Silvio Tendler, sobre a trajetória do político. A RetrospectivaBrasileira deste ano, “Poesia É Verdade”, conta com 15 documentários focados navida e obra de grandes poetas brasileiros, como Ana Cristina Cesar, João Cabralde Mello Neto, Vinicius de Moraes, Ferreira Gullar,  Carlos Drummond de Andrade e Waly Salomão. 

Criadoem 1996, o festival surgiu para garantir uma vitrine anual no país para a natada produção brasileira e internacional. “Quando criei o festival, estavaconvencido de que uma janela nobre, regular e específica para o documentárionas salas de cinema encontraria um público interessado e, diante da pluralidadedesta produção, ajudaria a  romper o estigmade mercado. Todo mundo quer ver bons filmes, independentemente do gênero.”Naquele momento, tínhamos em torno de três estreias por ano; em 2010, tivemos45 documentários estreando em circuito comercial, com público total de 503 milespectadores. O que dá uma média de pouco mais de 11 mil por filme, e chega aapenas 0,40% do total de público. Comparado com o cinema comercial clássico,pode ser ínfimo, porém, no que diz respeito ao documentário indica um crescenteinteresse. 

“Ofestival ajudou a concentrar as atenções de público, imprensa e mercado,comprovando a vitalidade do documentário”, continua Labaki, para quem ainda hámuito a fazer. Segundo ele, é preciso aumentar os mecanismos de apoio àprodução, distribuição e exibição dos documentários nas salas de cinema;fomentar a parceria com a televisão; ampliar o número de publicações sobre ocinema documentário; estimular programas de formação de público para odocumentário, facilitando o acesso à riquíssima história do cinema não ficcional,sobretudo o brasileiro. 

Na TVaberta, por exemplo, apenas as TVs públicas exibem documentários com regularidade.A TV Brasil mantém em sua grade horários exclusivos para o formato, como o DocTV, Nova África, Tal como somos e A TV que se faz no mundo. E a TVCultura ampliou o espaço para documentários no final de 2010, exibindo ao menosuma produção por dia, com curadoria de Labaki. “O espaço para documentários naTV aberta se comprimiu no Brasil durante o regime militar, não se recuperandocom a volta à democracia.” Labaki aponta “um certo conservadorismo dasemissoras, apostando na fórmula teleficção/jornalismo/esportes/auditório”, que manteve a produção documentaldistante da telinha. Agora, com a revalorização do gênero, teríamos umaoportunidade para aproximar os docs do público não tão familiarizado com eles. Alémdisso, a coprodução com autores independentes como uma política efetiva, algojá arraigado na  Europa e nos Estados Unidos,seria fundamental para aumentar o pequeno espaço que o documentário ocupa naTV.
 

> Confiraa programação completa do 16. É Tudo Verdade no Rio de Janeiro e em São Paulo

 

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