Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 15.06.2011 15.06.2011

Dr. House: o Sherlock Holmes da medicina

Por Danielle Motta

O sucesso de uma atração televisiva costuma consagrar atores e atrizes que interpretam seus personagens mais marcantes. No caso da série House, exibida nos canais Universal Channel e Rede Record, a história foi um pouco diferente: Dr. Gregory House, interpretado pelo britânico Hugh Laurie, é quem garantiu a fama do seriado criado por David Shore, que está no ar desde 2004.

As características do médico passam bem longe das de qualquer protagonista querido pelo público: ele é cínico, esnobe e sarcástico, uma pessoa que seria facilmente considerada repugnante e detestável. Mas é justamente aí que está a graça da atração que conquistou uma das maiores audiências dos últimos anos.

Ao partir da filosofia de que todo paciente mente, a cada episódio Dr. House investiga os mais diferentes casos que chegam ao seu departamento no hospital. Ele não deixa evidência alguma de lado para solucionar os casos que desafiam a sua equipe de médicos – assim como fazia Sherlock Holmes ao investigar crimes. Aliás, qualquer semelhança não é mera coincidência. Dr. Gregory House foi inspirado no detetive inglês. Além de os aspectos psicológicos de ambos serem bastante parecidos, o número do apartamento de House é 221B, igual ao da residência de Sherlock na famosa Baker Street. O passatempo dos dois é tocar um instrumento musical e o melhor amigo de cada um tem as mesmas iniciais J. W. (os doutores James Wilson e John Watson). “House é a versão médica de Sherlock Holmes, criado por Conan Doyle na era vitoriana. Frio e calculista, Holmes não se deixava levar pelas emoções dos clientes nos casos em que trabalhava. House faz o mesmo. Os dois personagens também são viciados em algum tipo de droga, que, muitas vezes, os leva ao limiar da sanidade na busca incessante por respostas definitivas”, explica Paulo Gustavo Pereira, autor do Almanaque dos Seriados (Ediouro).

Uma das poucas séries em exibição que consegue agradar tanto o público jovem quanto o adulto, House está caminhando para a conclusão de sua sétima temporada e a próxima já está garantida. Durante esses anos, o seriado foi indicado a 65 premiações, levando 29 delas. Para explicar o sucesso, com 80 milhões de fãs no mundo, neste mês chega ao Brasil o Guia Oficial House, de Ian Jackman (BestSeller). O livro tem prefácio do próprio Hugh Laurie e traz curiosidades, análises dos personagens e entrevistas com os responsáveis pelos bastidores, como David Shore, Katie Jacobs, que selecionou o casting para o programa-piloto, Greg Yaitanes, diretor de produção, e Gale Tattersall, diretor de fotografia.

Antes do guia, a editora também lançou outros dois títulos dedicados à série. A Filosofia em House explica como funciona a mente mais controversa da TV, como House raciocina e como distingue o que é certo do que é errado. Já A Ciência Médica de House revela a verdade por trás dos diagnósticos apresentados na série, destacando o que é ou não ficção de acordo com as pesquisas feitas pelo jornalista Andrew Holtz, especializado na área de saúde.

HUGH LAURIE, O ATOR

Ele é o que se pode chamar de artista versátil. Além de atuar, o britânico nascido em Oxford e formado em Antropologia e Arqueologia também é músico e autor de livro. Em 1996, lançou o título O Vendedor de Armas (Planeta), que chegou ao Brasil em 2010. Recentemente, gravou o álbum Let Them Talk, que apresenta 15 versões de clássicos do blues. Disponível por aqui desde o mês passado, o disco foi produzido pela Warner em Los Angeles e New Orleans, e Laurie participou de praticamente todo o processo de criação, inclusive tocando piano. Para divulgar o novo trabalho, estão previstas turnês pela Inglaterra e França, que estão com os ingressos esgotados.

Hugh Laurie também já venceu dois Globos de Ouro consecutivos de “Melhor Ator” por House, e vem sendo responsabilizado pela grande audiência da série. Antes de ganhar o papel principal, o ator fez o teste gravando um vídeo no banheiro do quarto de um hotel na Namíbia, onde filmava O Voo da Fênix. Para ele, ali era o único lugar com iluminação suficiente para realizar a filmagem. Se ele tinha razão ou não, o certo é que o personagem Dr. House caiu perfeitamente a ele, que só foi descobrir que era o protagonista quando recebeu o roteiro do piloto.

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