Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Livros 10.03.2021 10.03.2021

O que todo fã deveria saber sobre Douglas Adams e o Guia do Mochileiro das Galáxias

Douglas Adams

Douglas Adams, o autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias, nasceu em 11 de março de 1952 em Cambridge, no Reino Unido. DNA (seu nome completo era Douglas Noel Adams, coincidência com que ele sempre brincava)  escreveu, além do Guia do Mochileiro , que vendeu mais de 15 milhões de exemplares, outros livros famosos como Agência de Investigações Holísticas, A Longa e Sombria Hora do Chá da Alma e O Salmão da Dúvida.

O Guia do Mochileiro das Galáxias e seus personagens, como o azarado Arthur Dent, que perde sua casa e o planeta Terra de uma maneira idiota, seu crush, Trillian, que o dispensou para ficar com Zaphod Beeblebrox, o alien presidente da Galáxia , o amigo alienígena disfarçado Ford Prefect, e Marvin, o Robô Depressivo , se tornaram ícones onipresentes da cultura pop.

E se eles se tornaram ícones culturais, seu criador, Douglas Adams, se tornou uma espécie de autor referência para o público geek.  A influência dele é tão grande que, quando ele faleceu, em 11 de maio de 2001, aos 49 anos, vítima de um ataque cardíaco causado por uma doença coronária não diagnosticada, a comoção causada foi tão grande que motivou a criação do Dia do Orgulho Geek.

Mas vamos falar de algumas curiosidades e informações importantes que você talvez não saiba sobre Douglas Adams. Mas, mesmo que que você já saiba, é sempre legal ler sobre elas.

Douglas Adams nasceu em Cambridge, mas não cresceu lá.

Douglas Adams nasceu na cidade de Cambridge, na Inglaterra, onde fica a famosa universidade de Cambridge, a segunda mais antiga do país, fundada em 1209. Mas não cresceu lá.

Os pais do pequeno Douglas,  Janet Donovan e Christopher Douglas Adams se mudaram para Londres, para a região de East End, poucos meses depois de ele nascer. E viveram lá até 1957, quando se divorciaram.

 

Douglas Adams morou em um abrigo para animais

Calma! Douglas Adams era muito conhecido pelo seu ativismo ambiental, especialmente pela preservação de espécies ameaçadas, que incluía sua participação em uma série da BBC chamada Last Chance to See – Última Chance Para Ver, em que ele e o cientista Mark Carwardine iam até ambientes onde viviam espécies raras e ameaçadas de extinção.

E Adams estava longe de ser o que hoje chamaríamos de um ativista que vive de publicar textão em redes sociais. Ele ia à campo, literalmente, chagando a participar de uma escalada do Monte Kilimanjaro, o mais alto da África, com uma roupa de rinoceronte branco, para protestar pela preservação dessa espécie.

Mas essa escolha de residência não foi nenhuma forma criativa de protestar. Após o divórcio de seus pais, sua mão, Janet, o pequeno Douglas e sua irmã, Susan, 3 anos mais nova que ele, foram morar em um abrigo de animais da RSPCA – Sociedade Real de Prevenção à Crueldade contra os Animais, que era administrado pelos seus avós maternos.

Se você não sabia de onde vinha o grande amor de Douglas Adams pelos animais, essa é uma boa pista, certo?

 

Douglas Adams era uma ateu radical que era fascinado pelas religiões

Adams descreveu a si mesmo como um ateu radical para que ninguém perguntasse a ele se não queria dizer agnóstico. Mas, ao mesmo tempo, ele era fascinado pelas religiões, pelos efeitos eu tinham na vida das pessoas.

O biólogo evolucionista e ateu Richard Dawkins, que faz do questionamento da existência de Deus um assunto constante de seus livros, que chegava a chamar Adams para ler trechos de O Restaurante no Fim do Universo em suas palestras, ao comentar sobre ou falecimento de Douglas Adams, resumiu em uma frase as paixões e qualidades do escritor.

A Ciência perdeu um amigo, a literatura perdeu um luminar, o gorila da montanha e o rinoceronte negro perderam um defensor valente.

Richard Dawkins, sobre Douglas Adams

Douglas Adams é Rock `n` Roll

Paranoid Android, do álbum OK Computer, do Radiohead, foi inspirada em Marvim, o Robô. Isso, todo mundo sabe. Mas o que poucos sabem é que Douglas Adams era guitarrista. E mais do que isso, era um guitarrista dons bons. E era canhoto. Provavelmente, tinha uma das maiores coleções de guitarras e violões para canhotos no mundo, com algo em torno de 30 instrumentos.

Douglas Adams comparava muito o ato de escrever com o de tocar guitarra. Dizia que para fazer ambos, precisava comer uma quantidade impressionante de sanduíches e tomar muitos banhos. Ambos eram processos criativos, e consta que quando ele sofria um bloqueio como escritor, tocava guitarra para desbloquear a mente.

E da mesma maneira que Douglas Adams influenciou o rock, também foi influenciado por ele. Na verdade, a relação Douglas Adams x Rock `n` Roll era uma espécie de ciclo de autoalimentação criativa.

Adams era fã assumido de bandas de Rock Progressivo, como as inglesas Procol Harum e Pink Floyd, e com essa última ele tinha um relacionamento bem próximo. Não somente o título em inglês da biografia oficial do escritor é wish You Were Here, que batiza um dos maiores clássicos do Pink Floyd, como o escritor e o guitarrista da banda, David Gilmour, eram bons amigos.

O presente de aniversário de 42 anos de David Gilmour para Douglas Adams foi uma aparição especial no show do Pink Floyd de 28 de outubro de 1994, em Londres. Adams foi convidado para subir ao palco e tocar guitarra nas canções Brain Damage e Eclipse, outros dois clássicos do Floyd. E consta que foi Douglas Adams quem deu a palavra final para o título do álbum de 1994, Division Bell.

Douglas Adams se despediu em alto estilo

O autor de Guia do Mochileiro das Galáxias nos deixou cedo, aos 49 anos. Depois de se exercitar, como fazia normalmente, em sua academia particular em Montecito, Califórnia, onde vivia, teve uma parada cardíaca fulminante. Seu funeral foi realizado em Santa Bárbara, também na Califórnia, mas suas cinzas foram depositadas no cemitério de Highgate, no norte de Londres.

Mesmo Douglas Adams sendo ateu, seus muitos fãs puderam se despedir dele em um serviço memorial realizado na Igreja de St. Martin Fields, na Praça Trafalgar. Foi o primeiro serviço religioso transmitido ao vivo pela web pela BBC. Nessa cerimônia, para homenagear seu amigo Douglas, David Gilmour tocou guitarra, assim como fez em um evento que comemoraria os sessenta anos de Adams, em 2012.

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