Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 21.09.2010 21.09.2010

Dores de amores no pagode

A imagem de Zeca Pagodinho no imaginário brasileiro é de um homem feliz, alegre, bem-humorado. Imagem sedimentada pelo repertório do sambista e totalmente verdadeira, pois Zeca é mesmo um cara engraçado que deixa a vida lhe levar. Daí a surpresa causada pelo novo CD do artista, Vida da minha vida, nas lojas esta semana com distribuição da gravadora Universal Music. Dessa vez, Zeca pôs alta dose de melancolia em seu repertório. Sambas como “”Hoje sei que te amo””, “”Pela casa inteira”” e “”Desacerto”” são embebidos em fina melancolia e dão ao álbum um tom romântico atípico na discografia de Zeca. São sambas que falam das dores de amores perdidos.

Na alegria ou na tristeza, Vida da minha vida é mais um ótimo disco do cantor. Sob a produção certeira de Rildo Hora, Zeca apresenta repertório de altíssimo nível entre regravações e inéditas. Das antigas, vale destacar “”Chama de saudade””, obra-prima de Serginho Meriti (autor de “”Deixa a vida me levar””, grande sucesso de Zeca) em parceria com o saudoso Beto sem Braço. O samba foi lançado em 1986 por Marquinhos Satã, mas tinha caído em injusto esquecimento, pois é de grande beleza melódica e poética  Também de nobre lavra antiga é “”Candeeiro da vovó””, tema de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho. Nesta faixa, Zeca reverencia os ancestrais do samba, povo que aprendeu a sambar nos terreiros. A Velha Guarda do Império Serrano realça a nobreza da regravação.

Das inéditas, “”O garanhão”” é tema já em rotação na novela Passione. Já “”Quem passa vai parar”” é ode à boemia do Rio de Janeiro. Gravada por Zeca em dueto com Alcione a faixa se situa entre o botequim e a gafieira. Coisa fina! Como, de resto, todo o disco.

 

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