Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 24.03.2014 24.03.2014

Dor em família: documentários pessoais sobre a ditadura militar

Por Edu Fernandes
 
Em 31 de março, faz 50 anos que os militares tomaram o poder, dando início a uma ditadura que duraria mais de duas décadas. Nos últimos anos, alguns documentários feitos por parentes de presos políticos mostram uma faceta mais intimista da luta pela democracia. Em Busca de Iara (Kinoscópio) é o mais recente título desse tipo e chega aos cinemas em 27 de março.
 
Iara Iavelberg era uma psicóloga de origem judaica. Aos 17 anos, sua família lhe arrumou um casamento, mas anos depois ela largaria a vida de classe média para se juntar à luta armada contra a ditadura.
 
Enquanto estava na clandestinidade, conheceu Carlos Lamarca e os dois começaram um relacionamento amoroso. Em 1971, ambos seriam mortos ao tentarem se esconder dos militares. A versão oficial conta que Iara suicidou-se para evitar a prisão e Lamarca foi morto em combate, um mês depois.
 
Mariana Pamplona é sobrinha de Iara e nasceu poucos meses depois da morte da tia. No documentário, ela investiga o ocorrido para derrubar a versão dos militares, que sempre incomodou a família. Além de narrar, Mariana assina o roteiro de Em Busca de Iara, dirigido por Flavio Frederico (Boca do Lixo).
 
O documentário usa imagens de arquivo pessoal e oficiais, além de entrevistas, para recontar a jornada de Iara. Entrevistas atuais com familiares e companheiros de luta formam um panorama amplo da questão.
 
Cena do filme Diário de uma Busca (2010)
Uma fórmula semelhante foi usada por Flávia Castro em Diário de uma Busca (VideoFilmes). No longa, ela investiga a morte do pai, que também foi mal explicada na versão oficial dos militares. O jornalista Celso de Castro foi morto em um apartamento, assim como Iara.
 
As duas diretoras testemunharam o período da ditadura quando crianças, mas Flávia conviveu com o pai e o acompanhava na vida de fugas de país em país. Mesmo assim, a consciência plena do que se passava na época só ficou clara depois que a democracia foi restabelecida no Brasil.
 
Cena de Uma Longa Viagem (2011)
Por outro lado, Lúcia Murat viu de perto a perseguição política a que foi submetido seu irmão Heitor. Ele foi enviado a Londres pela família em 1969 para evitar a prisão. Essa história é contada em Uma Longa Viagem (Vitrine).
 
Outra diferença com relação aos exemplos anteriores é o fato de o retratado ainda estar vivo: Heitor dá depoimentos no filme. Há também um flerte com a ficção na figura de Caio Blat, convidado a participar da produção no papel de Heitor jovem. Para ver uma entrevista com a diretora e o ator, clique aqui.
 
Cena do filme Os Dias com Ele (2012)
Em Os Dias com Ele (Vitrine), o ex-perseguido político também está vivo e participa do filme. Como em Diário de uma Busca e Em Busca de Iara, a realizadora é jovem demais para ter lembranças claras da repressão. Maria Clara Escobar foi a Portugal para visitar o pai e entender a relação que tem com ele.
 
O longa tem um quê de contemplativo e traz entrevistas com Carlos Henrique Escobar, um intelectual que fugiu do Brasil para não voltar mais. Em alguns momentos, o depoente tenta dirigir o documentário. Os Dias com Ele tem estreia comercial programada para abril de 2014.
 
Veja o trailer de Em Busca de Iara:
 

 
 
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