Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 19.09.2011 19.09.2011

Dois viajantes à la flâneur

Por Luma Pereira
 
Flanar: tradução do termo francês flâneur. Significa andar sem rumo, admirando os atrativos dos lugares, e conhecendo-os profundamente. Em A Alma Encantadora das Ruas, João do Rio define: “flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite”. Foi o que fez o casal de escritores Ruy Castro e Heloisa Seixas. Eles viajaram o mundo todo a fim de conhecer as cidades e apreciá-las do ponto de vista cultural. “A maneira como vemos as lugares é sempre por meio de referências literárias e cinematográficas”, conta Heloísa. Lançado recentemente, no último 13 de setembro, o livro Terramarear – Peripécias de Dois Turistas Culturais, é uma coletânea desses escritos e um cartão de embarque a quem deseja conhecer novos locais por meio da leitura.

O título do livro é uma referência à coleção homônima de obras de aventura, lançada nos anos de 1930 pela Companhia Editora Nacional. Heloisa comenta que o primeiro livro que Ruy comprou na vida foi a série de Tarzan, de Edgar Rice Burroughs, pertencente a essa coleção. “E, de repente, esse nome brilhou na minha cabeça – porque são viagens por terra, mar e ar”, relata. A coincidência é que esses livros eram de peripécias, e eles se consideram mesmo aventureiros: “é no sentido de se dar pelos lugares, procurar se misturar na vida e no cotidiano das pessoas”, completa Heloisa. Eles vão atrás de arquitetura, música, história, gastronomia – da alma encantadora das ruas.

Terramarear é uma coletânea de textos já publicados em outros veículos, e retrabalhados para este livro; há também sete textos inéditos. “Na verdade, falar de viagem é só um veículo para falar de cultura. O que está por trás de tudo é sempre isso”, afirma Ruy. Ambos comentam que procuram buscar um sentido mais antropológico nos lugares: “andar pela cidade, se impregnar dos costumes e do espírito”, é flanar. Além disso, são viagens ao passado e a territórios da ficção. Ao escrever sobre Havana, lembram o escritor Ernest Hemingway. Em Veneza, fizeram questão de procurar a loja onde Stanley Kubrick comprara as máscaras usadas no filme De Olhos Bem Fechados.

Ambos recordaram os grandes acontecimentos dos locais por onde passaram, e descreveram os lugares a partir disso – em Berlin falam sobre fronteiras e o antigo muro. Desenvolveram essa maneira de olhar, que tentam passar ao leitor neste livro. “Quando você vai a uma cidade e conhece só cartão postal, melhor você ficar em casa”, diz Ruy. Heloisa conta que usa muito dessas vivências de viagens em outros livros de sua autoria. “Tem cenários que eu vi e que me inspiram ao escrever”, comenta. O termo flâneur ganhou concorrência. Agora no Brasil há também um sinônimo novo, de significado semelhante ao francês: o Terramarear.

 
 
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