Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 28.09.2012 28.09.2012

Dois atores, um personagem

Por Edu Fernandes
 
Conforme as técnicas de maquiagem e computação gráfica avançam, prevê-se que trabalhos como O Curioso Caso de Benjamin Button serão cada vez mais comuns. No longa, Brad Pitt interpreta o protagonista desde a velhice até a juventude. Portanto, oportunidades em que dois atores dividem o mesmo personagem em grandes produções, um na juventude e outro na maturidade, tendem a ser cada vez mais escassas.
 
Joseph Gordon-Levitt (A Origem) e Bruce Willis (Red) têm essa experiência em Looper – Assassinos do Futuro. Os dois interpretam um mercenário em uma trama futurista. Em 2072, matar alguém é algo muito complicado. Então, os criminosos mandam seus alvos para 30 anos no passado. Lá, eles são executados.
 
Joe é um desses assassinos. Sua vida fica mais complicada quando ele tem de matar a si mesmo, 30 anos mais velho. Assim começa uma caçada entre o Joe novo (Levitt) e o Joe maduro (Willis).
 
Para soar parecido com Bruce Willis, Joseph ouviu as falas de seu colega em outros filmes e passou algum tempo convivendo com ele. Willis chegou a gravar algumas frases de Joseph para que ele ouvisse a cadência de sua voz. O trabalho de caracterização estava concluído depois de três horas diárias de maquiagem para alterar alguns detalhes no rosto de Levitt.
 
Josh Brolin é o agente K
 
Dupla de agentes da franquia 'Homens de Preto', em cena do terceiro filme
 
Quando há viagem no tempo na trama, é corriqueiro precisar de uma dupla de atores para dividir um papel. É o caso de MIB³ – Homens de Preto 3 (2012), em que Josh Brolin (Bravura Indômita) assume o papel que antes era apenas de Tommy Lee Jones (No Vale das Sombras).
 
No terceiro episódio da franquia, o agente J (Will Smith, de Sete Vidas) volta ao começo dos anos 1960. Sua missão é impedir que um alienígena mate o agente K.
 
Matthew Perry em cena de '17 Outra Vez'
Zac Efron interpreta um estudante atlético no filme
 
Para Zach Efron (Um Homem de Sorte) e Matthew Perry (Friends) dividirem o protagonista de 17 Outra Vez (2009), foi necessário um elemento de fantasia. Na história, Mike é um pai de família insatisfeito com o rumo que sua vida tomou. Ele anseia pelo seu tempo de juventude e seus desejos são atendidos, mas não como ele imaginava.
 
Mike volta a ter 17 anos, mas tudo ao seu redor continua igual. Agora, ele é obrigado a voltar ao colégio, onde vigia seus filhos de perto. Essa confusão o ensinará a valorizar o amor de sua família.
 
O mais comum é o personagem envelhecer com o desenvolvimento da trama, o que obriga a troca de ator. É o caso de Chico Xavier (2010), cinebiografia do médium mineiro.
 
Chico é vivido na fase madura por Nelson Xavier, que reprisaria o papel em As Mães de Chico Xavier (2011). Da juventude até a meia-idade, o personagem é interpretado por Ângelo Antônio (Amor?). Para convencer como Chico logo após a adolescência, o rosto de Ângelo passou por computação gráfica.
 
Albert Finney e Jessica Lange em cena de 'Peixe Grande'
Ewan McGregor interage com efeitos visuais de 'Peixe Grande'
 
Os efeitos visuais são parte importante de Peixe Grande (2004). Porém, na hora de escalar o elenco, optou-se por colocar dois atores como o personagem principal. Ed Bloom (Albert Finney, de O Ultimato Bourne) é um idoso que sempre gostou de histórias absurdas, para desespero de seu filho (Billy Crudup, de Comer, Rezar, Amar). Will não acredita nos contos de seu pai.
 
Enquanto relembra sua jornada fantástica, Ed conta como conheceu sua esposa e fala sobre as diversas ocupações que teve em sua vida. Nessas lembranças da juventude, Ed é vivido por Ewan McGregor (A Toda Prova).
 
Fernanda Montenegro e Fernanda Torres são mãe e filha também nas telas
 
Em Casa de Areia (2005), a dinâmica é um pouco mais complicada. Fernanda Torres (Saneamento Básico) e Fernanda Montenegro (O Amor nos Tempos do Cólera) representam três gerações de mulheres que vivem no interior do Brasil no começo do século XX. A história se desenvolve por seis décadas, e a dupla de mãe e filha na vida real divide alguns papéis.
 
Outra dupla de atrizes que dividiu o mesmo personagem foi Jennifer Garner e Christa B. Allen. A diferença é que elas fizeram tal façanha em mais de um filme, ambos comédias românticas.
 
Em De Repente 30 (2004), Jenna é uma adolescente que subitamente acorda com 30 anos de idade. A parceria entre Jennifer e Christa é retomada anos depois, em Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (2009), em que a dupla interpreta a única mulher capaz de fazer o conquistador Connor (Matthew McConaughey, de O Poder e a Lei) mudar de vida.
 
Cartaz do filme 'A Dona da História', de Daniel Filho
 
Em algumas ocasiões há mais de uma dupla de atores envolvidos. A Dona da História (2004) acompanha um casal desde que se conheceram até enfrentarem uma crise no matrimônio. Na juventude, os personagens são vividos por Rodrigo Santoro (Heleno) e Débora Falabella (Meu País). Aos 50, são interpretados por Marieta Severo (Quincas Berro D'Água) e Antônio Fagundes (A Mulher do Meu Amigo).
 
Já No Limite da Mentira (2010) conta com dois trios de atores. O enredo é sobre três agentes do Mossad que prendem um nazista em 1965. Os segredos dessa época serão revelados 32 anos depois.
 
Quando a história está em 1997, o trio é vivido por Helen Mirren (A Tempestade), Tom Wilkinson (O Exótico Hotel Marigold) e Ciarán Hinds (A Mulher de Preto). Na época do aprisionamento do nazista, os papéis são de Jessica Chastain (Histórias Cruzadas), Marton Csokas (A Casa dos Sonhos) e Sam Worthington (À Beira do Abismo).
 
Os efeitos visuais possibilitarão usar apenas um ator para viver o mesmo personagem em diversas fases da vida, mas a magia de apreciar duplas afinadas ainda fascinará espectadores e realizadores por muito tempo.
 
Veja o trailer de Looper – Assassinos do Futuro:
 

 
 
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