Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 13.06.2012 13.06.2012

Documentário sobre o teatro Lira Paulistana resgata memória da cena cultural de São Paulo

Por Daniela Guedes
O tempo de vida foi curto, de 1979 a 1986 – sete anos, para sermos mais exatos. Mas foram sete anos vividos intensamente, na mais pura contestação, na mais esfuziante alegria e despejando no Brasil uma rica produção cultural. Estamos falando da Lira Paulistana, misto de teatro e casa de shows, uma espécie de catalisador da reunião de artistas de diferentes expressões.
 
 
De Ná Ozzetti a Lanny Gordin e de Elias Andreato a Paulo Caruso. Do fim da década de 70 até meados dos anos 80, artistas do porte de Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé e Tetê Espíndola ensaiavam e lotavam o espaço da casa com pessoas ávidas por saber o que estava acontecendo na cena cultural e alternativa de São Paulo. Havia ainda os grupos musicais alternativos como Língua de Trapo, Rumo, Grupo Um e Premeditando o Breque, o regional Grupo Paranga e, mais tarde, o surgimento dos grupos de rock da década de 1980 como Ira!, Ultraje a Rigor, Titãs, Violeta de Outono e tantos outros.
 
 
Com nome tirado da obra homônima do escritor Mário de Andrade, o Lira foi fundado em 25 de outubro de 1979, em um porão com cerca de 150 lugares localizado na Praça Benedito Calixto, na Rua Teodoro Sampaio, 1091 (bairro de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo).
 
 
Ali, por incrível que pareça, não houve só shows, mas também edição de livros, lançamento de um jornal próprio e uma gravadora. “Era um trabalho meio quixotesco, cooperativado. Os artistas faziam discos numerados e tinham 51% dos lucros”, lembra Riba de Castro, documentarista e um dos sócios fundadores do Lira.
 
 
Tudo isso e mais algumas peculiaridades do espaço é mostrado no documentário batizado de Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista, que teve sua estreia no In-Edit Brasil – 4º Festival Internacional do Documentário Musical, no início de junho, em São Paulo, e que segue ainda este mês para Salvador.
O sócio fundador do Lira, Riba de Castro
 
 
O filme dirigido por Riba de Castro surgiu, segundo as palavras do próprio cineasta, da necessidade de mostrar a indiscutível importância do Lira como palco da música de vanguarda em São Paulo. Ao todo, para produzir a obra – que foi feita de forma independente, com verba do próprio bolso, ou seja, sem patrocínios nem distribuidora –, Castro entrevistou 65 pessoas, entre músicos, atores, artistas plásticos, jornalistas e cineastas, habitués do Lira Paulistana.
 
A história é contada por seus mais importantes protagonistas e agregados frequentadores: os quatro sócios do teatro – que se desmembrou em gravadora e editora; Fernando Meirelles e Marcelo Tas, produtores independentes de vídeo que se tornaram nomes fortes do cinema e da televisão; o jornalista Mauricio Kubrusly; o cartunista Paulo Caruso; e, principalmente, gente do meio musical, como Arrigo Barnabé, Lanny Gordin, Cida Moreira, Mario Manga e Wandi Doratiotto (ambos do Premê), Suzana Salles, Roger (Ultraje), Luiz Tatit e Ná Ozzetti (Grupo Rumo), Nelson Ayres, Skowa, Laert Sarrumor (Língua de Trapo), entre outros.
 
Com o crescimento, o Lira passou a promover grandes encontros e ocupar outros espaços, como a Praça Benedito Calixto, o Teatro Bandeirantes e até a Avenida Paulista, num aniversário da cidade. O que hoje é trivial, como a produção de discos independentes e os grafites – que se tornaram famosos no muro ao lado do teatro –, foram marcas do pioneirismo do Lira Paulistana. Sem previsão para entrar em circuito comercial, por enquanto o documentário deverá ser exibido apenas em festivais.
 
 
Assista ao trailer de Lira Paulistana:
 
 
 
 
¬¬¬¬¬Documentário sobre o teatro Lira Paulistana resgata memória da cena cultural de São Paulo nas décadas de 70 e 80
Filme traça um interessante panorama da cultura alternativa da cidade
Por: Daniela Guedes
O tempo de vida foi curto, de 1979 a 1986 – sete anos, para sermos mais exatos. Mas foram sete anos vividos intensamente, na mais pura contestação, na mais esfuziante alegria e despejando no Brasil uma rica produção cultural. Estamos falando da Lira Paulistana, misto de teatro e casa de shows, uma espécie de catalisador da reunião de artistas de diferentes expressões.
De Ná Ozzetti a Lanny Gordin e de Elias Andreato a Paulo Caruso. Do fim da década de 70 até meados dos anos 80, artistas do porte de Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé e Tetê Espíndola ensaiavam e lotavam o espaço da casa com pessoas ávidas por saber o que estava acontecendo na cena cultural e alternativa de São Paulo. Havia ainda os grupos musicais alternativos como Língua de Trapo, Rumo, Grupo Um e Premeditando o Breque, o regional Grupo Paranga e, mais tarde, o surgimento dos grupos de rock da década de 1980 como Ira!, Ultraje a Rigor, Titãs, Violeta de Outono e tantos outros.
Com nome tirado da obra homônima do escritor Mário de Andrade, o Lira foi fundado em 25 de outubro de 1979, em um porão com cerca de 150 lugares localizado na Praça Benedito Calixto, na Rua Teodoro Sampaio, 1091 (bairro de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo).
Ali, por incrível que pareça, não houve só shows, mas também edição de livros, lançamento de um jornal próprio e uma gravadora. “Era um trabalho meio quixotesco, cooperativado. Os artistas faziam discos numerados e tinham 51% dos lucros”, lembra Riba de Castro, documentarista e um dos sócios fundadores do Lira.
Tudo isso e mais algumas peculiaridades do espaço é mostrado no documentário batizado de Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista, que teve sua estreia no In-Edit Brasil – 4º Festival Internacional do Documentário Musical, no início de junho, em São Paulo, e que segue ainda este mês para Salvador.
O filme dirigido por Riba de Castro surgiu, segundo as palavras do próprio cineasta, da necessidade de mostrar a indiscutível importância do Lira como palco da música de vanguarda em São Paulo. Ao todo, para produzir a obra – que foi feita de forma independente, com verba do próprio bolso, ou seja, sem patrocínios nem distribuidora –, Castro entrevistou 65 pessoas, entre músicos, atores, artistas plásticos, jornalistas e cineastas, habitués do Lira Paulistana.
A história é contada por seus mais importantes protagonistas e agregados frequentadores: os quatro sócios do teatro – que se desmembrou em gravadora e editora; Fernando Meirelles e Marcelo Tas, produtores independentes de vídeo que se tornaram nomes fortes do cinema e da televisão; o jornalista Mauricio Kubrusly; o cartunista Paulo Caruso; e, principalmente, gente do meio musical, como Arrigo Barnabé, Lanny Gordin, Cida Moreira, Mario Manga e Wandi Doratiotto (ambos do Premê), Suzana Salles, Roger (Ultraje), Luiz Tatit e Ná Ozzetti (Grupo Rumo), Nelson Ayres, Skowa, Laert Sarrumor (Língua de Trapo), entre outros.
Com o crescimento, o Lira passou a promover grandes encontros e ocupar outros espaços, como a Praça Benedito Calixto, o Teatro Bandeirantes e até a Avenida Paulista, num aniversário da cidade. O que hoje é trivial, como a produção de discos independentes e os grafites – que se tornaram famosos no muro ao lado do teatro –, foram marcas do pioneirismo do Lira Paulistana. Sem previsão para entrar em circuito comercial, por enquanto o documentário deverá ser exibido apenas em festivais.
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