Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 20.01.2012 20.01.2012

Documentário ‘A Música Segundo Tom Jobim’ conta a história do cantor e compositor

 
Por Andréia Silva
 
Como se mede a genialidade de um artista? Podem existir muitas respostas para essa pergunta, entre elas, a forma como outros absorvem e transformam a sua obra. É isso que o público brasileiro verá em A Música Segundo Tom Jobim, que chega aos cinemas nesta sexta-feira (20).
 
O filme, dirigido por Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim, neta de Tom, apresenta uma verdadeira colagem de interpretações das músicas do cantor e compositor por cantores nacionais e internacionais, de estilos e vozes variados.
 
Um formato diferente do que estamos acostumados a ver em documentários, que deixa a sala de cinema com jeito de palco.
 
 
 
"Sabe que eu tenho reparado as pessoas durante as exibições cantarolando as músicas", diz Dora, rindo, ao comentar o efeito do filme no espectador. Cantarolar e bater o pé em uma canção ou outra é inevitável devido ao formato do filme, que não traz narração, depoimentos, entrevistas, ou sequer uma palavra. A não ser a cantada.
 
"Isso de fazer um filme musical já era uma ideia inicial do Nelson", conta a neta de Tom.
 
A ideia de Nelson era fazer dois filmes. Um sobre as mulheres de Tom, que o cineasta já está finalizando, e esse sobre a música, para o qual chamou Dora para codirigir.
 
Tom Jobim e Vinicius de Moraes
 
O filme ainda tem direção musical de Paulo Jobim, filho de Tom, e roteiro de Miucha Buarque de Hollanda, velha amiga da família.
 
As diferentes interpretações, que vão de Frank Sinatra (“Corcovado”), Diana Krall (“Este Seu Olhar”, arriscando cantarolar em português), Sammy Davis Jr. (“Desafinado”), Elis Regina (“Águas de Março”), entre tantos outros, servem para mostrar a universalidade da obra de Tom, que viajou do Rio para o mundo por essas vozes.
 
Para valorizar ainda mais a música, o filme não traz informações sobre as interpretações – exceto fotos de alguns documentos e imagens que indicam a época – nem créditos identificando os cantores.
 
“Optamos por mais canções em vez de falar demais. Procuramos mostrar interpretações que representavam essa viagem da música. A música dele passa a depender da sensibilidade e influência daqueles artistas que o interpretam; mostrar como esses artistas cantam suas músicas, com brilho nos olhos, é muito interessante”, diz Dora.
 
Segundo ela, inicialmente, as músicas seriam divididas em temas, como natureza, mulheres e Rio de Janeiro. “Mas assistimos aos vídeos e o material era tão rico que optamos por não dividir. Assim, optamos por ordenar as músicas de forma cronológica. Uma ou outra pode ter fugido à regra, mas essa é a ordem”, conta.
 
Além das parcerias, o filme mostra momentos especiais na carreira de Tom, como a vaia no 3º Festival da Canção da Record, ao lado de Chico Buarque, em 1968, e seu último show em Jerusalém, em 1994.
"Depois do filme, a gente brincou que o Nelson fez um filme das mulheres falando do Tom, a gente fez um só com as músicas e que, agora, eu precisava fazer um com ele falando. Mas isso é só uma ideia". Se a ideia vai vingar ou não, a gente não sabe, mas no documentário, o maestro já deu seu recado. Afinal, como o próprio Tom dizia, “a linguagem musical basta”.
 

 
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