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DJs brasileiras ganham destaque na cena eletrônica internacional

Por Maira Reis
Na foto ao lado, a DJ brasileira Joyce Muniz
 
Nos últimos anos, a música eletrônica cresceu intensamente e, em paralelo à sua evolução constante, cada vez mais tem ocorrido uma forte introdução das mulheres no comando das pick-ups – equipamento utilizado pelos DJs para produzir/tocar suas músicas em um evento.
 
Engana-se quem pensa que elas realizam um belo trabalho apenas no Brasil. Há também grandes DJs com consolidada carreira internacional, desenvolvendo seu trabalho e destacando o nome do país como uma potência de produção de música eletrônica e de artistas de qualidade.

Algumas delas começaram a carreira aqui no Brasil e só depois foram para fora do país. Esse é o caso de Cella Toledo, que tocava em uma festa em São Paulo e foi contratada para se apresentar em Cuzco (Peru).

 
Mas também há brasileiras que moram em outros países e lá mesmo desenvolveram uma reconhecida carreira internacional. Como, por exemplo, Joyce Muniz, que se mudou com a família para Viena (Áustria), onde começou a produzir música eletrônica e a fechar contratos com agências que possibilitaram que ela tocasse pelo mundo todo.
 
Joyce explica qual é a diferença de tocar no Brasil e no exterior. “O mercado é amplo, há espaço para homens e mulheres. Na Europa, onde o mercado é maior pela grande diversidade de clubes e festivais, há muitos DJs, e eu sempre consegui me destacar com relação à performance, qualidade sonora, entre outros. Aqui no Brasil sinto uma certa concorrência, diferente da Europa, onde as mulheres são unidas, apoiam e divulgam entre si os seus projetos”. Cella Toledo enfatiza, “o que diferencia [tocar no Brasil ou no exterior] é o gosto musical.”
 
Mesmo tocando e desenvolvendo estilos diferentes em suas apresentações – Joyce mistura ritmos mais pesados, quentes e dançantes, enquanto Cella desenvolve um trabalho mais voltado para a house music.
 
Elas concordam em um ponto: a quase inexistência de preconceito em relação às DJs. “Eu vim do mercado masculino. Mas acredito que para uma mulher ser DJ, entrar neste mercado, tem de ser muito profissional, pois é um meio muito exigente”, argumenta Cella.
 
Já Joyce explica, “hoje em dia, depois de alguns anos ‘de estrada’, a minha relação com as pick-ups é tranquila, até porque, hoje, a maioria dos DJs e produtores são homens, e o meu relacionamento com eles é ótimo. Eles respeitam meu trabalho, que já está consolidado”.
 
Há acontecimentos na cena eletrônica que também estão proporcionando um maior desenvolvimento do trabalho para mulheres que são DJs. Cella conta: “de um ano para cá, percebi que temos cada vez mais selos de festas voltadas para o público feminino, o que é ótimo”.
 
Joyce Muniz salienta a importância do Red Bull Music Academy – evento mundial, com edições realizadas no Brasil, que apresenta festas com DJs renomados, workshops sobre música eletrônica e história da música, além de uma série de outras atividades.
 
“Ele começou a integrar mais mulheres para participarem da academia, de lá saíram muitas DJs que tiveram um ‘boom’ na carreira. Aqui, no Brasil, o acontecimento importante foi direto comigo, por ter sido a única mulher a tocar na Tribe Club Summer Edition – evento que aconteceu em janeiro de 2012, no Sirena (Maresias), que era parte do Festival Tribe e acabou ganhando uma edição especial”.
 
Em relação às novas tendências da música eletrônica, Cella ressalta, “acredito que cada vez mais teremos baladas onde toca pop original; então, nas festas que toco, onde o som é mais elaborado ou, até digamos, ‘pesado’, estilo club, teremos mais pop house tribal remix”.
 
Joyce complementa: “sou da época do vinil, o que compro muito ainda hoje. A internet é o maior acervo de música, tenho os meus canais com as minhas tracks, videoclipes, entre outros. Hoje, com o grande acesso, tanto de compra como de divulgação, todos os estilos são tendências, mas acredito que a cena house está crescendo muito. É um estilo que vai fortalecer bastante este ano”.
 
Joyce finaliza com seu parecer sobre a atuação das DJs em 2012. “Para este ano, acredito que ainda vão aparecer muitas DJs com grande capacidade a apresentarem os seus trabalhos e que, mesmo no Brasil, a produção crescerá cada vez mais e com as mulheres”.
Cella Toledo 
 
 
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