Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 17.06.2013 17.06.2013

Discussão sobre Indústria e liberdade rouba o tema de debate sobre adaptações na Feira da Mantiqueira

Por Mariana Rodrigues
De São Francisco Xavier (SP)
 
"O romance é melhor que o filme”. Lauro César Muniz dedicou parte de sua fala na mesa deste domingo, na Feira da Mantiqueira – Diálogos com a literatura, a esse assunto.
 
A frase foi citada por ser muito repetida quando é lançada uma nova adaptação para os cinemas de um título literário.
 
Mas logo ele colocou fim à questão estabelecendo as diferenças. “O leitor tem intimidade muito grande com o autor. E o espectador não, é um impaciente. Ele quer ser cativado logo… O leitor acaricia o livro, é muito sensorial”.
 
A mesa formada por Muniz, Fernando Bonassi (Passaporte) e José Roberto Torero teve como tema “Diálogos com o cinema e a TV”. A mediadora foi Renata Pallottini.
 
Torero falou sobre sua experiência para enriquecer a conversa. Lembrou que, aos 6 anos de idade, ele fez sua primeira adaptação. Após assistir a um filme, recriou a história com seus brinquedos. “Não deixa de ser uma adaptação”, disse.
 
Mais tarde, citou um curta-metragem que saiu de uma crônica inspirada em uma conversa de bar. Um outro roteiro de um filme, que não vingou, ele transformou em livro.
 
Em seguida, entrou na questão da liberdade. “[Uma adaptação] pode ser livre, não precisa respeitar nada, tem que respeitar o resultado. O ponto de partida é apenas o ponto de partida”, comentou. E ainda brincou que a melhor situação é “trabalhar com defunto”, referindo-se a autores já falecidos.
 
Fernando Bonassi foi o responsável por falas mais quentes, que abriram espaço para o tema, que voltou diversas vezes durante a mesa, e também para a participação do público.
 
Constatou a importância das obras audiovisuais como início para abrir discussões em diferentes âmbitos. Presídio (Carandiru), polícia (Tropa de Elite) e favela (Cidade de Deus) foram lembrados.

Mas foi quando tocou nos temas "liberdade" e "indústria" que o público pareceu mais interessado, levantando questões na parte final do debate.

 
Mencionou o fato de a liberdade ir apenas até onde a indústria permite – um filme precisa se encaixar em um tempo-limite ou dificilmente sairá do papel.
 
“Liberdade está no que você escolhe fazer. Eu posso escrever um livro de 900 páginas”, disse Bonassi, referindo-se ao fato de que a questão é que ele pode não ser viabilizado pela indústria ou adquirido pelo público.
 
Muniz colaborou para a reflexão e falou sobre a padronização do tempo das novelas. “Elas poderiam ganhar de qualidade se fossem menores”, comentando sobre uma duração ideal, que reduziria o número de capítulos de 200 para 70, com menos histórias paralelas e situações mais atraentes para o público.
 
Os seriados de TV também ganharam espaço. Os participantes levantaram as experiências de TV fora do Brasil relacionadas ao trabalho com produtoras independentes, que criam programas e os vendem prontos para os canais. 
 
A mesa poderia ter ficado nos tópicos rasos que o tema era capaz de proporcionar. Mas os autores, a mediadora (Renata Pallottini) e o público fizeram com que o diálogo fosse bem mais longe. E ainda abriram brechas para outros encontros.
 
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