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Diretor diz que se inspirou em David Lynch e Alfred Hitchcock para fazer ‘O Amor É um Crime Perfeito’

Por Edu Fernandes
 
A fórmula básica do filme noir é a união de sedução e perigo para criar histórias envolventes. O longa O Amor É um Crime Perfeito (Pandora) traz esses dois ingredientes combinados – porém, o ponto de vista adotado não é do investigador, mas do suspeito. O longa estreia no Brasil em 3 de julho.
O protagonista é o professor universitário Marc (Mathieu Amalric, de Cosmópolis), que tem a fama de seduzir suas alunas. Sua mais recente conquista é Barbara (Marion Duval), que desapareceu misteriosamente. Anna (Maïwenn, de Anos Incríveis), a madrasta da estudante, entra em contato com Marc, sem saber do envolvimento entre ambos.
O roteiro é baseado em um romance de Philippe Djian. O elenco conta com participações de Karin Viard (O Verão do Skylab), Sara Forestier (Os Nomes do Amor) e Denis Podalydès (Adeus Berthe: O Enterro da Vovó).
Apesar dos elementos noir, o filme inspira-se em diretores de suspense, segundo o cineasta e roteirista Jean-Marie Larrieu (Pintar ou Fazer Amor). O realizador esteve no Brasil para divulgar seu trabalho durante o Festival Varilux de Cinema Francês e conversou com o SaraivaConteúdo sobre sua mais recente obra.
 

O Amor É um Crime Perfeito é dirigido pelos irmãos Jean-Marie e Arnaud Larrieu
Vocês usaram outros filmes de suspense como referência para criar o clima?
Jean-Marie Larrieu. Nós não quisemos imitar nenhum filme, evidentemente, mas houve referência a Alfred Hitchcock e David Lynch, por exemplo. Não tentamos fazer um filme como eles, percebe? Digamos que não tivemos medo de fazer algumas coisas pelo fato de elas já existirem. Ao mesmo tempo, é um filme muito francês, muito bem escrito e com muitos diálogos. Podemos dizer que é um filme que lembra Hitchcock ou Lynch, mas com diálogos bem franceses.
Como vocês chegaram do livro ao roteiro?
Jean-Marie Larrieu. Fizemos uma primeira transposição do livro em sequência. Havia muitos trechos do livro de que gostávamos. Então, nós transformamos esses trechos em diálogos para que os atores pudessem interpretá-los. O roteiro foi praticamente mais uma adaptação teatral do que cinematográfica.
Quais as principais mudanças realizadas no processo? Como foi decidir essas alterações?
Jean-Marie Larrieu. No livro existem flashbacks, por exemplo, e nós eliminamos todos. Trabalhamos muito nos diálogos e eliminamos tudo que era passado. E também trabalhamos com roteiristas consultores. Há um consultor suíço que se chama Antoine Jaccoud, e eu recorri a ele. Ele é quase um psicanalista, não havia lido o livro e meio que atuava como nosso superego. Ele é muito bom em dramaturgia e disse que queria somente ler o roteiro para entender nossa proposta. No início, queríamos apenas adaptar esse livro, e essa consultoria nos obrigou a nos revermos para seguirmos com o filme. Um exemplo disso é que todas as aulas que o professor de literatura dá no filme foram inventadas, não existiam no livro. Foi como se entrássemos no personagem dele, criando as aulas do professor.
 
Anna entra na história para saber o paradeiro da enteada
O cinema francês é mais reconhecido por outros gêneros. Você espera surpreender o público?
Jean-Marie Larrieu. Nós sempre fizemos filmes que perturbam o espectador, porque gostamos de trabalhar sob a noção de gênero, mas de um modo muito pessoal. O gênero serve para que as pessoas estejam de acordo em um determinado campo de jogo, mas depois fica a recepção de cada pessoa. Os americanos são muito cegos quanto a essa noção de gênero, e nós, franceses, gostamos mais das viagens, das identidades. Mas ao mesmo tempo é verdade que fazemos um gênero mais policial pela primeira vez. O interessante para nós é ver como funcionam os seres humanos quanto à questão do desejo, com relação ao fato de que o homem não é o centro do mundo – existem paisagens e geografias além dele.
Veja o trailer de O Amor É um Crime Perfeito:
 

 
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