Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 28.02.2014 28.02.2014

Diretor de ‘Prenda-me’ fala da tensão no set de filmagem

ATUALIZADO DIA 05/03/2014
 
Por Edu Fernandes
 
Quando a ação de um filme fica restrita a um ambiente, diretor e roteirista precisam se esforçar para que o resultado final não pareça uma peça de teatro. O cineasta Jean-Paul Lilienfeld adquiriu experiência nesse tipo de dinâmica dramática com O Dia da Saia (Imovision). Prenda-me (Esfera), seu trabalho mais recente, também tem essa restrição. O longa estreia no Brasil em 13 de março.
Em uma noite, uma mulher (Sophie Marceau, de Encontro com o Passado) vai até uma delegacia com um pedido incomum: ela deseja ser presa. A mulher diz que matou seu ex-marido (Marc Barbé, de My Way – O Mito Além da Música), que a agredia fisicamente. O crime aconteceu há dez anos, mas as investigações da época concluíram que se tratava de um suicídio.
A policial (Miou-Miou, de A Datilógrafa) que a atende não que dar prosseguimento ao desejo dela. É aí que nasce o conflito que permeia Prenda-me.
O diretor Jean-Paul Lilienfeld esteve no Brasil durante o Festival Varilux de Cinema Francês para divulgar a produção, que fez parte da programação do evento. Na ocasião, conversou com o SaraivaConteúdo sobre o trabalho com as atrizes e a violência contra mulheres.

Jean-Paul Lilienfeld é fotografado na abertura do Festival Varilux
O Dia da Saia, seu filme anterior, tem uma estrutura similar a Prenda-me. Há alguma razão para trabalhar novamente com personagens em um ambiente fechado?
Jean-Paul Lilienfeld. Não foi uma escolha minha. Por coincidência, Prenda-Me e O Dia da Saia têm histórias assim, mas eu gosto de filmar ao ar livre também (risos). Meu próximo filme será diferente, com certeza. Não quero ficar marcado ou me tornar um especialista em ambientes fechados.
Praticamente todas as cenas mostram um embate feroz entre as duas personagens. Foi difícil manter as atrizes no clima de tensão do filme sem ser estafante?
Jean-Paul Lilienfeld. Não foi tão difícil, porque elas são ótimas profissionais. Sophie Marceau e Miou-Miou estavam totalmente envolvidas com as personagens, então meu trabalho foi mantê-las tensas. Até entre as tomadas era tenso. Felizmente, no jantar, o clima voltava ao normal.

Miou-Miou é a policial de Prenda-me
Porque os flashbacks foram realizados em primeira pessoa?
Jean-Paul Lilienfeld. Eu não queria que a plateia fosse apenas um voyeur – queria que todos sentissem o que ela sentia. Eu cheguei a testar esse tipo de câmera para que funcionasse como os olhos da personagem. Posicionei uma câmera pequena na testa, e foi ela quem fez a cena.
No filme, a personagem de Sophie Marceau sente-se culpada pela violência que sofreu do marido. Você acha que as mulheres ainda passam por esse processo psicológico danoso?
Jean-Paul Lilienfeld. Infelizmente, sim. Elas são agredidas e têm sensações opostas às que esperaríamos. A vítima acha que, quando conheceu o homem, ele não era assim. Ela acredita que é culpa dela, que algo que ela fez o transformou em um ser humano agressivo. Elas sentem vergonha da situação e do fato de ninguém as compreender. Por isso, muitas vezes, a violência doméstica acaba não sendo denunciada pela mulher.
 
Veja o trailer de Prenda-me:
 

 
 
 
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