Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 13.09.2012 13.09.2012

Diretor avalia a que se deve o sucesso do cinema espírita

Por Edu Fernandes
 
Depois do sertão nordestino e das favelas cariocas, o cinema brasileiro encontrou um novo cenário para contar histórias: o além-vida. Os filmes espíritas já levaram milhões de espectadores para as salas de projeção. O mais novo exemplo desse nicho é E a Vida Continua. A adaptação do livro psicografado por Chico Xavier nos anos 60 entra em cartaz em 14 de setembro.
 
“Há uma fascinação por tudo que se relaciona com reencarnação”, disse o diretor Paulo Figueiredo. “Esse assunto tem uma sedução embutida, a curiosidade do que vem depois da vida”.
 
E a Vida Continua acompanha os conflitos de Evelina (Amanda Acosta), uma mulher que desencarna após uma cirurgia. Na colônia espiritual, ela aprende sobre o mundo dos espíritos enquanto tenta lidar com pendências do plano carnal.
 
O projeto já acompanha Figueiredo há muitos anos. “Tentei adaptar o livro para o teatro nos anos 70, mas não deu”, relatou. “Independentemente de ser uma história espírita, acho que é uma dramaturgia muito boa”.
 
Cena do filme 'E a Vida Continua'
 
A expectativa do realizador é tocar o coração de espectadores de diversas fés. “Não gostaria que o filme ficasse restrito ao público espírita”, confessou.
 
O cantor Alexandre Camargo trabalhou por oito anos em centro espírita e concorda que longas com esse tema tendem a ultrapassar fronteiras religiosas. “O além-vida é algo sobre o qual as pessoas têm curiosidade acima da religião”, afirmou. “Em geral, só existe uma visão católica. Quando fazem um filme espírita, as pessoas ficam interessadas nesse novo ponto de vista”.
 
No entanto, o calendário de lançamento dessas produções é acompanhado com entusiasmo pelos frequentadores de centros espíritas. “Como estamos acostumados a ler e conversar sobre o assunto, surge um interesse quando há um filme”, relata Alexandre. “Os filmes são uma representação dinâmica de como é a doutrina”.
 
As maiores bilheterias do cinema espírita são de Nosso Lar e Chico Xavier (ambos de 2010), que foram assistidos por mais de 7 milhões de pessoas. Esse filão começou a chamar atenção dos produtores depois do lançamento do cearense Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito (2008).
 
Pôster do filme Bezerra de Menezes: 'O Diário de um Espírito'
 
Segundo o diretor Glauber Filho, os números do longa não foram tão surpreendentes quanto o sistema no qual foi produzido. “Foi inesperado o processo em si, porque foi um convite de um empresário local”, disse. “Não existia uma compreensão dos produtores do processo, dos custos”.
 
Glauber já tem em seu currículo dois filmes espíritas. Depois de Bezerra de Menezes, ele dirigiu As Mães de Chico Xavier. O longa causa reações até hoje. “Eu vejo nas redes sociais que algumas pessoas ainda estão descobrindo o filme”, confessa.
 
O retorno do público é intenso, conforme revela o cineasta. “Durante uma sessão de As Mães de Chico Xavier na Federação Espírita, um pai que perdeu o filho veio me falar que duas coisas o salvaram: o estudo do espiritismo e meu filme”, relata. “Além do entretenimento, o cinema espírita tem outra função, a de esclarecimento em relação à espiritualidade. Os filmes são uma ajuda a quem procura conhecimento nessa área”.
 
Para o futuro, Glauber continuará no tema. Ele acabou de escrever o roteiro de Bate Coração, baseado em duas peças de teatro. “Tem elementos espíritas, mas não se baseia diretamente em uma obra espírita”, disse. “O texto fala da doação de órgãos como um ato de amor e da homofobia”.
Depois, ele se dedicará à cinebiografia de Divaldo Franco, médium baiano que montou um centro espírita e uma creche para crianças carentes. Glauber espera filmar os dois projetos em 2013.
 
Veja o trailer de E a Vida Continua:
 
 
 
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