Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 04.04.2013 04.04.2013

DEZ temas da obra de Ingmar Bergman

Por Thaís Ferreira 
 
“Talvez outros diretores o superem em áreas individuais, mas ninguém é um artista tão completo no cinema”. Dessa forma, Woody Allen define Bergman no prefácio de Lanterna Mágica, livro de memórias do falecido cineasta, lançado pela Editora Cosac Naify.
O sueco, que além de diretor, era escritor, roteirista e ator, possui uma extensa e variada lista de trabalhos, ultrapassando a barreira das 60 películas. “Para se ter uma ideia de como ele foi prolífico, com 45 anos ele já tinha dirigido 25 filmes”, conta o professor da FAAP Sergio Rizzo, que ministrou o curso “O Cinema de Ingmar Bergman”, no CCBB.
Reconhecidamente um dos principais nomes da sétima arte do século XX, ele criou uma linguagem própria para suas obras, que vai desde a seleção dos temas, passando pela escolha das tomadas, até o ritmo de montagem.
 
O livro conta passagens de sua vida em uma ordem que não respeita a cronologia dos acontecimentos. Entre os fatos mais intrigantes, está a aproximação do artista com o nazismo e sua reação ao descobrir os horrores do holocausto. 
 
Inspirado pelo lançamento da publicação, o SaraivaConteúdo separou os dez principais temas do universo bergmaniano:
 
1. CASAMENTO
O assunto permeia todo seu trabalho; contudo, está mais presente durante os anos de 1952 e 1955. Sua interpretação, bastante incomum para o período, não idealiza o amor e a união, apenas acredita que o casamento é uma medida paliativa para a solidão.
Um dos trabalhos que mais reflete esse pensamento é Quando as Mulheres Esperam, em que os relacionamentos entre homens e mulheres são retratados como frios e distantes. 
2.  MULHER
O feminino é amplamente explorado nos trabalhos do diretor. As personagens que supostamente representam o sexo frágil são construídas de forma oposta: “O lado mais forte que teríamos, que a humanidade teria, seria devido à mulher, e não, como muitos pensam, ao homem”, comentou Rizzo durante as palestras. Na comparação, os papéis masculinos são mais individualistas e infantis.
3. DEUS
Um dos assuntos mais atribuídos ao universo bergmaniano, por causa da Trilogia do Silêncio, é a ausência da resposta de Deus para as questões humanas. Essa sequência de filmes, rodada no inicio dos anos de 1960, é constituída de Através de um Espelho (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro), Luz de Inverno e O Silêncio
 
Cena de Luz de Inverno de 1963
 
4. INSTITUIÇÕES
Quase toda a cinematografia do artista é permeada por esse tema. Segundo o professor Rizzo: “As instituições são vistas de uma perspectiva que lembra o Vigiar e Punir do Foucault”. A crítica volta-se principalmente para ordem burguesa estabelecida, que pressiona os indivíduos a se adequarem ao sistema vigente.
5. ARTE
Entre as organizações sociais mais criticadas está a Igreja. Para escapar da opressão religiosa, a saída está no mundo da arte. Enquanto a primeira representa promessas de paraíso e redenção inalcançáveis, a segunda é responsável pelo uso da criatividade como um escape para manter a saúde mental das pessoas.
6. MORTE
A morte á representada nos filmes de Bergman como um mistério: o que acontece com o final da vida? Essa pergunta é uma constante e, em união com a ausência de uma resposta divina, leva os personagens a situações extremas, como o suicídio. Um exemplo desse tema é a obra Luz de Inverno.
7. REFLEXO
Um dos recursos visuais e simbólicos mais usados pelo diretor são os espelhos. Em diversos momentos em sua cinematografia, Bergman utiliza esse objeto para dialogar de forma estética e metafórica. De acordo com Rizzo, isso reflete o “cineasta diante do espelho, que desenvolve seu processo criativo olhando para o espelho”.
 
Os espelhos são constante na obra do cineasta. Cena de Quando as Mulheres Esperam
8. VERDADE
Outra questão trabalhada nas películas do sueco está relacionada à busca de uma verdade em relação ao individuo e à construção de uma identidade. Essa reflexão pode se observada no filme A Hora do Amor, em que uma dona de casa de vida pacata começa a ter um caso com um arqueólogo e passa a questionar sua própria personalidade.
9. SEXO
O sexo é descrito nas obras do diretor como algo que movimenta as ações das pessoas ou o verdadeiro motor da vida. Alguns dos protagonistas agem de acordo com seus impulsos carnais, que se sobrepõem à moral estabelecida, como em A Fonte da Donzela, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1961.  
10. FELICIDADE
Outros trabalhos de Bergman concentram-se na procura por uma felicidade e em como encontrá-la em uma sociedade regida pelas instituições burguesas. “A busca de algum sentido espiritual e humano, em uma civilização voltada para a felicidade material”, define Rizzo.
 
 
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