Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 09.10.2013 09.10.2013

DEZ segredos para desvendar a longevidade do Pearl Jam

Por Gustavo Garde
 
 
Outubro pode ser considerado um mês simbólico para o Pearl Jam afinal, é cheio de números e significados. No próximo dia 15, acontece o lançamento de seu décimo álbum: Lightning Bolt.
 
E há exatamente 20 anos, em outubro de 1993, a banda lançava um dos seus discos mais importantes, Vs., responsável pela virada no rumo do grupo de Seattle (Estados Unidos).
 
Para entender o segredo de sua longevidade e fazer um “aquecimento” para a chegada de seu próximo trabalho, o SaraivaConteúdo selecionou dez fatos importantes na trajetória do Pearl Jam.
 
 
 
 
 
Capa de Lightning Bolt
 
1. TEN
 
Lançado em 1991, o álbum de estreia recebeu 13 discos de platina e alçou a então desconhecida banda de Seattle à condição de "superstar" da noite para o dia. Ainda hoje, seus números não param de crescer: em fevereiro de 2013, esse primeiro trabalho alcançou a marca de 10 milhões de cópias vendidas.
 
“É um disco que, além de ser tecnicamente muito bom, envelheceu bem. O mundo da música, nessa época, estava se livrando do estilo de produção que deixou datadas muitas coisas produzidas na década anterior”, ressalta Paulo Terron, editor da revista Rolling Stone.
 
2. FATOR KURT COBAIN
 
O sucesso repentino fez com que o Pearl Jam fosse massacrado por parte da imprensa. A maior crítica, porém, foi feita por Kurt Cobain, líder do Nirvana, que via no grupo algo meramente comercial. Porém, a rusga durou pouco, e Cobain se conciliou com o vocalista Eddie Vedder.
 
3. CAPA DA REVISTA TIME
 
Na edição de 25 de outubro de 1993, mês de lançamento do álbum Vs., o Pearl Jam estampou a capa da revista Time. Com a manchete "All the Rage", o semanário norte-americano elegia Eddie Vedder como um dos "raivosos líderes e porta-vozes da nova geração".
 
 
4. LONGE DOS HOLOFOTES
 
A banda não aceitou o posto de líder da nova geração e também não topou as regras para continuar no mainstream. Desconfortáveis com o peso da popularidade e da superexposição do disco de estreia, a resposta do grupo foi um caminho cada vez mais distante dos holofotes.
 
5. TURN OFF THE CAMERAS
 
A partir de Vs., o Pearl Jam preferiu não gravar mais videoclipes ou mesmo promover singles, e ainda decidiu lançar todos os seus trabalhos em vinil. O que para qualquer outro grupo poderia ser um “tiro no pé” do ponto de vista comercial, para Eddie Vedder e companhia teve efeito contrário.
“A proximidade da banda com os fãs ajudou muito nesse período. Com admiradores dedicados, o grupo não precisou do investimento gigante das gravadoras em divulgação”, explica Terron. 
 
6. DONOS DO PRÓPRIO NEGÓCIO
 
O maior gesto de independência veio em 1994, quando o Pearl Jam moveu um processo contra a Ticketmaster, sob acusação de monopólio no mercado de venda de ingressos nos Estados Unidos.
Sem a empresa, os músicos passaram a promover e organizar os próprios shows. Outro sinal de independência foi o lançamento de seus dois últimos álbuns pela Monkeywrench Records, fundada pelos próprios membros da banda em 2009.
 
7. AMADURECIMENTO SAUDÁVEL
 
Parece que de todas as bandas do início dos anos 1990, especialmente as de Seattle, o Pearl Jam foi a que soube amadurecer de forma mais "saudável". Sua geração envelheceu, novas cenas musicais surgiram, mas o grupo continua mais vivo do que nunca, lotando estádios, encabeçando grandes festivais e lançando novos discos.
 
“O Pearl Jam soube aproveitar a superexposição do começo da carreira e manter a sua base de fãs. O fato de não ter aderido a modismos de época, como a música eletrônica, os longos shows em suas turnês e a briga com a Ticketmaster passam a impressão genuína de uma banda que se importa com o seu público”, acrescenta Wilson Farina, editor do blog Heatwave!.
 
8. VERSATILIDADE
 
Outro fator que talvez tenha ajudado a manter o frescor no som da banda ao longo de todos esses anos são os projetos paralelos. Formada por integrantes do Soundgarden e do Pearl Jam, o Temple of the Dog é a expressão máxima dessa liberdade. O Mad Season, do guitarrista Mike McCready, e o RNDM, do baixista Jeff Ament, também deixaram sua marca.
 
“O Temple of the Dog e o Mad Season são amostras de como Seattle realmente tinha uma cena no começo dos anos 1990, em que as bandas interagiam e podiam, assim, trocar influências e experimentações sonoras. Esses projetos paralelos ajudavam as bandas principais por trazerem novas ideias, ou simplesmente darem vazão para os músicos saírem de sua rotina e de sua zona de conforto, o que sempre é positivo”, afirma Farina.
 
                                                                        Crédito/Jessica Letkemann
Eddie Vedder, o vocalista da banda
 
9. FRONTMAN
 
O carismático Eddie Vedder também foi construindo uma sólida carreira solo nesse percurso. Além da trilha sonora para o filme Into The Wild, de 2007, dirigido por Sean Penn, o cantor também lançou em 2011 o singelo Ukulele Songs.

10. MIRA AFIADA

 
A julgar pelo recém-lançado vídeo de "Mind Your Manners", primeira música de trabalho do novo álbum, a banda mostra que mantém vivo seu discurso politizado e que a metralhadora verbal de Eddie Vedder anda bem calibrada.
 
“O Pearl Jam também tem uma visão clara quanto ao mundo dos negócios. Não é à toa que há tanto marketing ao redor do novo disco. Os músicos sabem que é a hora de fincar a bandeira em um novo público. Por isso estão fazendo promoção, dando entrevistas, lançando clipes, vídeos promocionais. É a hora de aproveitar para renovar o público e não virar dinossauro”, completa Terron.
 
 
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