Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo HQ 24.10.2013 24.10.2013

DEZ piadinhas históricas de Asterix e sua aldeia gaulesa

Por Marcelo Rafael
24 de outubro é dia do lançamento mundial do primeiro álbum dos intrépidos gauleses sem seus criadores, René Goscinny e Albert Uderzo. Asterix entre os Pictos tem o traço de Didier Conrad e texto de Jean-Yves Ferri.
Mas a data que importa mesmo é o ano 50 a.C., quando toda a Gália foi dominada por Roma. Toda? Não. Asterix e Obelix sabem a resposta.
Eles nunca foram a Portugal, mas visitaram a Espanha, e o mais perto que chegaram do Brasil foi durante a interação com índios norte-americanos. Já irritaram César ao transformar o Coliseu (Circus Maximus) no circo que hoje conhecemos (em Os Doze Trabalhos), introduziram o chá na Inglaterra (Asterix entre os Bretões) e visitaram uma singular estrebaria em Belém (A Odisseia de Asterix).
Toda a coleção está cheia de referências e tiradas históricas que zombam do presente ou reinventam o passado. Confira dez dessas “trollagens” com a História que salpicam as aventuras gaulesas e são usadas até em sala de aula!
Asterix e Obelix saem em busca de pratos da culinária regional para levar aos romanos. De biga, ambos cruzam a Gália (atual França) em um itinerário semelhante à famosa prova ciclística Tour de France.
Alexandre Afonso de Souza, professor de História do 6ª ano do Ensino Fundamental e do 2º ano do Ensino Médio em Florianópolis, utilizou Asterix em sala para entreter seus alunos. “Eles não conheciam as revistinhas, mas tinham visto o filme”, diz. Ele completa: “Eles não sabiam nem que [o gibi] era francês. Aí, eu falei o que era a Gália e [expliquei] que o Império Romano queria conquistá-la”.
2. ASTERIX ENTRE OS HELVÉTICOS
Hoje a Suíça (antiga Helvécia) é um paraíso fiscal, famoso também pelo seu refinamento. Em 50 a.C, na coleção, os gauleses se veem às voltas com os famosos queijos furados, com a segurança dos bancos e com uma porção de ampulhetas (relógios), todos símbolos do país.
3. ASTERIX MISSÃO CLEÓPATRA
Nos livros de História, o destino do nariz da Esfinge, no Egito, ainda é controverso. No filme, Obelix escala a estátua e acaba arrancado esse pedaço do monumento.
O professor Alexandre aproveitou o filme para explicar para os alunos que os construtores das pirâmides não eram escravos, mas soldados que prestavam serviço.
Formado em História e Geografia, ele também relata: “Zahi Hawass, famoso egiptólogo, fala que a trança no cabelo dos servos mudava conforme sua função, e no filme eles ‘zoam’ com isso”. Obelix chega inclusive a usar uma peruca.
A aparição de Cleópatra no álbum se baseia no filme de 1963 com Elizabeth Taylor

4. ASTERIX ENTRE OS BRETÕES

Pelo que foi aprendido na escola, foi Júlio César quem invadiu a Bretanha (atual Inglaterra). E a ele é atribuída a famosa frase “Vim, vi e venci”. No longa animado, um atrapalhado marinheiro sinaliza o bombardeio à Bretanha e dispara as catapultas. É pedra para todo lado. As galeras de César afundam e ele diz, de queixo caído: “Eu vim, eu vi… e não acredito no que estou vendo”.
O filme também “explica” por que as estátuas romanas chegaram aos nossos dias sem membros ou cabeças. De tão liso que era o chão de mármore dos palácios romanos, os legionários não conseguiam se equilibrar e saíam deslizando e quebrando tudo.
5. OS LOUROS DE CÉSAR
Após uma vitória em uma grande batalha, era comum que o general adentrasse Roma dirigindo uma biga em uma cerimônia para receber uma coroa de folhas: os Louros da Vitória.
No gibi, Abracurcix promete ao cunhado fazer uma sopa com a coroa de César. Asterix e Obelix reviram a “capital do mundo” em busca dos louros. Sem saber, César acaba coroado com um chumaço de funcho.

6. O FILHO DE ASTERIX

Um misterioso bebê aparece na aldeia gaulesa. Porém, Cleópatra chega e revela que a criança é seu herdeiro, que havia sido raptado por Brutus. César descobre que é pai do pequeno e profere: “Até tu, Brutus, filho meu”. Na vida real, atribui-se a frase a César, suas últimas palavras ao ser assassinado pelo filho adotivo.
7. OS DOZE TRABALHOS DE ASTERIX
O Senado Romano exige que os gauleses cumpram 12 trabalhos, assim como fez Hércules, da Mitologia. O primeiro deles é vencer o campeão olímpico Merinos, de Maratona. Nos livros escolares, foi Fidípides quem correu 42 km para dar a notícia da vitória na Batalha de Maratona e, em seguida, morreu. Em homenagem a Fidípides surgiu a prova olímpica.
Mas a melhor tirada do filme é quando Asterix e Obelix têm que pegar um salvo-conduto na Casa que Enlouquece, de onde saem uma mulher que pensa que é uma galinha e outros loucos. A tal Casa é uma sátira à irritante burocracia, originada na França.
8. ASTERIX NA CÓRSEGA
Em visita à ilha da Córsega, os dois heróis encontram Bonapartix (na tradução brasileira), remetendo ao corso mais famoso do mundo: Napoleão Bonaparte. Asterix chega a se confundir e o chama, por engano, de Napoleonix.
9. O COMBATE DOS CHEFES
Um general romano desafia Abracurcix para um combate. Claro que o chefe gaulês venceria se Obelix não tivesse acidentalmente acertado o druida que prepara a poção mágica com um menir. A função dos menires até hoje é controversa nos livros de História, mas, na hora do combate dos chefes, é uma feirinha que oferece “sumenirs” (souvenires de menir).
Em O Filho de Asterix, Obelix paga Desconjuntadix com um menir. Nem Desconjuntadix, que coleciona as pedras, sabe para que elas servem: “É só para não contrariar a lenda”, diz.
10. OS NOMES E AS CALÇAS
Por fim, presentes em todos os álbuns, estão os típicos sufixos satirizando os nomes mais comuns à época: romanos, como JuliUS e ClaudiUS, viram CumulusnimbUS ou FlagelUS. Já os gauleses homenageiam o herói (real, dos livros de História) que resistiu a Roma, VercingetórIX. Assim como as francesas (JosefINA, PaulINA etc.), as gaulesas terminam em INA: NaftalINA e IleousubmarINA. As calças? Elas têm cores da bandeira da França: a de Obelix, azul e branca, e a de Asterix, vermelha!
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