Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 04.03.2013 04.03.2013

Dez passagens importantes dos 70 anos de Jards Macalé

Por Maria Fernanda Moraes
 
“Meu nome é Jards Macalé Anet da Silva… ou melhor… da Selva… ou pior… da Silva…” – é como o compositor se apresenta ao público numa vinheta de um dos seus mais conceituados discos, Aprender a Nadar, de 1974. 
 
Ao completar 70 anos (no dia 3 de março), o cantor reafirma toda a subversão e reinvenção que o acompanham desde o início da carreira, em 1965, quando estreou como violonista no Grupo Opinião. Avesso a comemorações, pois, segundo ele, “já ultrapassou a barreira do tempo e do som”, Jards passa o mês de aniversário do jeito que gosta: fazendo shows com sua nova banda, formada por jovens músicos, e com várias participações especiais como Adriana Calcanhotto, Thaís Gulin e Ava Rocha. 
 
O SaraivaConteúdo resgatou 10 passagens importantes de Jards que podem explicar um pouco mais dessa importante figura da MPB para sua nova geração de fãs:
 
1 – Ele ficou conhecido como “maldito”
Chamado carinhosamente pelos amigos de Macao, Jards ganhou outra alcunha em 1969. Durante o IV Festival Internacional da Canção (FIC), no Rio de Janeiro, ele defendeu sua canção “Gotham City”. A música, que é uma paródia, um alerta em relação à ditadura militar da época, foi vaiada do início ao fim. Ele costuma dizer que "foi dormir bendito e acordou maldito”.
 
2 – É carioca da Tijuca e cresceu em Ipanema
Lá, jogava futebol na praia e ganhou o apelido de Macalé, uma analogia ao “pior jogador do Botafogo”. Estudou piano e orquestração com Guerra Peixe, violoncelo com Peter Dauelsberg, violão com Turíbio Santos e Jodacil Damasceno, e análise musical com Ester Scliar.
 
Jards é autor de vários clássicos da MPB
 
3 – Fez direções artísticas importantes
Jards foi protagonista de alguns dos trabalhos mais cultuados do país. Foi responsável pela direção artística e pelo violão do disco Transa, gravado por Caetano Veloso enquanto estava exilado em Londres. Em 1965, acompanhou Maria Bethânia quando ela substituiu Nara Leão no espetáculo Opinião. Ainda nos anos 60, tornou-se diretor musical dos shows de Bethânia. Trabalhou também com Gal Costa no disco Le-Gal e no show Meu Nome É Gal.
 
4 – É autor de clássicos da MPB que você provavelmente já ouviu na voz de outros artistas
Ele assina músicas como “Vapor Barato”, “Mal Secreto”, “Negra Melodia”, “Anjo Exterminado”, “Rua Real Grandeza” (com Waly Salomão), “Farinha do Desprezo” e “Movimento dos Barcos” (com José Carlos Capinam), “Pano pra Manga” (com Xico Chaves), “Alteza”, “Hotel das Estrelas” e “Poema da Rosa”.

5 – Participou ativamente do movimento Tropicalista

Conviveu e colaborou com as ideias Tropicalistas, tem diversas parcerias com Gil e Caetano. Mas rompeu com o movimento porque achava que havia sido corrompido pela indústria cultural, perdendo a independência.
 
6 – Foi amigo e parceiro de Moreira da Silva
Nos anos 70 e 80, tornou-se parceiro de Moreira no samba de breque “Tira os Óculos e Recolhe o Homem”. A dupla fez vários shows e projetos. Jards foi eleito por Moreira seu herdeiro legítimo.
 
7 – Documentários sobre ele
Jards Macalé – Um Morcego na Porta Principal, de 2008, é uma cinebiografia dirigida por João Pimentel e Marco Abujamra. Em 2012, Eryk Rocha produziu Jards, um “ensaio-poema-musical”, como o diretor prefere chamar. O longa mostra todo o percurso da criação de uma obra musical, quando Eryk acompanhou as quatro semanas de gravação do disco do cantor intitulado Jards, que conta com a participação de Luiz Melodia, Elton Medeiros e Frejat, além das cantoras Ava Rocha e Thais Gulin. O DVD será lançado em breve pela Biscoito Fino.
 
8 – Sua nova banda foi batizada de Let´s Play That
O nome faz referência à música em parceria com Torquato Neto, feita em homenagem a Naná Vasconcelos e que é título do seu disco de 1983. O grupo de jovens músicos é formado por Leandro Joaquim (trompete/flugerhorn), Thiago Queiroz (sax e flautas),  Victor Gottardi (guitarra), Ricardo Rito (teclados), Thomas Harres (bateria e percussão) e Pedro Dantas (contrabaixo).
 
Jads participou do movimento tropicalista junto com Gil e Caetano
 
9 – Seus discos estão sendo reeditados e remasterizados
Só Morto, seu primeiro disco, ganha reedição com 10 faixas bônus e traz registros raros ou inéditos da cultuada fase setentista (entre 1970 e 1973).
 
O LP de 1972, Jards Macalé, foi relançado no ano passado e motivou shows com os músicos que estavam na formação original: Jards Macalé (voz e violão), Lanny Gordin (guitarra) e Tuti Moreno (bateria).
 
O LP Banquete dos Mendigos foi gravado ao vivo, em 1973, no Museu de Arte Moderna do RJ, para comemorar o 25º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Foi um disco censurado e só saiu anos mais tarde. Conta com participações de Paulinho da Viola, Jorge Mautner, Edu Lobo, Chico Buarque, Raul Seixas, Milton Nascimento, Dorival Caymmi e Gal Costa.
 
10 – Outras homenagens
As atividades em 2013 incluem também participações nas exposições em homenagem a Lygia Clark e Helio Oiticica (de quem ganhou homenagem com o penetrável Macaléia) e na mostra de Nelson Pereira dos Santos, apresentando as trilhas sonoras que fez para seus filmes (Amuleto de Ogum e Tenda dos Milagres), onde também atuou como ator, entre outras trilhas que realizou para produções brasileiras.
 
 
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