Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 22.08.2013 22.08.2013

DEZ músicas que resgatam personagens folclóricos

Por Priscila Roque
“Eu acredito em todas as coisas, até que elas sejam desmentidas. Acredito em fadas, lendas, dragões. Isso tudo existe, mesmo que seja apenas em nossa mente”, disse John Lennon.
Essa mesma vontade de manter viva a cultura popular leva artistas a recuperar personagens míticos para incluí-los em suas músicas. Ora aparecem como um retrato de sua própria história com uma leitura contemporânea, ora até mesmo como uma metáfora do cotidiano.
Em homenagem ao Dia do Folclore (22 de agosto), o SaraivaConteúdo reuniu DEZ canções que relacionam desde os nomes mais temidos até os mais cativantes do folclore brasileiro.

1. “LENDAS E MISTÉRIOS DA AMAZÔNIA” – SAMBA ENREDO DA PORTELA

Esse clássico do carnaval levou a Portela ao pódio em 1970. Posteriormente, Chico Buarque e Agepê também regravaram a música. “Desde a década de 30 havia essa preocupação em recuperar figuras históricas importantes ou lendas no samba enredo. Essa era uma imposição governamental para fazer uma espécie de exaltação do Brasil”, explica o professor de Etnomusicologia e Cultura Popular na UNESP, Alberto T. Ikeda.
2. “O VIRA” – SECOS E MOLHADOS
Uma das músicas mais bem sucedidas dos Secos e Molhados também ofereceu reconhecimento a Ney Matogrosso nos anos 1970. A canção mistura figuras do folclore nacional com traços da música portuguesa. “Ela recupera essa parte das crenças, como o gato preto e o lobisomem, e foi um grande sucesso não só para os adultos, como também para as crianças”, comenta Alberto Ikeda.
3. “UIRAPURU” – ZIZI POSSI
No disco de 1993, Valsa Brasileira, Zizi Possi gravou uma das canções do compositor, pianista e maestro Waldemar Henrique da série “Lendas Amazônicas”, iniciada 60 anos antes. “Essa canção era, praticamente, uma música de concerto”, ressalta o professor.
4. “CAIPORA” – CASTELO RÁ-TIM-BUM
A ideia do caipora foi incorporada à personagem do Castelo Rá-Tim-Bum como uma forma de contar histórias do folclore durante os episódios da atração, mesmo mesclando diversas lendas em suas vestimentas.
“Desde a década de 50 o tema Folclore é recorrente na TV. O movimento folclorístico, desde o início do século XX, vem sendo trazido ao campo do mundo infantil”, conta Alberto Ikeda.

5. “VERMELHO” – FAFÁ DE BELÉM
Essa toada de 1996, composta por Chico da Silva, foi espalhada por todo o Brasil após as regravações feitas por Márcia Freire e Fafá de Belém. “O Festival de Parintins se transformou em algo de grande impacto regional. A versão de Fafá de Belém para ‘Vermelho’ foi muito repercutida e trouxe essa imagem lendária do boi-bumbá para todo o País”, relaciona o especialista.
6. “NEGRINHO DO PASTOREIO” – INEZITA BARROSO
Essa música de 1957, interpretada por nomes como Inezita Barroso e Kleiton & Kledir, remete a uma das lendas mais populares da região sul do Brasil. “Barbosa Lessa era um folclorista famoso do Rio Grande do Sul e ele compôs isso como forma de canção, para o público adulto”, acrescenta o professor.

7. “LEÃO DO NORTE” – LENINE
Gravada em 1994 por Lenine, essa música está no disco Olho de Peixe. Logo na primeira frase, ele já avisa que tratará da cultura de suas origens: “sou o coração do folclore nordestino”. Essa não foi a única vez que Lenine falou do assunto em suas canções. “O Curupira Pirou” e “A Mula Sem Cabeça” são outros dois exemplos.

8. “A CUCA TE PEGA” – CÁSSIA ELLER
A versão de 2001 do Sítio do Pica-pau Amarelo, exibida pela TV Globo, trouxe em sua trilha essa canção de Cássia Eller para a personagem Cuca. “Até as figuras mais temidas, como a Cuca, também sofreram alguns processos de domesticação ao longo dos anos”, destaca Alberto Ikeda.
9. “TEMPO MENINO” – DOMINGUINHOS
O saci, o caipora e o lobisomem são lembrados nessa música gravada em 2006 para o disco Conterrâneos. Dominguinhos, que faleceu em julho passado, recorreu ao folclore diversas vezes em sua carreira para compor e interpretar canções.

10. “SACI” – MONICA SALMASO
Em seu disco Trampolim, de 1998, Monica Salmaso explora a cultura brasileira e alguns personagens folclóricos, como o saci. “Ele é o personagem mais difundido no Brasil. Entretanto, nessas recuperações do saci, ele foi se transformando em um ser mais simpático e menos perigoso. Percebemos o controle de seu aspecto mais maléfico”, conclui Alberto Ikeda.
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