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DEZ músicas fundamentais para a história do axé music

Por Fernanda Oliveira
 
O carnaval deste ano tem tudo para ser ainda mais animado na Bahia – se isso for possível -, já que, em 2015, o axé music chega aos seus 30 anos. As comemorações já começaram nos pré-carnavais e ensaios para a folia que tem início oficial em fevereiro. Além disso, diversos projetos e homenagens têm sido feitos por artistas da cena musical baiana. Carlinhos Brown, por exemplo, compôs a canção-tributo "Por Causa de Você".
 
O axé tem como marco inaugural a música "Fricote", de Luiz Caldas, que "estourou" primeiro na Bahia, conquistando posteriormente todo o país no ano de 1985. Ainda na década de 1980, outros artistas ganharam visibilidade nacional. No entanto, em 1990, o gênero ficou ainda mais forte e consolidado com o sucesso do hit "Canto da Cidade", de Daniela Mercury.
 
Com o passar do tempo, ele evoluiu, incorporando outras vertentes musicais e ganhando outras caras. De 1980 até hoje, a lista de artistas e grupos fundamentais para o desenvolvimento dessa cena musical é enorme. Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Carlinhos Brown, Netinho, Chiclete com Banana, Olodum, Timbalada, Banda Eva, Ara Ketu e É o Tchan são apenas alguns nomes.
 
Se a ideia for listar os grandes sucessos do axé music, a tarefa fica ainda mais difícil. Afinal, são inúmeras as músicas que o representam bem. No entanto, pode-se dizer que há canções que se destacam na história do gênero. Lucas Cunha, editor do site Bahia Notícias e jornalista responsável pelo blog Monde Musique, enumera dez delas e explica porque as elegeu. Com certeza, a seleção a seguir vai surpreender você, indo além do óbvio. Confira!
 
1. "ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO" – CAETANO VELOSO
 
"Sei que o momento é de celebrar os 30 anos do axé, mas é importante registrar que nada surge sem vir de algum lugar. Essa música de Caetano Veloso, de 1969, conseguiu não só captar o som do trio elétrico (invenção da dupla baiana Dodô & Osmar), como também é uma antecipação do caminho festivo que a música baiana tomaria em maiores proporções duas décadas depois. Além disso, serviu para popularizar o termo 'trio elétrico' (maior símbolo do axé music) em todo o país", explica Cunha.
 
2. "FRICOTE" – LUIZ CALDAS
 
"Música de Luiz Caldas de 1985 considerada o marco zero do que chamamos hoje de 'axé music'. O termo 'axé music' só seria cunhado dois anos mais tarde, em 1987, pelo jornalista de formação roqueira Hagamenon Brito, usando de forma descontextualizada o termo 'axé' (que significa 'energia, força ou poder' em iorubá) para classificar a música de artistas como Luiz Caldas, Sarajane, Chiclete com Banana, entre outros, como 'algo carnavalesco meio brega'. Ao lado de 'A Roda', de Sarajane, 'Fricote' foi responsável por levar essa nova música festiva dos trios elétricos baianos para todo o Brasil", relata o editor do site Bahia Notícias.
 
3. "WE ARE THE WORLD OF CARNAVAL" – DIVERSOS ARTISTAS
 

"O axé music tem a sua 'We Are the World'. Em 1988, o publicitário baiano Nizan Guanaes resolveu fazer uma música para ajudar as obras de Irmã Dulce com a participação de vários artistas de destaque da cena musical baiana – alguns deles viriam a 'estourar' nacionalmente anos depois. Daniela Mercury, Ricardo Chaves, Margareth Menezes, Durval Lelys (vocalista do Asa de Águia) e Lazzo estão entre os artistas que cantam na versão original do clipe, que depois ganhou diversas releituras por outros nomes locais e ainda é um grande sucesso quando tocada no carnaval de Salvador", conta o jornalista do blog Monde Musique.

 
 
4. "THE OBVIOUS CHILD" – PAUL SIMON
 
"Essa música gravada pelo astro pop norte-americano Paul Simon em 1990 foi responsável por apresentar ao mundo o som do Olodum e, por tabela, o som percussivo baiano, que também é incluído no balaio do que é considerado como 'axé music' no Brasil e no exterior. Anos depois, Michael Jackson também gravou com o Olodum a música 'They Don't Care About Us', mas Simon foi o primeiro responsável por incluir a percussão baiana no pop-rock internacional, universalizando o Olodum e sua casa: o Pelourinho. A música possui arranjo do Mestre Neguinho do Samba, considerado o mentor da batida do Olodum, que ganhou o nome de samba-reggae, estilo posteriormente popularizado no Brasil nas músicas de Daniela Mercury", descreve Cunha.
 
 
5. "O CANTO DA CIDADE" – DANIELA MERCURY
 

"Após sucessos esporádicos de artistas baianos do axé music nacionalmente, essa música (e disco) de Daniela Mercury de 1992 definitivamente mostrou ao país (e ao mundo) que a música que vinha do carnaval de Salvador não era apenas uma moda temporal, como ocorreu com a lambada anos antes. Daniela, considerada a Rainha do Axé, resumia bem tudo o que a Bahia já tinha produzido anteriormente, aliando um forte acento pop em suas canções, muito baseadas no samba-reggae da batida criada por Neguinho do Samba e dos blocos afro-baianos, trazendo também as danças afro para suas apresentações", afirma o editor do site Bahia Notícias.

 
 
6. "BEIJA-FLOR" – TIMBALADA
 
"Carlinhos Brown talvez seja o principal compositor da música baiana a partir da 'era axé music'. Ele estava presente, como instrumentista e cantor, já nos primórdios do axé, seja tocando na banda de Luiz Caldas ou compondo para Caetano Veloso o axé 'Meia Lua Inteira'. Mas sua principal criação é a banda Timbalada, que revelou o Candeal (bairro de Salvador onde o músico nasceu) para o Brasil e o Mundo, especialmente para a Espanha, onde Brown tem grande popularidade e é conhecido como Carlito Marrón. A Timbalada já passou por diversas modificações na sua formação de cantores, mas o seu auge foi sob comando dos cantores Xexéu, Ninha e Patrícia", relata o jornalista.
 
7. "PAU QUE NASCE TORTO/MELÔ DO TCHAN" – GERA SAMBA
 
"Para o sul-sudeste, tudo que seja 'música baiana de carnaval' é 'axé'. Por isso, o pagode baiano, que estourou nacionalmente nos anos 1990 com o Gera Samba (que posteriormente virou É o Tchan devido a uma briga judicial), acabou também incluído dentro do fenômeno axé music. Tanto que, nos dias atuais, ainda é lançada anualmente uma coletânea chamada Axé Bahia, que mostra, de forma estereotipada, uma bunda na capa, simbolizando dançarinas como Carla Perez e Scheila Carvalho. Elas ganharam fama nacional e deram o tom sensual de grande parte das composições do pagode baiano dos anos 1990", relata Cunha.
 
 
8. "LIBERAR GERAL" – TERRA SAMBA
 

"Surgido no rastro do Gera Samba (com um integrante que saiu da banda), o Terra Samba ganhou grande fama nacional no fim dos anos 1990, com o disco Ao Vivo e A Cores. Segundo matéria publicada na revista Superinteressante, esse é o décimo disco brasileiro mais vendido de todos os tempos e, por ser único baiano na lista, consequentemente, é o álbum baiano mais vendido de todos os tempos. Nada mau!", diz o jornalista do blog Monde Musique.

 
 
9. "FESTA" – IVETE SANGALO
 
"Talvez um dos últimos grandes momentos do axé music, 'Festa', sucesso do início da carreira solo de Ivete Sangalo (ex-banda Eva), foi o hino do pentacampeonato de futebol conquistado pelo Brasil na Copa do Mundo de Futebol de 2002, cantado pelos jogadores após o título. Também representa a força da carreira de Ivete, que se tornou a artista de maior sucesso do axé music, sendo, nos dias atuais, uma das poucas artistas baianas que ainda conseguem emplacar sucessos nas rádios nacionais", afirma Cunha.
 
 
10. "RAIZ DE TODO BEM" – SAULO FERNANDES
 

"Nos últimos anos, o trintão axé music passa por uma crise de popularidade e criatividade. Com pouca renovação e com poucos sucessos nacionais, o gênero vem perdendo relevância para outros estilos, em especial para o sertanejo. A discussão atual na Bahia é qual será o caminho que o gênero tomará nos próximos anos. Uma das apostas na tentativa de renovação é o cantor Saulo Fernandes (outro ex-cantor da Banda Eva, assim como Ivete Sangalo). Em 2013, Saulo, em carreira solo, lançou a música 'Raiz de Todo Bem', que aposta no resgate da identidade afro, além de funcionar como uma espécie de hino, um novo 'We Are The World of Carnaval' dos anos 2000. Tanto que a própria Prefeitura de Salvador usou a música em um vídeo feito com diversos artistas para homenagear os 30 anos do axé music", explica o jornalista.

 
 
 
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