Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Outros 20.09.2013 20.09.2013

DEZ motivos para visitar a exposição de William Kentridge

Por Regiane Ishii

 
Depois de conquistar o público do Rio de Janeiro, no Instituto Moreira Salles, e de Porto Alegre, na Fundação Iberê Camargo, a exposição William Kentridge: Fortuna chega a São Paulo.
 
Em cartaz na Pinacoteca do Estado até 10 de novembro, a mostra abriga obras de um dos artistas mais celebrados da arte contemporânea, que foram realizadas no período de 1989 a 2012.
 
A novidade da seleção paulista é a instalação A Recusa do Tempo (2012), que reúne no mesmo espaço diversos suportes que estiveram presentes na obra do sul-africano nas últimas décadas: o vídeo, o desenho, a escultura e a música.
 
Para aproveitar a exposição, a dica é ir com tempo, já que ela pede uma imersão, principalmente para assistir aos vídeos e mergulhar na atmosfera das instalações.
 
O SaraivaConteúdo lista dez motivos para você não perder a mostra:
 
1. A INSTALAÇÃO A RECUSA DO TEMPO
 
Na entrada da Pinacoteca, no espaço Octógono, está a primeira obra da mostra: a instalação A Recusa do Tempo, inédita no Brasil. Em exibição, cinco telas com vídeos, um complexo panorama de som e uma “máquina-objeto” chamada de “elefante”. Durante 28 minutos, o visitante é convidado a mergulhar no universo do artista e em suas visões muito particulares sobre temas como a relatividade. Sobre a peça, Kentridge disse que se trata do “tempo sendo expresso através do som e da necessidade de se desenvolver metáforas para tornar ideias visíveis ou audíveis".
 
                                                                                                         Christina Rufatto
Instalação A Recusa do Tempo
 
2. A RELAÇÃO COM O LIVRO MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS
 
Fã do livro de Machado de Assis, o artista criou o flip book De Como Não Fui Ministro D'Estado. Ele desenhou e pintou imagens sequenciais sobre as páginas de uma edição de 1946 para ser folheada, gerando a impressão de movimento. Sobre o título, Kentridge contou que Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro que leu há muitos anos. "Talvez há 20 anos, e me pareceu um grande exemplo de como é possível moldar a narrativa, tomar o absurdo e transformar em algo realista”.
 
3. OS CURTA-METRAGENS (OU O “CINEMA DA IDADE DA PEDRA”)
 
Entre os principais responsáveis pelo reconhecimento internacional de Kentridge estão os curtas-metragens da série Desenhos para Projeção (1989-2012). As animações foram desenvolvidas a partir de uma técnica caseira em que um único desenho, realizado em carvão ou pastel, é alterado e filmado para compor o quadro a quadro. Assim, é possível observar o processo do artista apagar, rabiscar, acumular, redesenhar e transformar as figuras. Por seu aspecto manual, ele é descrito como “cinema da idade da pedra”. Na mostra, estão disponíveis dez filmes da série.
 
 
4. A MÚSICA DE PHILIP MILLER
 
Também sul-africano, Philip Miller tem participado dos projetos de Kentridge desde o início de sua carreira e é um dos responsáveis pela vontade dos visitantes de deterem-se por mais tempo diante dos vídeos da exposição. Além de ter composto a paisagem sonora da instalação A Recusa do Tempo, em que distribuiu o áudio por quatro alto-falantes no espaço, Miller assina a trilha de muitos vídeos, como Felix in Exile (1994). 
 
Felix no Exílio (da série Desenhos para Projeção), 1994
 
5. O MERGULHO NO ESTÚDIO DO ARTISTA
 
Recriar o universo do estúdio foi a intenção inicial do artista e da curadora para pensar a exposição. Muito mais do que um local de trabalho, o espaço aparece diversas vezes como protagonista das obras. “Queria algo que demonstrasse o excesso do estúdio, o fato de que há sempre muitas coisas acontecendo, uma abundância”, explica Kentridge. Ao percorrer a mostra, o visitante terá a sensação de conhecer bem o ateliê do artista e de estar familiarizado com seus objetos cotidianos, de pincéis a bules de café.
 
6. A FIGURA DE WILLIAM KENTRIDGE
 
Não é só o estúdio do artista que se faz presente nas obras. O próprio William Kentridge se coloca muitas vezes em frente às câmeras. Sempre de calça preta e camisa branca de mangas compridas, o artista de 58 anos consegue criar uma relação mais próxima com o espectador por meio de sua simpática presença. Filmada dentro de seu ateliê, sua figura se multiplica até em três no mesmo vídeo.
 
7. AS REFERÊNCIAS À ÁFRICA DO SUL
 
Nascido em 1955 em Johannesburgo, na África do Sul, Kentridge é um dos artistas contemporâneos mais celebrados de seu país. Ele utiliza elementos reais para construir suas narrativas poéticas. Por isso, é possível identificar referências à memória social do lugar onde até hoje vive e trabalha, como o histórico Apartheid. 
 
8. A NOÇÃO DE ACASO
 
Como sugere o próprio título da mostra, Fortuna, os sentidos do acaso e do destino são guiadores do processo artístico de Kentridge. Combinando determinações e possibilidades, o artista encontra seu fluxo de criação. “'Fortuna' é um termo geral que utilizo para essa gama de agenciamentos, algo diverso da fria probabilidade estatística e do âmbito do controle racional. Começo com a ideia e com a imagem do que eu quero fazer, mas, quando surge no papel, algo mais acontece, sugerem outros impulsos, outras ideias”, relata.
 
Felix no Exílio (da série Desenhos para Projeção), 1994
 
9. A QUANTIDADE DE OBRAS
 
São 38 desenhos, 35 filmes e animações, 184 gravuras, 31 esculturas e duas video-instalações compondo a mostra. Merecem destaque os desenhos com carvão e as esculturas, como a famosa Rinoceronte (2007) e Rubricas (2012), uma série inédita internacionalmente. 
 
10. O CATÁLOGO DO INSTITUTO MOREIRA SALLES
 
Por ocasião da mostra, foi lançado o catálogo William Kentridge: Fortuna. Além da compilação de todas as obras que compõem a mostra, integram o livro textos da curadoria, do próprio artista e uma análise de Kate McCrickard, autora de Tate Modern Artists – William Kentridge.
 
William Kentridge: Fortuna
Quando: até 10 de novembro de 2013
De terça-feira a domingo, das 10h às 17h30, com permanência até as 18h
Às quintas até as 22h, com entrada franca das 18h às 22h
Onde: Pinacoteca do Estado
Praça da Luz, 2 – Luz, São Paulo, SP
( 11) 3324-1000
Quanto: R$ 6,00, ingresso combinado (Pinacoteca e Estação Pinacoteca). Estudantes com carteirinha pagam meia-entrada
Grátis aos sábados
Crianças com até 10 anos e idosos maiores de 60 anos não pagam
 
 
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