Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 27.11.2014 27.11.2014

Dez motivos para se amar Priscilla – A Rainha do Deserto

Por Vinícius Costa

20 anos atrás, duas drag queens (Mitzi e Felicia) e uma transexual (Bernadette) chegavam aos cinemas a bordo de um ônibus superestilizado, com o objetivo de atravessar o deserto australiano para se apresentar em um resort em Alice Springs. Trata-se da trama de Priscilla – A Rainha do Deserto, filme que completa 20 anos agora em 2014 e que ainda se mantém relevante para a comunidade LGBT*, mantendo-se firme na memória afetiva de muitos.

A produção foi um marco tanto na luta gay por direitos iguais (e pelo fim do preconceito) quanto para o cinema australiano, que naquela época se resumia a títulos como a série Crocodilo Dundee.

Stephen Elliott foi o diretor do longa, que contava com Hugo Weaving, Guy Pearce e Terence Stamp no elenco, nos papéis de Anthony/Mitzi, Adam/Felicia e Bernadette, respectivamente. O ator Bill Hunter interpretou o mecânico Bob, que se junta às meninas no meio da viagem pelo deserto.

O sucesso do filme fez com que a história fosse adaptada para a Broadway. Priscilla, Rainha do Deserto – O Musical estreou nos palcos de Sydney e pouco tempo depois chegou à Broadway. De maneira inédita, após apenas um ano em cartaz por lá, o espetáculo ganhou sua montagem nacional e foi apresentado no Teatro Bradesco, no Shopping Bourbon, em São Paulo.

Se você ainda não viu esse clássico, damos DEZ ótimos motivos para assistir. Caso já tenha visto, relembre os melhores momentos e se apaixone ainda mais por essa história.

Mitzi (Luciano Andrey), Felicia (André Torquato) e a transexual Bernadette (Ruben Gabira) em cena da montagem nacional de Priscilla

1. É do Brasil!

Acredite ou não, mas Priscilla nasceu aqui no país, mais precisamente no Rio de Janeiro. O diretor (e criador) do longa Stephen Elliot revelou em entrevista que se inspirou em drag queens que viu no carnaval de 1989 para criar o filme.

2. #dragpower

Plumas, glitter, salto alto, vestidos, perucas e muita maquiagem. Está pronto o look de uma drag queen. As carismáticas atrizes performáticas nasceram nos clubes underground dos EUA por volta de 1870. Em Priscilla acompanhamos Bernadette, Mitzi e Felicia executando suas performances, as famosas lipsyncs (ato no qual as drags dublam músicas de sucesso), sem falar em todo o processo de “montagem” do look.

As drag queens estão em alta novamente, em grande parte graças ao sucesso mundial do programa de televisão RuPaul’s Drag Race, comandado por RuPaul, que mostra a disputa de drags pelo título de Drag Superstar da América.

3. Trilha Sonora

É impossível não se animar assistindo ao filme e cantar pelo menos uma das músicas presentes na trilha sonora. São hits da era disco como “Go West”, do Village People, “I Love The Nightlife”, da Alicia Bridges, “Mamma Mia”, do Abba, e “I Will Survive”, da diva Gloria Gaynor.

4. Prêmios

Priscilla – A Rainha do Deserto arrebatou mais de 21 estatuetas, dentre elas as honrarias máximas do cinema e do teatro, com o Oscar e o Tony Awards de melhor figurino para Tim Chappel e Lizzy Gardiner. O musical também foi indicado a alguns dos mais importantes prêmios da categoria, como o WhatsOnStage Awards (Londres) e o Drama League.

5. Figurino

E por falar em figurino: é um show à parte. Criado por Tim Chappel e Lizzy Gardiner, os looks exibidos no filme são pura extravagância e criatividade. Quem não se lembra do vestido feito de sandálias? E dos adereços usados na cabeça durante a performance de “I Will Survive”? E as perucas? Rosas, azuis…

6. Trama

Apesar de ser essencialmente uma comédia, o longa carrega em si também uma história dramática ao mostrar as dificuldades das personagens e falar sobre a questão da família. Todas ali estão escondendo algo, e durante a longa jornada pelo deserto vão se revelando aos poucos e descobrindo o poder da amizade e do amor.

7. Revolução nos cinemas

Com toda sua alegria, maquiagem e músicas do anos 70/80, Priscilla colocou o cinema australiano na história e abriu as portas da sétima arte para representações mais dignas e positivas da comunidade LGBT*. O longa foi quase como um “suspiro de alívio” diante do que foi a década de 80 para os gays, com o surgimento e a epidemia da AIDS. Deixou-se de lado essa faceta sombria em prol de uma historia divertida, alto astral. Assim, as produtoras perceberam que não estavam dando uma representação digna à comunidade nas telonas. Foi quase como uma revolução… feita em cima do salto alto.

8. Elenco

Hugo Weaving, Guy Pearce e Terence Stamp surpreenderam o público e a crítica ao darem vida a Mitzi, Felicia e Bernadette. Os atores eram conhecidos por papéis em obras com temáticas totalmente diferentes. Foi um desafio cumprido com êxito por eles. O ator Terence Stamp foi o que encontrou mais dificuldade com a caracterização e composição da sua personagem. Ser Bernadette não foi uma tarefa fácil: ele sempre comentava nos bastidores que estava surpreso em perceber como as mulheres sofriam para se maquiar e se vestir todo dia.

9. Priscilla

Claro que a estrela do filme não poderia ficar de fora. Priscilla, nome carinhosamente dado ao ônibus que transporta nossas heroínas pelo deserto, acaba por ser um personagem da obra. Sua lataria prateada ganha tons de rosa no decorrer do longa e serve como palco para uma das cenas mais icônicas do cinema: a performance de Mitzi no teto do ônibus ao som de “Follie! Delirio Vano È Questo!”.

10. Sucesso Mundial

Priscilla teve orçamento bem baixo: apenas três milhões de dólares australianos. Stephen Elliot e os produtores aceitaram fazer o filme mesmo sabendo que iriam ganhar uma quantia pequena. Acontece que, após sua estreia, o longa arrecadou mais de US$ 30 milhões (sem falar nos prêmios já citados anteriormente), tornando-se um sucesso mundial e um marco na história do cinema.

Seja nas telonas, na sua TV ou nos palcos do teatro, Priscilla comemora 20 anos em grande estilo e ainda tem espaço na memória afetiva de muitas pessoas.

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