Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 08.07.2013 08.07.2013

DEZ motivos para ler e ver ‘Paperboy’

Por Thaís Ferreira
 
Em 1965, o xerife do condado de Moat, no interior da Flórida, é assassinado. Apesar de ser respeitado por todos na cidade, ele matou de forma fria 17 homens durante sua carreira, e apenas um era branco.
O principal acusado de cometer o crime é Hillary Van Wetter, primo de uma das vítimas. Ele é julgado e condenado de forma suspeita.
Dois jornalistas de Miami, Yardley Acheman e Ward James, vão para a pequena cidade a fim de investigar melhor os fatos. Eles são convencidos por Charlotte, uma mulher que se correspondente com Hillary, de que um inocente está pagando pelo homicídio. 
Esse é o complicado enredo de Paperboy, obra escrita por Pete Dexter em 1995 que chega às livrarias brasileiras. Em setembro, a história estreia nas telas com o título traduzido para Obsessão.
 
Capa do livro Paperboy
 
O SaraivaConteúdo separou boas razões para você aproveitar esses dois lançamentos:
 
1. GRANDES PERSONAGENS
Os personagens são muito bem construídos. Charlotte, por exemplo, é uma mulher por volta de 40 anos que tem uma fixação em se corresponder com criminosos. Hillary e sua família têm sérios problemas de sociabilidade.
Todas essas características são muito bem aproveitadas na adaptação para as telonas, que tem no elenco grandes nomes do cinema hollywoodiano: John Cusack, Nicole Kidman, Matthew McConaughey e Zac Efron.
2. DOIS NARRADORES
No livro, o narrador é o irmão de Ward, Jack James, que o ajuda nas investigações. Já no filme a história é contada pela empregada da casa dos irmãos, Anita Chester. 
Essa mudança altera de forma significativa a perspectiva dos acontecimentos: a primeira está diretamente relacionada aos principais fatos; já a segunda traz a visão de alguém que está de fora e que é excluída da sociedade por ser negra. São duas visões para a mesma história.
3. ABORDAGEM SOBRE O RACISMO
De forma geral, o livro aborda de forma muito superficial as questões raciais. Já na obra cinematográfica, alguns personagens que eram brancos se tornam negros para enfatizar a discussão. Yardley, por exemplo, é negro apenas no filme.
Vale a pena lembrar que a história se passa poucos anos após a Marcha sobre Washington e a lei dos direitos civis.
4. SUSPENSE E ENREDO IMPREVÍSIVEL
A montagem da película favorece muito o suspense, que também está presente na escrita de Pete Dexter. As duas obras conseguem deixar leitores e espectadores sem saber quais são os próximos passos da investigação e, principalmente, se Hillary é ou não responsável pelo assassinato.
5.  DIRETOR PROMISSOR E ESCRITOR EXPERIENTE
Apesar de não ter uma longa lista de filmes na carreira (apenas três), Lee Daniels, diretor de Obsessão, já foi indicado ao Oscar em 2010 por Preciosa – Uma História de Esperança.
Já o escritor Pete Dexter tem uma longa carreira. Sua primeira obra foi lançada em 1983 e, desde então, lançou mais sete livros, entre eles Paris Trout, vencedor do prêmio U.S. National Book em 1988. 
 
Cena do filme Obsessão
6. NÃO É A TÍPICA HISTÓRIA NORTE-AMERICANA
Mesmo com um grande elenco hollywoodiano, a obra não é o clichê da sociedade norte-americana. O enredo revela uma parte dos Estados Unidos bastante arcaica e com grandes deficiências no campo da justiça.
Paperboy também não reproduz certos padrões dos filmes estadunidenses, como a definição de heróis/vilões e um final em que tudo é solucionado.
7. BASTIDORES DA INVESTIGAÇÃO JORNALÍSTICA
Um dos pontos altos, tanto do filme quanto do livro, é revelar os bastidores de uma investigação jornalística. As obras mostram a busca por fontes, a checagem de informações e a produção do texto; tudo isso é retratado de forma crua e sem nenhum glamour.
O cotidiano de uma redação de jornal também é relatado no livro, com os bastidores de uma grande publicação de Miami e uma pequena do condado de Moat.
8. A PARTICIPAÇÃO DO ESCRITOR NO ROTEIRO
 
O autor Pete Dexter
Apesar de algumas alterações importantes na narrativa, as duas obras têm a mesma visão sobre a história. A adaptação do livro para o roteiro foi bem realizada e, em grande parte, isso se deve à participação do próprio Pete Dexter na equipe de roteiristas.
Assim, é possível ler o livro e não se decepcionar com a releitura para os cinemas.
9. FINAL SURPREENDENTE
Não é possível prever o desenlace de Paperboy em nenhum dos dois formatos. As revelações são apenas nos últimos minutos e nas páginas finais. Vale a pena enfatizar que os desfechos não são exatamente iguais, por isso é possível ler a obra e assistir ao filme e mesmo assim se surpreender.
 
10. OS PRÊMIOS
O livro ganhou o prêmio de literatura PEN Center Literary Award em 1996, enquanto a película foi indicada à Palma de Ouro em Cannes. Além disso, Nicole Kidman concorreu ao Globo de Ouro como melhor atriz coadjuvante.
 
Assista ao trailer de Paperboy:
 
 
 
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