Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 10.05.2013 10.05.2013

Dez motivos para ler David Foster Wallace

por Andréia Martins e Carolina Cunha

Quando o escritor Jonathan Franzen jogou as cinzas do amigo na ilha chilena de Masafuera, David Foster Wallace ainda era desconhecido no Brasil. Após uma longa depressão, David cometeu suicídio em 2008, aos 46 anos. Sua morte precoce chocou os círculos literários norte-americanos e rendeu inúmeras homenagens.

Graduado em língua inglesa e filosofia, Wallace era considerado uma das grandes promessas da literatura e dono de uma inteligência fora do comum. Seu livro Infinite Jest, publicado em 1996, é um romance de 1.100 páginas que foi comparado a Ulysses, de James Joyce. No Brasil, a obra ainda está em processo de tradução e deve ser lançada no final de 2013 pela Companhia das Letras.

“Depois que ele morreu, a difusão de sua obra beira a evangelização. A morte precoce de um autor sempre dá mais prejuízo do que ganho – o autor morto que o diga (se pudesse). Não curto muito a parte da necrofilia, prefiro a obra. Sou daqueles que ficam imaginando e se lamentando pelo que poderia ter vindo e não veio devido às circunstâncias”, diz o escritor Joca Reiners Terron.

Por aqui já saíram Breves Entrevistas com Homens Hediondos e Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio que Longe de Tudo, antologia com ensaios e matérias. Wallace deixou também um livro inacabado, The Pale King, já publicado nos EUA.

The Pale King

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O escritor fez ainda reportagens e ensaios para revistas como The New Yorker, Harper´s e Rolling Stone. Apesar de desdenhar de seu próprio trabalho como jornalista, seus textos brilham pela irreverência e um olhar observador clínico, muito comparado ao estilo de Hunter S. Thompson.

Após sua morte, seu estilo experimental, com frases longas e palavras criadas, passou a influenciar novos autores. “Minha geração chegou um pouco tarde para Wallace, acredito, ou o contrário. Mas é evidente que essa influência é clara nos autores que conformaram seu gosto e sua sensibilidade na primeira década do século 20”, diz Terron. Se você ainda não ficou curioso para ler David, listamos abaixo dez motivos:

Breves Entrevistas com Homens Hediondos

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1. Pop x erudito

Wallace criou histórias que trazem temas da cultura pop, como programas de TV, filmes, celebridades, culto a marcas, publicidade e tecnologia, refletindo a realidade social e cultural norte-americana. Por outro lado, também adorava coisas banais do cotidiano com citações eruditas e filosóficas.

2. Experimentalismo

Seus textos foram marcados pelo experimentalismo. É na ficção que encontramos narrativas mais densas e construções incomuns e estranhas, como histórias não lineares ou contos de apenas dois parágrafos.

3. Humor crítico

Wallace tinha um dom natural para ser engraçado e corrosivo. Fazia observações astutas sobre como “as vacas têm umas narinas que vou te contar” ou metáforas inusitadas.

4. Rejeição à ironia

O uso da ironia era uma questão que preocupava David. Ele apontou a tendência de alguns escritores de usar a ironia e o cinismo como máscaras, o que, para ele, não caía bem.

5. Busca pela humanidade

“Tem essa coisa da rejeição à ironia, porém percebo outra característica que me atrai mais, a derrocada da fronteira entre o realismo e o experimental, a valorização da expressão sensível da experiência literária, uma forma mais afetuosa de compreensão do outro”, comenta Terron.

Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio Que Longe de Tudo

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6. Provocação pelo pensamento

Ler os textos de David, seja os ensaios ou as ficções, é um desafio para qualquer leitor. Embora os primeiros sejam menos experimentais, em ambos os gêneros o leitor encontrará digressões filosóficas sobre os temas mais comuns e detalhes muito descritivos, sem contar seus períodos longos. É uma leitura que faz com que o leitor sinta-se desafiado.

7. O mal-estar da nossa era

Ele já foi chamado de pós-moderno. Em Infinite Jest, críticos já apontaram que o romance reflete a “voz de uma geração” que cresceu com a TV. Já em ensaios, temas como a trigonometria, Franz Kafka ou o jogo de tênis rendem boas reflexões sobre o nosso tempo.

8. Detalhes sobre o aparentemente inútil

Seu estilo era milimetricamente descritivo. Na reportagem “Pense na lagosta”, David foi enviado por uma revista de gastronomia para cobrir o Festival da Lagosta. Ele explica que o animal é um crustáceo marinho de cinco pares de patas, com um exoesqueleto quitinoso e outras classificações biológicas, para concluir que não passam de insetos aquáticos luxuosos. Depois, fala do seu papel na culinária e então relaciona as questões éticas de se ferver o crustáceo vivo com a nossa humanidade.

9. Autodepreciação

David sabia rir de si mesmo e confessava suas manias e medos. Ele falava de solidão e fragilidade, convidando o leitor a entrar em seu mundo.

10. Manias de notas de rodapé

Quem ama notas de rodapé não são apenas os acadêmicos. Em Foster Wallace, esse recurso não serve apenas para explicar ou comentar algo referente ao texto. As notas sempre podem mostrar uma coisa que não estava lá antes. São novos pensamentos que ampliam a narrativa. Infinite Jest tem mais de 300 notas de rodapé.

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