Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 27.02.2013 27.02.2013

Dez motivos para conhecer o filósofo Slavoj Žižek

ATUALIZADO EM 01/03/2013
Por Felipe Candido
 
O filósofo esloveno Slavoj Žižek sonhava em se tornar diretor de cinema na juventude. Mas desistiu de tal empreitada por considerar que nunca se equipararia aos grandes diretores da Europa. Decidiu abraçar a filosofia como profissão.
 
Talvez pela alma de artista que ainda existe no filósofo, Žižek tem uma abordagem diferente sobre os temas filosóficos. Trata de maneira divertida e com bom humor os assuntos que, normalmente, são discutidos com sisudez pela academia.
 
Žižek também é conhecido por fazer estudos sobre temas pouco abordados dentro do universo filosófico. Entre eles, a obra cinematográfica de Alfred Hitchcock e David Lynch, o Leninismo e as questões sobre a individualidade nas sociedades contemporâneas. Além, é claro, da utilização da obra do psicanalista Jacques Lacan como base para estudos sobre a Cultura Popular.
 
Hoje, é um renomado autor e professor da European Graduate School e pesquisador sênior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana. Além disso, é professor visitante em várias universidades nos Estados Unidos, como a Universidade de Colúmbia, Princeton, a New Scholl for Social Research de Nova York e a Universidade de Michigan.
 
Mas o que faz de Žižek um filósofo tão referenciado na contemporaneidade? Para ajudar a entender um pouco mais a obra única desse filósofo, o SaraivaConteúdo convidou o cientista social Paulo Gajanigo e os antropólogos Leandro Durazzo e Felipe Candido. Eles comentam alguns pontos da obra de Žižek que podem despertar o interesse em ler a obra do autor e também compreender como seu pensamento pode ser criticado.
 
                                             Crédito/Ana Yumi Kajiki
O filósofo Slavoj Žižek 

 

FILOSOFIA É POP
 
Žižek fala de filosofia e de arte pop no mesmo parágrafo. Mas não é um autor estilo “pílulas filosóficas”. Dá referências acessíveis da cultura pop, mas não superficializa a teoria. (Paulo Gajanigo)
 
IDENTIFICAÇÃO DO LEITOR
 
Muitas das análises de Žižek têm um aspecto psicanalítico, o que faz com que os leitores se identifiquem, se vejam nas situações paradoxais provocadas pelo nosso inconsciente. Ou seja, ao usar a psicanálise, oferece um ponto de referência ao leitor: sua própria psique. (PG)
 
A HUMANIDADE DO FILÓSOFO
 
Žižek é humano: gesticula, sua, atropela as palavras, aproxima o leitor (os jovens em especial), elimina a barreira da formalidade típica dos grandes teóricos (é um gauche, em todos os sentidos). (PG)
 
CRÍTICA À SOCIEDADE
 
Seus escritos oferecem uma profunda crítica à sociedade contemporânea, carregam suas armas com as teorias mais radicais dos últimos três séculos (Robespierre, Hegel, Marx, Adorno, Althusser). Seduzem por mostrar que outro mundo é possível. (PG)
 
O REAL DE ŽIŽEK 
 
O conceito de Real de Žižek é negativo, ou seja, é um vazio que circundamos, algo que olhamos indiretamente – é importante pois, com esse conceito, ele consegue negar tanto um materialismo vulgar, de que o real é e pronto, quanto questionar o relativismo sem fim típico das teorias pós-modernas. É esse conceito que permite que Žižek pense a mudança da realidade, nossa capacidade de agir sobre esse real. (PG)
 
STALINISMO VERSUS FASCISMO
 
Outro aspecto importante na obra de Žižek é a visão sobre o stalinismo. Ele tem a polêmica posição de não igualar stalinismo com fascismo, recusando assim o conceito de totalitarismo sobre o governo de Stalin. (PG)
 
BENS MATERIAIS E A FELICIDADE
 
Para Žižek, é importante que se tenha bens materiais. Inclusive, esse é um dos pontos que o homem contemporâneo deve ter para atingir a felicidade. Porém, o ser humano não deve atingir o máximo da sua capacidade de acumulação, de modo a evitar o consumo desenfreado que certamente gerará insatisfação no indivíduo. (Felipe Candido)
 
ŽIŽEK NO CINEMA
 
Além da filosofia, Žižek também se aventurou pela sétima arte, um dos focos de seus estudos. No documentário The Pervert’s Guide to Cinema, da diretora Sophie Fiennes, Žižek é uma espécie de “mestre de cerimônias”, fazendo análises psicológicas e criando relações até então inimagináveis, sobre os mais variados filmes, de diretores como Lars Von Trier, os irmãos Marx, Chaplin, entre outros. O longa é um ótimo complemento para o livro Lacrimare Rerum, em que o filósofo faz suas análises cinematográficas. (FC)
 
“DEFESA” DO CAPITAL
 
Em texto publicado em um jornal brasileiro, ele diz que "Para explicar em termos simples: apesar de toda a opressão inegável, nunca, em toda sua história, os tibetanos medianos desfrutaram de um padrão de vida comparável ao que têm hoje”. Žižek demonstra – ao menos nesse texto – uma curiosa e paradoxal apologia ao crescimento econômico desenfreado, concordando com a compensação que troca liberdade e vidas humanas – no caso, do Tibet – por bens e poder de consumo. (Leandro Durazzo)
 
ASPECTO POLEMISTA
 
Pelo caráter polemista do escritor, como fica claro no título de seu livro Em Defesa da Intolerância, ou declarações como "a ecologia é o ópio do povo", podemos considerar que Žižek não seria um herdeiro de uma mentalidade materialista. Além disso, apresenta dificuldades em lidar com as mudanças, não apenas estruturais mas também discursivas, da contemporaneidade, apesar de sua proposta teoricamente revolucionária. (LD)
 
Tarde de autógrafos com Slavoj Žižek
Lançamento do livro Menos que Nada: Hegel e a Sombra do Materialismo Histórico
Editora: Boitempo Editorial
Quando: 09/03, às 16h00
Onde: Saraiva do Shopping Pátio Paulista, em São Paulo
Mais informações clique aqui.
 
 
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