Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 15.08.2014 15.08.2014

DEZ momentos para querer voltar ao Woodstock

Por Andréia Martins
Em 15 de agosto de 1969 começava em Bethel, cidadezinha ao norte de Nova York (EUA), um festival de rock que teria três dias de “paz e música”, como dizia o cartaz do evento: era o Woodstock, o evento que entrou para a história do rock e marcou a geração hippie.
Os organizadores Michael Lang, John P. Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld esperavam receber umas 80 mil pessoas, mas 500 mil apareceram na propriedade rural de 250 hectares que hospedou o evento para assistir aos shows de The Who, Jimmy Hendrix, Joan Baez, Jefferson Airplane, Janis Joplin, Joe Cocker, entre outros, de novatos a artistas já consagrados.
No ano em que o festival completa 45 anos, relembramos momentos inesquecíveis dos três dias de música que marcaram o rock e o movimento hippie:
1. O IMPROVISO DO INICIANTE QUE ABRIU O FESTIVAL
Se os organizadores soubessem que Woodstock seria o maior festival dos anos 1960, talvez tivessem escalado um nome de peso para abrir o evento. A missão coube ao desconhecido Richie Havens (1941-2013). A apresentação durou três horas, em parte porque outros artistas se atrasaram e ele teve que entreter o público, até que o repertório de músicas próprias acabou. Ele então improvisou uma canção baseada nos cantos religiosos dos escravos, o que acabou se tornando a música “Freedom”. Havens passou de desconhecido a estreante de ouro.
2. UM SITAR NO MEIO DAS GUITARRAS
Das mais de 30 bandas que passaram por Woodstock, o indiano Ravi Shankar (1920-2012) era um dos artistas que despertavam mais curiosidade pela fascinação que provocou em um dos Beatles. Era sua segunda apresentação em um festival de música nos EUA. Vavo, guitarrista do Fresno, gostaria de ter presenciado o momento. “Queria ver de perto como era uma apresentação desse indiano que influenciou muito os Beatles, principalmente George Harrison, com quem tinha uma grande amizade e para quem apresentou o sitar, instrumento com o qual George ficou encantado”. A participação no festival firmou o olhar popular no trabalho de Shankar e o estabeleceu como um dos pioneiros da World Music.
 
O cartaz promocional dos três dias do festival Woodstock
O indiano Ravi Shankar tocando o sitar no Woodstock
3. JOAN BAEZ A CAPELA
No quesito ativismo, Joan Baez era sem dúvida o nome mais forte entre os artistas ali presentes. Ela abriu o show falando sobre a prisão do marido, David Harris, de quem estava grávida de seis meses. Ele foi preso por se recusar a entrar para o serviço militar. Um dos momentos mais emocionantes foi quando ela interpretou a capela a música "Swing Low, Sweet Chariot", canção espiritual norte-americana de 1909, seguida de "We Shall Overcome", um dos hinos da luta pelos direitos civis nos EUA, encerrando o primeiro dia do festival.
4. SANTANA EM SEU TESTE DE POPULARIDADE
Outro desconhecido do público era Santana, que havia lançado seu primeiro disco (Santana) há uma semana. O órgão psicodélico e o grupo de percussionistas ajudaram o guitarrista a elevar o tom funk do festival. "Soul Sacrifice", uma verdadeira jam session de mais de seis minutos, mostrou que o músico e sua trupe não estavam para brincadeira. Foram aprovados pela plateia.
 
Joan Baez se apresenta no primeiro dia do Woodstock
Santana no palco do festival Woodstock, em 1969
5. A PSICODELIA SOUL DO SLY AND THE FAMILY STONE
Ao falar de bandas que mesclaram soul, funk e psicodelismo, o nome Sly and the Family Stone não pode ficar de fora. O grupo formado em São Francisco, Califórnia, sacudiu os EUA entre 1967 e 1975. Já eram bem conhecidos quando tocaram no Woodstock por conta do estrondoso sucesso de seu álbum de estreia, Stand!. Foram 50 minutos de show, que teve seu ápice na apresentação do hit "I Want to Take You Higher".
6. OS CONSELHOS DE JANIS JOPLIN
"Vocês estão todos chapados, têm água suficiente e um lugar para dormir hoje?". A frase de Janis Joplin gerou um "chiado" da plateia, que pareceu não entender o recado, longe de ser uma bronca… Ela ainda avisou que numa situação daquelas (rock, amor e lama), as pessoas precisavam saber seus limites. Foi um momento curioso do festival. Como relataram os organizadores, o show de Janis em Woodstock foi forte, “mas pouco fez para exibir totalmente o talento da conturbada musa”.
7. THE WHO: INVASÃO E A VERSÃO ESTENDIDA DE “MY GENERATION”
A banda estava em turnê do disco Tommy quando tocou no Woodstock, na madrugada de domingo. Boa parte do setlist era composto de músicas do disco e alguns clássicos mais antigos. Houve dois pontos altos no show. Primeiro, a expulsão da ativista Abbie Hoffman pelo guitarrista Pete Townsend. Ela invadiu o palco para fazer um protesto e foi expulsa pelo músico, que gritava “saia, saia do meu palco”; depois, a banda tocou uma versão de sete minutos de "My Generation", um de seus clássicos, com uma exibição marcante de Townsend. No final, ele deu três batidas com a guitarra no chão e a lançou para a plateia.
 
Sly and The Family Stone em meados de 1960
Janis Joplin em seu show no Woodstock
8. JOE COCKER E O COVER MÁGICO DOS BEATLES
Joe Cocker já estava fazendo barulho na cena musical. Havia lançado seu álbum de estreia quatro meses antes, intitulado With a Little Help From My Friends. No Woodstock, ele tocou seu repertório e covers de Bob Dylan e Traffic, mas quando anunciou a música dos Beatles que dava nome ao seu disco, a plateia entrou em êxtase. Após o show, um temporal interrompeu as apresentações por algumas horas.
“Acredito que todo mundo já sonhou estar em Woodstock, por tudo o que o festival representou. Eu gostaria de ter visto essa interpretação lendária do Joe Cocker e também o show da Janis Joplin, minha musa”, diz o cantor Filipe Catto, nascido 18 anos depois do festival. Bruno Gouveia, do Biquíni Cavadão, também escolheria ver o cover de Cocker se pudesse voltar ao evento. “Sua voz é uma referência para mim, e essa canção dos Beatles é uma de minhas favoritas”.
9. SHA-NA-NA, O LADO CÔMICO DO WOODSTOCK
Até hoje, quando se fala na escalação dos artistas que tocaram no Woodstock, fica a pergunta: de quem foi a ideia de convidar os garotos do Sha-Na-Na? Tratava-se de um grupo de rock cômico, com estética dos anos 1950, que teve seus 35 minutos de fama ao anteceder a apresentação de Jimi Hendrix. No palco, músicas e performances engraçadas e dançantes. O grupo tinha pouco mais de um ano de vida e nenhum disco gravado. Por que inesquecível? Pelo tom bizarro e engraçado que deu ao festival. A banda continua na ativa até hoje, com diferentes integrantes.
10. O SHOW MAIS LONGO DE JIMI HENDRIX
Das 500 mil pessoas que estiveram no festival, apenas cerca de 180 mil assistiram ao show de Jimi Hendrix, que encerrou o evento na noite do dia 17 de agosto de 1969, devido ao mau tempo e uma série de dificuldades técnicas. Quem assistiu pôde ver o guitarrista tocar “Star Spangled Banner”, hino nacional dos Estados Unidos. No total, foram duas horas de show, a apresentação mais longa da carreira de Hendrix e considerada a melhor do festival por muitos críticos e revistas especializadas.
 
Sha-Na-Na durante apresentação no Woodstock
Jimi Hendrix tocando na última noite do Woodstock
 
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