Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.11.-0001 30.11.-0001

DEZ melhores cenas nos filmes de Alfred Hitchcock

Por Andréia Martins e Carolina Cunha
 
Se estivesse vivo, o britânico Alfred Hitchcock completaria 115 anos no dia 13 de agosto. Considerado o “mestre dos filmes de suspense”, ele é responsável por algumas das cenas de morte mais marcantes do cinema, seguindo o ditado “Sempre faça o espectador sofrer”.
 
Para lembrar o aniversário do diretor, listamos 10 mortes inesquecíveis de seus trabalhos.
 
[Atenção: pode conter spoilers]
 
 
 
1. A SOMBRA DE UMA DÚVIDA (1943) – JOGADO PELO TREM
Charlie Oakley (Joseph Cotten) é um serial killer de viúvas. Para se esconder da polícia, ele vai morar com sua irmã Emma (Patricia Collinge) e a filha dela, Charlie (Teresa Wright), adolescente que logo se encanta pelo tio que parece perfeito. Com o passar do tempo, a inocente Charlie desconfia que o tio tem algo a esconder. A pedido da sobrinha, Oakley concorda em partir. Na hora de ir embora, a garota sobe no trem por alguns minutos. O tio agarra a sobrinha pelo braço e lhe diz que vai ser obrigado a matá-la. Os dois lutam e, quando a jovem parece sucumbir, Oakley tropeça e cai na linha férrea, tendo uma morte rápida e instantânea.
 
2. FESTIM DIABÓLICO (1948) – COM AS PRÓPRIAS MÃOS
Brandon Shaw (John Dall) e Phillip Morgan (Farley Granger), dois jovens que se acham brilhantes, decidem estrangular até a morte um ex-colega da universidade, David Kentley (Dick Hogan), só para mostrar que conseguem cometer o crime perfeito, executado bem no início do filme. A frieza é tanta que eles assassinam Kentley com as próprias mãos e escondem seu corpo num baú da sala. O que fazem depois? Dão uma festa para amigos e usam o baú como aparador.
 
Joseph Cotten e Teresa Wright em cena do filme A Sombra de uma Dúvida
Fim da linha para David Kentley (Dick Hogan) no filme Festim Diabo´lico
 
3. DISQUE M PARA MATAR (1954) – GRACE KELLY E A TESOURA SALVADORA
Uma cena de Disque M para Matar virou marca registrada do diretor. No filme, Margot (Grace Kelly) é uma rica e infiel esposa. Seu marido Tony (Ray Milland) cria um plano para assassiná-la e herdar seu dinheiro. Toda a ação se passa na sala do apartamento. O telefone toca e Margot atende. Silêncio. Quem estaria ligando? A câmara se movimenta em 360 graus ao redor da mulher. O diretor mostra o que Margot não vê. Atrás das cortinas, um homem está prestes a estrangulá-la com um cachecol. Ele aguarda para dar o bote. “Alô, alô?”, diz ela. O homem a joga numa mesa, e ela o atinge com uma tesoura. Tremendo, ele cai. A tesoura, ao atingir o chão, perfura ainda mais o homem, matando-o “sozinha”. Tony escuta tudo pela linha telefônica.
 
4. JANELA INDISCRETA (1954) – O CACHORRO QUE SABIA DEMAIS
Hitchcock sempre foi fã de cachorros, e em alguns de seus trabalhos eles têm um papel fundamental, como o terrier de Janela Indiscreta. O protagonista Jeff (James Stewart) é um fotógrafo que está confinado em seu apartamento e passa o dia espiando os vizinhos com um binóculo. Logo ele suspeita que um homem matou sua mulher e escondeu o corpo. Um dia, ele nota que o cachorro da vizinha começa a “fuçar” o jardim da casa ao lado. Teria ele farejado algo ou seria uma paranoia de Jeff? Durante uma festa, a dona do animal dá um grito de horror. A câmera então corta para o corpo do terrier no pátio. Ele havia sido estrangulado. O suficiente para Jeff suspeitar de que o cachorro poderia saber demais…
 
Cena de Disque M Para Matar: atrás das cortinas, um homem está prestes a estrangulá-la com um cachecol
Jeff, vivido por James Stewart, desvenda um assassinato na vizinhança em Janela Indiscreta
 
5. O HOMEM QUE SABIA DEMAIS (1956) – A MORTE ACOMPANHADA DE UMA MÁ NOTÍCIA
Durante um passeio no centro de Marrocos, o médico Ben McKenna (James Stewart) e sua mulher, Jo (Doris Day), são surpreendidos por um homem vestido de branco que se arrasta pela rua com uma faca cravada nas costas. O homem em questão é o agente secreto Louis Bernard (Daniel Gélin), que informa o médico sobre um plano para assassinar um diplomata durante um concerto. O tipo de morte que só vai trazer confusão para McKenna, um desconhecido que só queria ajudar Bernard…
 
6. UM CORPO QUE CAI (1958) – UM PULO PARA A MORTE
Scottie (James Stewart) é um policial em licença médica porque tem acrofobia (vertigem em lugares altos). Ele é contratado como detetive para seguir Madeleine, uma mulher com tendências suicidas. Os dois se apaixonam, mas ela morre ao cair da torre de uma igreja. Logo ele conhece Judy (Kim Novak), que o faz lembrar Madeleine. Desconfiado de que elas são a mesma pessoa, um dia ele a leva para o mesmo lugar em que Madeleine morreu. O clima fica tenso e culmina num beijo apaixonado do casal, até que a fantasmagórica sombra de uma freira aparece ao lado do sino e, assustada, Judy pula para a morte. O espectador em agonia não vê o corpo caindo. Ele apenas pode escutar o grito da mulher e assistir à dolorosa reação de Scottie.
 
Morte no filme O Homem Que Sabia Demais
O ator James Stewart em cena do filme Um Corpo que Cai
 
7. PSICOSE (1960) – FACADA NO CHUVEIRO
Uma das cenas mais clássicas do cinema é a do chuveiro de Psicose, em que a jovem Marion Crane (Janet Leigh) é violentamente assassinada no banheiro do seu quarto no Motel Bates. Marion está no banheiro, fecha a porta e tira a roupa para tomar banho. Através da cortina é possível ver a porta se abrindo e um vulto se aproximando, sem ela perceber. Ela está prestes a ser esfaqueada por Norman Bates. A trilha aterrorizante criada pelo compositor Bernard Herrman foi feita exclusivamente por cordas e entrou para a história do cinema como a mais importante do gênero terror. A cena teve 70 posições de câmera diferentes, e a gravação durou uma semana.
 
8. OS PÁSSAROS (1963) – A QUASE MORTE
A bela Melanie Daniels (Tippi Hedren) vai parar em uma pacata cidade da Califórnia atrás do solteirão Mitch Brenner (Rod Taylor). De repente, pássaros começam a atacar os habitantes. Na cena mais famosa do longa, Melanie está numa casa e escuta ruídos no sótão. Lentamente e munida de uma lanterna, ela sobe as escadas e hesita em abrir a porta do quarto. Ao entrar, é atacada por uma horda de gaivotas e corvos. O ruído das asas e as bicadas horrorizaram a plateia. Morreu? Não morreu? Logo vemos que a heroína ainda está viva. Mas a cena é tão boa que merecia ter acabado em morte! Para filmá-la, Hitchcock usou pássaros reais que eram atirados sobre Tippi Hedren. A atriz teve que ser encaminhada ao hospital após as filmagens.
 
A cena do assassinato no filme Psicose. Talvez a mais famosa da filmografia do diretor
A personagem Melanie Daniels é atacada, mas sobrevive no filme Os Pássaros
 
9. CORTINA RASGADA (1966) –QUÃO DIFÍCIL É MATAR UM HOMEM?
A morte de Hermann Gromek (papel do ator Wolfgang Kieling) é inesquecível porque, com essa cena, Hitchcock quis mostrar o quão difícil realmente é matar um homem. O professor Michael Armstrong, vivido por Paul Newman, tenta acabar com Gromek, que não desiste fácil. Ele leva uma facada, apanha com uma pá e mesmo assim quase foge pela janela. Mas em Hitchcock, quem está destinado a morrer não escapa do destino.
 
10. FRENESI (1972) – A MORTE QUE O ESPECTADOR NÃO VÊ
Richard (John Finch) é suspeito de um assassinato. Seu amigo Rusk (Barry Foster) tenta ajudá-lo a sair dessa fria. Em uma determinada cena, o assassino atrai a vítima para o segundo andar de seu apartamento. Ao entrarem, a câmera não os acompanha e desce as escadas lentamente, até sair do edifício. O diretor constrói um assassinato enquanto nos afasta da cena do crime. Não vemos nada. Mas sabemos que não vai acabar bem.
 
Cena da morte de Hermann Gromek (Wolfgang Kieling) no filme Cortina Rasgada
Cena que antecede o crime que o espectador não vê em Frenesi
 
 
Alfred Hitchcock – a Obra-prima – Edição Limitada 14 Discos – Blu-ray
Universal Pictures 
   
 
Recomendamos para você