Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 28.05.2013 28.05.2013

Dez marcas registradas dos filmes do diretor Wes Anderson

por Julia Bezerra

Chegou recentemente às lojas o DVD do mais recente trabalho de Wes Anderson, o filme Moonrise Kingdom (2012). A produção narra a paixão pré-adolescente do casal Suzy e Sam. Para viver o primeiro amor, os dois fogem para uma ilha deserta e paradisíaca – Moonrise Kingdom. A família de Suzy então se junta a uma trupe de escoteiros para resgatar os apaixonados.

Apesar da sinopse aparentemente clichê, o filme é carregado de detalhes e marcas autorais que lhe conferem uma autenticidade peculiar. Quem já assistiu a pelo menos duas outras produções de Wes Anderson seria capaz de adivinhar o nome por trás das câmeras de Moonrise Kingdom. O SaraivaConteúdo listou dez marcas registradas que caracterizam o trabalho de Wes Anderson. Confira:

1. Wes Anderson se inspira em quadrinhos e na literatura infantijuvenil

Para escrever seus roteiros, o cineasta mergulha em clássicos da literatura (O Apanhador do Campo de Centeio, de J. D. Salinger, e Moby Dick, de Herman Melville, são alguns deles) e em quadrinhos como os da Turma de Charlie Brown, de Charles Schulz. É por isso que a maioria de suas histórias tem um quê de fantasia e ingenuidade, dignos do mundo da imaginação.

2. O diretor procura sempre fazer referência a mestres do cinema

Em todas as obras de Wes Anderson, pode-se encontrar referências a mestres do cinema. Viagem a Darjeeling (2007), por exemplo, é uma homenagem ao diretor indiano Stayajit Ray; por outro lado, Vida Marinha com Steve Zissou (2004) sofreu influência do cinema de Federico Fellini. Moonrise Kingdom, por sua vez, é repleto de referências ao clássico O Demônio das Onze Horas, de Jean-Luc Godard: ambos têm fotografia cheia de cores e narram a fuga de um casal cansado da mesmice de sua sociedade. Além disso – coincidência ou não –, a trama de Moonrise Kingdom se passa no mesmo ano em que O Demônio das Onze Horas foi lançado – 1969.

3. Os filmes do cineasta são propositalmente teatrais

A cortina é um personagem constante na obra de Wes Anderson. Isso só reforça a marca registrada do diretor de conferir certa teatralidade ao seu trabalho cinematográfico. Em Os Excêntricos Tenenbaums (2001), os cenários são apresentados como se tivessem sido montados em um palco. Moonrise Kingdom tem uma peça de teatro inserida no centro de sua narrativa, e a abertura de uma cortina vermelha dá início à apresentação dos personagens de Vida Marinha com Steve Zissou.

4. As câmeras de Wes Anderson são conduzidas por veículos

Em todos os filmes de Wes Anderson, há pelo menos uma cena em que a câmera é apoiada sobre um meio de transporte, deixando o espectador ser conduzido pelo mesmo veículo que leva os personagens. Em Viagem a Darjeeling, a câmera é posicionada sobre um trem; em Vida Marinha com Steve Zissou, isso é feito sobre um helicóptero, e os espectadores de Moonrise Kingdom são conduzidos pela mesma viatura dirigida pelo capitão Sharp.

5. O diretor insere elementos de aventura infantojuvenil nos filmes

Objetos como binóculos, walkie-talkies e armas de brinquedo são uma constante nos filmes de Wes Anderson. O diretor costuma colocar a câmera por trás dos binóculos usados pelos personagens, como fazia o mestre do suspense Alfred Hitchcock.

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6. Crianças são adultos e adultos são crianças

Moonrise Kingdom é o primeiro filme do diretor a apresentar protagonistas crianças. Sam e Suzy, no entanto, são mais adultos do que muitos dos personagens da carreira de Wes Anderson. O milionário Herman Blue, vivido por Bill Murray em Três é Demais (1998), tem prazer em tirar sarro de criancinhas. Já a dupla Anthony e Dignan, interpretada pelos irmãos Luke e Owen Wilson em Pura Adrenalina (1996), se envolve em uma série de assaltos trapalhados, que mais parecem brincadeiras de criança.

7. A trilha sonora é sempre marcante

Os fãs de Wes Anderson sempre esperam de seus filmes uma trilha sonora primorosa. No começo de sua carreira, o diretor abusava do rock britânico dos anos 60, que pode ser apreciado nas trilhas de Pura Adrenalina, Três é Demais e Os Excêntricos Tenenbaums. Mais recentemente, no entanto, Wes Anderson parece ter se encantado pelo pop francês. As trilhas de O Fantástico Sr. Raposo (2009) e Moonrise Kingdom foram compostas pelo francês Alexandre Desplat. Nessa última produção, por sinal, uma das cenas mais marcantes (a do primeiro beijo do casal) é embalada pela canção francesa “Le Temps de L’Amour”, de Françoise Hardy.

8. Wes Anderson trabalha sempre com os mesmos atores

Os atores Bill Murray, Jason Schwartzman e Owen Wilson marcam presença em quase todos os filmes de Wes Anderson. Bill Murray participa de todas as obras do diretor, desde Três é Demais. Jason Schwartzman já contabiliza quatro trabalhos com Wes Anderson. E Owen Wilson só ficou de fora de Três é Demais e, surpreendentemente, de Moonrise Kingdom. O ator também participou como coautor dos roteiros dos primeiros três filmes de Anderson (Pura Adrenalina, Três é Demais e Os Excêntricos Tenenbaums).

9. Sempre há uma passagem em câmera lenta nos filmes do diretor

Wes Anderson fez das cenas em câmera lenta uma de suas marcas registradas. Ele as usa de maneira bem peculiar: a trilha sonora do filme é cortada no momento da câmera lenta e volta de maneira marcante quando a câmera assume sua velocidade usual. O recurso permite que o espectador capte com mais intensidade a emoção dos personagens no momento da cena.

10. Os filmes de Wes anderson são cheios de cores

Não espere fotografias escuras, frias ou acinzentadas quando for assistir às obras de Wes Anderson. Uma de suas marcas registradas é abusar da cor. A paleta de cores usada é praticamente a mesma em Moonrise Kingdom, Os Excêntricos Tenenbaums, Três é Demais, Vida Marinha com Steve Zissou, O Fantástico Sr. Raposo e Viagem a Darjeeling. Predominam as cores quentes, como o vermelho, laranja e castanho.

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