Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 13.06.2013 13.06.2013

Dez lugares marcantes na vida de Fernando Pessoa em Lisboa

por Priscila Roque

Um homem magro de bigode vestindo casaco escuro, chapéu e óculos. Ver os traços simples dessa combinação em qualquer ponto que seja da capital portuguesa remete a um único nome: Fernando Pessoa.

Em 13 de junho de 2013, completam-se 125 anos de nascimento do poeta. Discreto, ele provavelmente não imaginava que seu rosto poderia se tornar uma estampa tão popular. Essa “onipresença” nos faz viajar no tempo e cria uma ponte do antigo com o atual.

A equipe do SaraivaConteúdo conversou com três especialistas – Jerónimo Pizarro, estudioso e um dos responsáveis pelos volumes da coleção Edição Crítica de Fernando Pessoa (Imprensa Nacional – Casa da Moeda); Fabrizio Boscaglia, pesquisador pessoano e guia do passeio temático “Lisboa com Fernando Pessoa”, da Lisboa Autêntica; e João Correia Filho, autor de Lisboa em Pessoa (Editora Leya) – para listar dez lugares lisboetas que ainda guardam marcas do poeta.

1. Largo de São Carlos

Largo de São Carlos, 4.
Em meio às ruas estreitas do bairro do Chiado, abre-se um pequeno largo. Foi no 4º andar do edifício nº 4, em frente ao Teatro São Carlos, que nasceu Fernando António Nogueira Pessoa. A visita faz referências à época. É por lá que “se ouvem, ainda hoje, as badaladas referidas no poema ‘Ó sino da minha aldeia’”, assinala Jerónimo Pizarro.

2. Igreja dos Mártires

Na rua Garrett, entre as ruas Anchieta e Serpa Pinto.
As referidas badaladas dos sinos, relembrando dias felizes que Pessoa teve na infância, vinham da Igreja dos Mártires (onde foi batizado), localizada bem perto de sua primeira casa. Nas proximidades da basílica, viveu até os 5 anos de idade.

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3. Biblioteca Nacional

Rua Campo Grande, 83.
Com quase 20 anos de idade, Fernando Pessoa abandonou a faculdade de Letras e passou a se dedicar aos estudos de maneira autodidata. Sua maior fonte era a Biblioteca Nacional, que hoje guarda um espólio do poeta com obras raras, cartas e rascunhos assinados.

4. Rua dos Douradores

“É conhecidíssima a sua declaração de amor a Lisboa: ‘Oh, Lisboa, meu lar!’. Quem chegar a esse ‘lar’ pela primeira vez, pode estranhar-se a ver que essa rua é, provavelmente, a mais estreita, obscura e anônima da Baixa. Eis uma das grandes capacidades de Pessoa: entrever a imensidão até no infinitesimal e no cotidiano”, diz Fabrizio Boscaglia.

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5. Praça D. João da Câmara

O antigo Largo de Camões – atual Praça D. João da Câmara –é mencionado em vários poemas de Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa. O autor frequentava o local para encontrar diversos escritores e também sua namorada, Ofélia Queiroz, que morava por ali.

6. Café Martinho da Arcada

Praça do Comércio, 3.
De acordo com os proprietários, esse foi um dos lugares mais frequentados pelo escritor nos seus últimos dez anos de vida. Três dias antes de sua morte, esteve no local com Almada Negreiros. “Esse era um ponto bem representativo, pois funcionava como uma espécie de escritório para ele”, explica João Correia Filho.

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7. Café A Brasileira

Rua Garrett, 120.
A emblemática escultura de Pessoa faz do local um dos mais lembrados. A cena, retratada pelo escultor Lagoa Henriques, mostra o poeta sentado em uma mesa com uma cadeira vazia ao lado, convidando o visitante a sentar-se para uma foto.

8. Casa Fernando Pessoa

Rua Coelho da Rocha, 16.
A casa em que ele viveu seus últimos 15 anos foi transformada em centro cultural. Além de palestras e debates sobre literatura, o local guarda objetos pessoais do escritor, assim como a cômoda em que teria escrito “O Guardador de Rebanhos”, de Alberto Caeiro.

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9. Hospital São Luis

Rua Luz Soriano, 182.
No fim do mês de novembro, em 1935, Fernando Pessoa foi internado com sintomas de cólica hepática e morreu logo depois, no dia 30. Na véspera, escreveu seu último texto em inglês: “I know not what tomorrow will bring” (“Eu não sei o que o amanhã trará”, em tradução livre).

10. Mosteiro dos Jerónimos

Rua Jerónimos, 3.
Em 1935, o corpo do poeta foi sepultado no Cemitério dos Prazeres. Entretanto, 50 anos depois, seus restos mortais foram transferidos para o Mosteiro. O túmulo pode ser visitado na ala norte do claustro inferior.

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