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DEZ filmes marcantes do cinema pernambucano

Por Edu Fernandes
 
Recife é conhecida pela riqueza das manifestações da cultura popular. Ao lado do frevo e do maracatu, uma outra linguagem ganha força na “Veneza brasileira”: o cinema. De forma geral, a produção pernambucana contemporânea traz forte cunho político-social em seus enredos. O resultado são premiações em festivais no Brasil e no exterior.
A cidade completa 477 anos no dia 12 de março, e o SaraivaConteúdo dá dicas ao leitor para conhecer filmes importantes da recente safra da cinematografia da cidade:
1. AMARELO MANGA (2002)
O primeiro longa de ficção de Claudio Assis já traz a fibra pela qual o cineasta é reconhecido. Amarelo Manga (Califórnia) tem como centro narrativo um bar na periferia de Recife, cuja proprietária é Lígia (Leona Cavalli).
Todos os personagens exóticos que participam do filme são de alguma maneira ligados ao boteco. Há o açougueiro (Chico Díaz) casado com uma mulher religiosa (Dira Paes), o pervertido Isaac (Jonas Bloch), entre outros. A produção foi ganhadora do Festival de Toulouse (França).
2. BAILE PERFUMADO (1997)
 
Cena do filme Baile Perfumado, de Paulo Caldas e Lírio Ferreira
 
Em 1936, Lampião (Luiz Carlos Vasconcelos) era uma mistura de herói, bandido e mito. Por essa razão, um fotógrafo libanês (Duda Mamberti) se interessa em registrar o cangaceiro. O filme mistura imagens de arquivo às cenas gravadas.
Além de premiações, Baile Perfumado (RioFilme) tem sua importância por ser o primeiro longa pernambucano a ser realizado após a Retomada.
 
3. BOA SORTE, MEU AMOR (2012)
 
Cena do filme Boa Sorte, Meu Amor, de Daniel Aragão
 
Apesar de ser centrado na história de amor entre o construtor Dirceu (Vinicius Zinn) e a artista Maria (Christiana Ubach), Boa Sorte, Meu Amor (Cicatrix) aglutina características estéticas de outros filmes pernambucanos. Há o tema do crescimento desordenado de Recife e uma escolha pelo preto e branco.
Com uma trilha musical pautada por canções antigas, o visual vintage conquistou o público do Festival de Locarno (Suíça), onde o trabalho foi premiado.
 
4. ELES VOLTAM (2012)
 
Cena do filme Eles Voltam, de Marcelo Lordello
 
Filha da classe média recifense, Cris (Maria Luiza Tavares) é largada pelos pais em uma estrada. Para fazer o caminho de volta para casa, a menina precisa entrar em contato com uma realidade que lhe é desconhecida.
O choque de experiências pessoais distintas é o que movimenta o enredo. Eles Voltam (Vitrine) tem como tema o olhar da vida alheia. O filme foi selecionado para o Festival de Roterdã (Holanda). Atualmente, encontra-se em cartaz no circuito comercial.
5. ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA (2012)
 
Cena do filme Era uma Vez Eu, Verônica, de Marcelo Gomes
 
Uma jovem médica (Hermila Guedes) encontra-se em crise. Seu pai (W. J. Solha) está debilitado, sua vida amorosa é conturbada e a cidade onde vive traz mais problemas para seu cotidiano.
A válvula de escape encontrada pela protagonista é o sexo. Por isso, há corajosas cenas de nudez no longa. Era uma Vez Eu, Verônica (Sony) recebeu uma menção honrosa no Festival de San Sebastián (Espanha).
6. ESTRADEIROS (2011)
 
Cena do filme Estradeiros, de Sergio Oliveira e Renata Pinheiro
 
O documentário acompanha nômades dos dias de hoje. Artistas de rua, artesões e mochileiros de várias nacionalidades dão depoimentos sobre seu modo de vida à margem do sistema.
Com sequências encenadas ao lado das passagens documentais, Estradeiros (TV Brasil) tem personalidade. O filme foi exibido no Festival Distrital (México).
 
7. A FEBRE DO RATO (2011)
 
Cena do filme A Febre do Rato, de Claudio Assis
 
Zizo (Irandhir Santos) é um poeta anarquista que publica um fanzine com suas criações transgressoras. Ele se apaixona pela jovem Eneida (Nanda Costa) e fará de tudo para conquistar a amada.
Em preto e branco e com texto rebuscado, A Febre do Rato (Imovision) tem sabor de Cinema Novo. O filme foi ganhador do Festival de Havana (Cuba).
 
8. UM LUGAR AO SOL (2009)
 
Cena do filme Um Lugar ao Sol, de Gabriel Mascaro
 
O documentário entrevista moradores de coberturas em grandes cidades brasileiras. As falas dos depoentes explicitam seus valores e preconceitos.
Em sua estreia, Gabriel Mascaro mostra a frieza com que trata o tema, em uma tentativa de intervenção mínima no objeto de estudo. Um Lugar ao Sol (Vitrine) recebeu menção honrosa no Festival de Cinema Independente de Buenos Aires (Argentina).
9. O SOM AO REDOR (2012)
 
Cena do filme O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho
 
Em uma rua de Recife, um grupo de seguranças particulares se instala para afastar os crimes que assolam a região. Com essa situação, vemos os conflitos dos moradores, que resumem o cenário social da sociedade.
Explorando as contradições do Brasil contemporâneo, O Som ao Redor (Vitrine) é considerado por especialistas como uma das mais importantes produções nacionais realizadas nos últimos anos. A Associação de Críticos de Toronto (Canadá) deu ao título o prêmio de melhor primeiro filme.
 
10. TATUAGEM (2013)
 
Cena do filme Tatuagem, de Hilton Lacerda
 
Depois de consagrar-se como roteirista dos filmes de Claudio Assis, Hilton Lacerda estreia na direção de longas. A história é sobre um grupo de teatro experimental e contestador que atua no final da ditatura militar.
Com um ar de pós-tropicalismo e números musicais à la Dzi Croquettes, Tatuagem (Imovision) conquistou o público. O longa foi exibido no Festival de Palm Springs (Estados Unidos).
O QUE VEM POR AÍ
Amor, Plástico e Barulho (Boulevard), de Renata Pinheiro – Situado no mundo da música brega, o filme acompanha a cantora e dançarina Shelly (Nash Laila). Ela sonha em alcançar o sucesso e a fama. O longa deve estrear ainda em 2014.
O Homem das Multidões (Cinco em Ponto), de Marcelo Gomes e Cao Guimarães – Um condutor do metrô (Paulo André) e sua colega de trabalho (Sílvia Lourenço) viva na solidão, cada um do seu jeito. A amizade entre eles pode ser a saída para esse tormento. O lançamento está agendado para 2 de maio.
Sangue Azul (Drama), de Lírio Ferreira – O circo chega a cidade de Fernando de Noronha vinte anos depois de ter partido. O homem-bala Zolah (Daniel de Oliveira) é nativo do arquipélago e o retorno fará aflorar conflitos. O filme encontra-se em finalização, sem data de estreia definida.
 
 
 
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