Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 12.04.2013 12.04.2013

DEZ elementos insólitos em Cortázar

Por Cristina de Oliveira
 
O escritor Julio Cortázar construiu um universo literário em que o insólito, ou seja, elemento estranho, raro ou que simplesmente foge do habitual e das normas, caminha lado a lado com aspectos do cotidiano, conferindo-lhe uma sensação de estranheza ou incômodo.
 
Para além de análises mais profundas e cheias de significados, hipóteses e conclusões, descubra, a seguir, 10 elementos insólitos vindos diretamente dos contos de Cortázar para transformar a realidade à nossa volta em algo surreal.
 
1. VOMITAR COELHINHOS
Cortazar nos apresenta outra forma de trazer coelhinhos à luz. No conto “Carta a Uma Senhorita em Paris”, o narrador-protagonista vomita coelhinhos que alimenta com trevos e paciência. Uma maneira bastante incomum de dar vida a essas criaturinhas, que podem ser muito fofas até certo limite.
 
2. FUGIR DE UM TIGRE… DENTRO DE CASA
Há quem reclame da presença de baratas, lagartixas ou mesmo pernilongos que não deixam dormir à noite, mas que tal substituir tudo isso por um tigre? A família Funes vive essa situação no conto “Bestiário”: convive com um tigre, que anda solto pelos cômodos da casa, fazendo com que a família tenha que se deslocar para evitar confrontar a fera. Nesse caso, um simples inseticida certamente não será eficaz.
 
3. UMA VIDA SEM CABEÇA
É possível viver sem tempo, sem dinheiro e… sem cabeça. Isso fica comprovado no texto “Acefalia”, no qual um homem, após ter sua cabeça arrancada, tem que viver sem ela e ir recuperando, aos poucos, os quatro sentidos que perdera com essa “fatalidade”. De fato, a capacidade de “superação” dos indivíduos pode ser assombrosa!
 
4. APRENDER A CHORAR E OUTRAS LIÇÕES
 
Capa do livro Histórias de Cronópios e de Famas
Você acha que sabe como chorar, andar ou cantar? Para conferir se sabe mesmo, uma boa opção é ler os manuais de Cortázar: “Instruções Para Chorar”, “Instruções Para Cantar” e “Instruções Para Subir Uma Escada”, todos do livro Histórias de Cronópios e de Famas. Neles, você poderá aprender que para subir uma escada é preciso ter cuidado para não levantar os dois pés ao mesmo tempo e que a duração média do pranto pode ser de três minutos.
 
5. CRIAÇÃO DE MANCUSPIA
As Mancuspias são mamíferos delicados, possivelmente quadrúpedes, com bico e pelo, que comem aveia maltada e às vezes bebem leite com vinho branco. Elas também podem transmitir doenças, dentre as quais diversos tipos de cefaleia. Mas apesar disso, elas são bastante lucrativas. E mais uma coisa: as mancuspias só existem no universo “cortaziano”, mais precisamente no conto “Cefaleia”, então talvez seja difícil encontrar uma – mas não custa tentar.
 
6. ATIVIDADES ESPECIAIS
Uma possibilidade para conhecer diferentes e interessantes ocupações é ler o conto “Ocupações Maravilhosas”, que elenca algumas atividades bem interessantes, como: enviar uma pata de aranha pelo correio ou ficar sob um pé até que alguém o veja e, então, soltar um grito e girar. Esses são apenas alguns exemplos de coisas “maravilhosas” a se fazer.
 
7. SENTINDO O PESO DAS FLORES
 
Quando pegar um ônibus em que todos estão estranhamente carregando flores, não se esqueça de levar seu ramo também. Caso contrário, poderá sofrer o mesmo desconforto pelo qual passou Clara, a protagonista do conto “Ônibus”, e seu companheiro de viagem que, ao embarcar na linha 168, experimentam uma sensação opressiva e ameaçadora por parte dos outros passageiros, por serem os únicos a não carregar flores. Então, próxima parada: floricultura!
 
8. ALTERNATIVAS EM ENGARRAFAMENTOS
 
Capa do livro Todos os Fogos o
Fogo
 
Quem acha que os congestionamentos só servem para ouvir música, falar ao celular enquanto o aparelho tem bateria e se irritar (não necessariamente nessa ordem), não conhece o conto “A Autoestrada do Sul”, do livro Todos os Fogos o Fogo. Nele, as personagens, presas num engarrafamento inexplicável (e que parece não terminar nunca), criam uma sociedade paralela, na qual há de tudo, de suicídios a gravidez.
 
9. REFORMULANDO VELÓRIOS
Ir a velórios e prestar condolências às famílias são ações levadas ao extremo no conto “Comportamento nos Velórios”, no qual a família do narrador toma de assalto os velórios alheios, assumindo o papel dos parentes dos falecidos, chorando e fazendo discursos por mortos desconhecidos e até tomando providências para o enterro, independente da vontade dos reais familiares.
 
10. VIAGEM PREMIADA
Na hora de programar suas próximas viagens, certifique-se de não embarcar no cruzeiro dos premiados da loteria do livro Os Prêmios, de Cortázar. Além de não saberem o destino da viagem, os passageiros têm que conviver com oficiais do navio quase invisíveis, um surto de tifo, estranhas restrições de deslocamento pela embarcação, seduções e até assassinatos. E o pior, nada de festas badaladas ou show do Rei.
 
Capa do livro O Perseguidor
 
Experimente ler também: As Armas Secretas, O Perseguidor, Octaedro, Valise de Cronópio, O Jogo da Amarelinha, além de vários outros.
 
 
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