Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 03.05.2013 03.05.2013

DEZ documentários “entre família”

Por Daniela Guedes
 
Voltar os olhos para algum parente e, por meio desse personagem, remontar a história do país tem sido um recurso utilizado por muitos cineastas brasileiros que produzem documentários aqui no Brasil.
“Essa tendência começou em 2002 com o ‘doc’ 33, de Kiko Goifman. Depois vieram Um Passaporte Húngaro, de Sandra Kogut e, acrescentando filmes mais recentes à lista, Diário de uma Busca, de Flávia Castro, Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat e Otto, de Cao Guimarães”, diz o crítico de cinema André Dib. 
“Não é fácil dizer quais fatores são responsáveis pelo sucesso de um ‘documentário familiar’, mas como em qualquer filme, a sinceridade no discurso, o domínio técnico e a criatividade fazem toda a diferença”, continua.
Longe de serem apenas produções com uma ideia de resgate familiar, essas obras ajudam a reconstituir o período e servem para uma melhor compreensão daquele membro da família e da sua história de vida, que muitas vezes se mistura à história do país.
O SaraivaConteúdo separou DEZ documentários para você se emocionar e saber mais sobre a vida desses personagens.
1. UM PASSAPORTE HÚNGARO (2003)
A solicitação de um passaporte dá inicio ao enredo de Um Passaporte Húngaro, de Sandra Kogut. A busca de Sandra pelo documento transcende a própria questão familiar e invariavelmente acaba trazendo à tona temas como nazismo, antissemitismo e burocracia estatal.
2. UMA LONGA VIAGEM (2011)
Dirigido pela cineasta Lucia Murat, o documentário é uma espécie de autobiografia. A história se passa em meio à época do Golpe de 64 e aborda a vida de três irmãos: Lucia, Miguel e Heitor (Caio Blat). Uma narrativa pessoal que se mistura à do Brasil dos anos 1960 e 1970.
3. EM BUSCA DE IARA (2012)
Mariana Pamplona, sobrinha de Iara Iavelberg (1944-1971), decide com o marido e diretor do filme, Flávio Frederico, 41 anos depois, mostrar a verdade sobre a morte da tia. Militante política, Iara atuou no movimento estudantil nos anos 1960 e vivenciou a agitação política e cultural em São Paulo. O documentário recebeu menção honrosa pelo júri da seleção nacional no Festival É Tudo Verdade de 2013.
4. MATARAM MEU IRMÃO (2012)
No documentário Mataram Meu Irmão, o diretor Cristiano Burlan volta 12 anos no tempo para contar a história de seu irmão Rafael Burlan, que foi assassinado. A partir desse episódio, Cristiano decide relembrar os fatos e o envolvimento do irmão com as drogas, compondo um retrato da violência nos bairros do subúrbio de São Paulo. A obra levou o prêmio de melhor documentário brasileiro na edição de 2013 do Festival É Tudo Verdade e ainda conquistou o prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).
 
Mataram Meu Irmão mostra a realidade da violência na cidade de São Paulo

5. SOBRAL — O HOMEM QUE NÃO TINHA PREÇO (2012)

A história do jurista Sobral Pinto (1893-1991) é levada às telas pela sua sobrinha e diretora Paula Fiúza. No documentário, ela expõe a figura humana e justa do tio que lutava a favor da democracia, em meio a um dos períodos mais obscuros de nossa história, a ditadura militar.
6. ROCHA QUE VOA (2002)
O diretor Eryk Rocha, filho do cineasta Glauber Rocha (1939-1981), traz à tona um debate estético e cultural sobre o papel do cinema nacional. Para isso, Eryk contrapôs duas entrevistas de Glauber, feitas a uma rádio cubana entre 1971 e 1972, a imagens da vida no país, filmes do diretor e depoimentos de cineastas, amigos e a namorada de Glauber, Maria Teresa Sopeña, com quem conviveu no exílio cubano aos 33 anos.
 
Trailer de Rocha que Voa
 
7. MARIGHELLA (2012)
A diretora Isa Grinspum Ferraz, sobrinha do guerrilheiro e militante baiano Carlos Marighella (1911- 1969), monta, a partir das lembranças que tinha do tio quando era criança, o mosaico histórico daquele período no país. A obra mostra a trajetória de Marighella no Partido Comunista Brasileiro, a opção pela luta armada, a criação da Aliança Libertadora Nacional e o fracasso na luta pelos seus ideais. 
8. OTTO (2012)
O diretor e artista plástico Cao Guimarães reconstitui neste documentário a atmosfera de um momento, a partir da gravidez da sua esposa e do nascimento de seu filho Otto. Com imagens produzidas nas cidades de Montevidéu, Istambul e Belo Horizonte, Cao busca abordar, partindo do particular para o universal, o nascimento de uma vida.
9. CONSTRUÇÃO (2012)
Este documentário traz três temas universais: família, encontros e desencontros. É a partir do registro da viagem a Cuba da filha de 3 anos de Carolina Sá, diretora do documentário, que o expectador se dá conta das relações que criamos com a família e a pátria ao longo da vida.
10. HÉLIO OITICICA (2012)
O cineasta César Oiticica Filho, sobrinho do artista plástico Hélio Oiticica (1937-1980), além de trazer para as telas alguns dos trabalhos inéditos do tio, nos dá também a oportunidade de descobrir uma faceta pouco mostrada do artista tropicalista. As narrações feitas pelo próprio Hélio através de fitas K7, pertencentes ao seu acervo, impressionam e revelam amplos interesses políticos e estéticos de sua obra.
 
As narrações feitas pelo próprio Hélio impressionam
 
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