Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 18.10.2013 18.10.2013

DEZ diretores para você ficar de olho

Por André Bernardo
 
Você já deve ter ouvido falar neles. Se não, em breve vai ter a chance de assistir a um filme destes profissionais da indústria cinematográfica. Segundo um seleto grupo formado por cinco respeitáveis críticos de cinema – Rubens Ewald Filho, Rodrigo Fonseca, Roberto Sadovsky, Marcelo Janot e Pedro Butcher –, os dez cineastas listados a seguir podem ser considerados os mais talentosos e promissores da nova geração.
 
Cinco deles são brasileiros, como o pernambucano Hilton Lacerda, 48 anos, que levou para casa o Kikito de melhor filme no Festival de Gramado deste ano por Tatuagem. Os outros cinco são estrangeiros, como o catalão Amat Escalante, 34 anos, que ganhou o prêmio de melhor diretor no último Festival de Cannes por Heli.
 
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1. NEILL BLOMKAMP (JOHANESBURGO, 1979)

Nascido na África do Sul e radicado nos Estados Unidos, Blomkamp estreou à frente de longas-metragens em 2009, quando escreveu e dirigiu o sci-fi Distrito 9. Sob as bênçãos do produtor neozelandês Peter Jackson, o filme recebeu quatro indicações ao Oscar. Em seu segundo longa, Elysium, o diretor recorreu a uma superprodução futurista para discutir temas como conflito de classes e exclusão social. “Mesmo quando narra uma história fantástica, não desgruda o olho do fator humano”, elogia o crítico de cinema Roberto Sadovksy, do site UOL.

 
2. BRUNO SAFADI (RIO DE JANEIRO, 1980)

Assistente de direção de Júlio Bressane em Filme de Amor e Cleópatra, Safadi já dirigiu de tudo: de curtas-metragens a videoclipes, de shows a peças de teatro. Estreou como diretor de longas em 2002, quando filmou Meu Nome é Dindi, lançado cinco anos depois. “Por filmes como Meu Nome é Dindi e Éden, estabeleceu-se como referência de realfabetização narrativa do cinema, a partir de uma reflexão sobre a desatenção política aos problemas do país”, observa o jornalista e crítico de cinema Rodrigo Fonseca, do jornal O Globo.

 
Bruno Safadi dirige Leandra Leal e Júlio Andrade no set de Éden
 
3. GARETH EVANS (HIRWAUN, 1980)
 
Para quem curtiu Operação: Invasão, filme que narra o ataque de uma equipe da SWAT ao quartel-general de um cartel de drogas em Jacarta (Indonésia), uma boa notícia: o diretor galês Gareth Evans já está dirigindo sua continuação. Em ritmo alucinante de videogame, o longa usa e abusa de cenas de luta, principalmente de pencak silat, uma arte marcial típica da Indonésia, onde Evans mora. “O cara é talentosíssimo”, garante Sadovsky. “Com recursos zero, conseguiu fazer um dos grandes filmes de ação modernos”, elege o crítico do UOL.
 
Gareth Evans dirige Iko Uwais na continuação de Operação: Invasão
 
4. ANTÔNIO CAMPOS (NOVA YORK, 1983)
 
Filho do jornalista Lucas Mendes, um dos apresentadores do "Manhattan Connection", Campos estreou como diretor de longas em 2008. “Afterschool é um impactante estudo psicológico sobre o comportamento escolar da geração You Tube”, descreve o crítico de cinema Marcelo Janot, do canal Telecine. Em 2011, produziu o thriller Martha Marcy May Marline, sobre uma jovem que luta para se livrar das influências de uma seita obscura. O filme ganhou o prêmio de melhor direção em Sundance para Sean Durkin.
 
Antônio Campos e o elenco de Afterschool, seu primeiro longa-metragem
 
5. JEFF NICHOLS (ARKANSAS, 1978)
 
Com inegável referência à literatura de Mark Twain, Amor Bandido conta a história de dois adolescentes do Mississippi (Estados Unidos) que ajudam um fugitivo da lei (Matthew McConaughey) a escapar dos caçadores de recompensa e a reencontrar a namorada (Reese Witherspoon). Este, que é o terceiro filme da carreira de Nichols, concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2012. “Ele tem uma carpintaria narrativa capaz de dar conta das complexidades sociais e visuais do interior dos Estados Unidos”, elogia Fonseca.
 
Matthew McConaughey interpreta um foragido da lei em filme de Jeff Nichols
 
6. KLEBER MENDONÇA FILHO (RECIFE, 1968)
 
Da nova geração, o editor do portal Filme B Pedro Butcher aponta o diretor e roteirista pernambucano como um dos mais talentosos. “Ele tem um olhar bastante original e um raro domínio da linguagem cinematográfica”, elogia o jornalista e crítico de cinema. No currículo, coleciona, entre outros, o prêmio de melhor filme, roteiro e diretor no Festival de Brasília pelo curta-metragem Recife Frio, de 2009, e o prêmio de melhor filme e diretor pelo júri popular no Festival de Gramado pelo longa O Som ao Redor, de 2012.
 
7. AMAT ESCALANTE (BARCELONA, 1979)

“Porta-voz das cicatrizes morais de seu país”. É assim que o jornalista e crítico de cinema do jornal O Globo refere-se ao cineasta catalão. Nascido na Espanha e radicado no México, Escalante levou para casa o prêmio de melhor diretor no último Festival de Cannes. Única produção latino-americana na competição oficial, Heli expõe o olhar contundente do diretor sobre o México atual através da história de uma família que se desintegra após ser obrigada a conviver com a violência do narcotráfico e a corrupção da polícia.

 
Heli, de Amat Escalante, venceu o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes
 
8. HILTON LACERDA (RECIFE, 1965)
 
Estreou como roteirista em 1997, quando escreveu Baile Perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas. Desde então, assinou Amarelo Manga, Árido Movie e O Baixio das Bestas. “Foi o roteirista de todos os filmes pernambucanos mais importantes do período”, frisa o crítico Rubens Ewald Filho, do canal TNT. Tatuagem, que marca sua estreia como diretor de longas, levou o Kikito de melhor filme em Gramado. Nele, Lacerda conta a história de amor entre um recruta do exército brasileiro e o líder de uma trupe teatral em plena ditadura militar.
 
9. XAVIER DOLAN (MONTREAL, 1989)
 
Com apenas 24 anos, Xavier Dolan já é apontado como uma das maiores promessas do cinema contemporâneo. Seu mais recente trabalho Tom à la Ferme, sobre a relação de um publicitário com a família de seu namorado morto, pode não ter levado o Leão de Ouro, mas foi ovacionado em Veneza (Itália). Precoce, o diretor e roteirista de Eu Matei Minha Mãe, Amores Imaginários e Lawrence Anyways já entrou para a história de Cannes apenas por ter sido o mais jovem cineasta já selecionado para a competição oficial nos quase 70 anos em que o festival é realizado. 
 
Xavier Dolan, Niels Schneider e Monia Chokri no set de Amores Imaginários
 
10. PAULO HENRIQUE FONTENELLE (RIO DE JANEIRO, 1970)
 
O que o músico Arnaldo Baptista, o ex-presidente João Goulart e a cantora Cássia Eller têm em comum? Fácil. Todos eles já foram retratados pelas lentes de Fontenelle. “Seus retratos biográficos são capazes de exponenciar as qualidades individuais de seus personagens e gerar conexões com sintomas da crise simbólica do Brasil”, enaltece Fonseca, jornalista de O Globo. Só Loki, a cinebiografia do líder dos Mutantes, ganhou mais de dez prêmios em festivais do Rio, São Paulo, Miami, Toronto e Nova York.
 
Trailer de Amor Bandido, de Jeff Nichols:
 

 
Trailer de O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho:
 

 
Trailer de Heli, do Amat Escalante:
 

 
 
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