Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 24.05.2013 24.05.2013

DEZ curiosidades sobre “Blowin’ in the Wind”

Por André Bernardo
 
Bob Dylan não precisou de mais do que 10 minutos para criar “Blowin’ in the Wind”. Composta em abril de 1962 e gravada um ano depois, a canção é de uma simplicidade desconcertante. São apenas três acordes, nove versos e muitas indagações.
Mais do que dar respostas fáceis, o cantor queria propor discussões incômodas. “Alguns dos maiores criminosos são aqueles que viram as costas quando veem algo errado”, sentenciou Dylan no encarte do álbum The Freewhelin’ Bob Dylan.
Não por acaso, “Blowin’ in the Wind” ganhou status de hino do movimento dos direitos civis nos EUA e tornou-se a canção mais gravada do vasto repertório do cantor. Até o senador Eduardo Suplicy já se arriscou a entoá-la em uma das sessões do Congresso Nacional, em Brasília. 
Leia algumas curiosidades sobre o hit:
1. NA MESA DO BAR
 
A música “Blowin’ in the Wind” foi composta em inacreditáveis 10 minutos, no dia 9 de abril de 1962, no The Commons, em Greenwich Village, em frente ao Gaslight Club, uma casa noturna de Nova Iorque. Embora achasse a música especial, Dylan não atribuía maior importância a ela. “Foi só mais uma que compus”, declarou, segundo Howard Sounes, autor de Dylan – A Biografia.
2. FONTE DE INSPIRAÇÃO
 
A inspiração para compor “Blowin’ in the Wind” surgiu após uma discussão sobre política. Dylan dizia que testemunhar uma injustiça e não fazer nada para impedi-la é a mesma coisa que cometê-la. “A ideia veio a mim de que você é traído por seu silêncio, de que todos nós nos EUA, que não nos manifestávamos, estávamos sendo traídos por ele”, afirmou mais tarde, segundo Nigel Williamson, autor de O Guia do Bob Dylan.
3. TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
 
Bob Dylan chegou a ser acusado de plágio pelo músico Lorre Wyatt, que declarou ter escrito uma música chamada “Freedom is Blowing in the Wind”. A alegação de plágio só foi refutada por completo em 1974, quando Wyatt admitiu à revista New Times que tudo não passara de um mal-entendido.
4. QUEM É GIL TURNER?
 
Curiosamente, Dylan não foi o primeiro a tocar “Blowin’ in the Wind” em público. Depois de escrevê-la, mostrou sua música ao cantor folk Gil Turner, que pediu a Dylan que lhe ensinasse a tocá-la. Na noite do dia 9 de abril de 1962, Turner tocou “Blowin’ in the Wind” no Gerde’s Folk City, em Nova Iorque, com a letra colada ao microfone.
5. PALCO OU PALANQUE?
 
Bob Dylan só veio a cantar “Blowin’ in the Wind” ao vivo no dia 16 de abril de 1962, no Gerde’s Folk City. Antes de entoar a música, explicou ao público que não se tratava de “uma canção de protesto”. Desde então, não parou mais de cantá-la. Até hoje, foram 1.147 vezes. “Blowin’ in the Wind” é a quinta música mais executada do repertório do cantor, atrás somente de “Tangled up in Blue” (1.293), “Highway 61 Revisited” (1.780), “Like a Rolling Stone” (2.009) e a campeoníssima “All Along the Watchtower” (2.120).
6. CANÇÃO DE ESCRAVOS
 
A letra é original, mas a melodia, nem tanto. Dylan foi buscar inspiração em uma antiga canção spiritual afro-americana, “No More Auction Block”. Em 1985, Dylan incluiu sua versão para essa música na coletânea Biograph.
 
7. A PREFERIDA DOS “COVERS”
 
“Blowin’ in the Wind” é a música mais gravada de Bob Dylan. O primeiro grupo a fazer sucesso com ela foi o trio folk Peter, Paul & Mary. Na época, a gravação chegou ao segundo lugar da Billboard. Ao longo da história, a música foi gravada, entre outros, por Bee Gees, Bruce Springsteen, Duke Ellington, Elvis Presley, Etta James, Neil Young, Sam Cooke, Stevie Wonder, The Hollies e U2. No Brasil, foi revisitada por Diana Pequeno e Zé Ramalho.
 
Durante as gravações do álbum The Freewhelin' Bob Dylan, o cantor calcula ter composto mais de cem músicas

8. GÊNIO PRECOCE

 
Bob Dylan gravou “Blowin’ in the Wind” em 9 de julho de 1962, mas o álbum The Freewheelin’ Bob Dylan só foi lançado em 27 de maio de 1963. Dylan levou um ano inteiro para gravar as 13 faixas do disco. Nesse período, calcula ter composto mais de uma centena de canções. Segundo Daniel Mark Epstein, autor de A Balada de Bob Dylan, o cantor “temia dormir à noite com medo de que uma delas lhe escapasse”. Além de “Blowin’ in the Wind”, “Girl from the North Country”, “Masters of War”, “A Hard Rain’s A-Gonna Fall” e “Don’t Think Twice, It’s All Right”, todas desse álbum, viraram clássicos indiscutíveis. Detalhe: na ocasião, Bob Dylan tinha apenas 21 anos de idade.  
9. EM OCASIÕES ESPECIAIS
 
Bob Dylan gosta de cantar “Blowin’ in the Wind” em eventos importantes. Como a Marcha de Washington, organizada por Martin Luther King no dia 28 de agosto de 1963. A canção foi ouvida também no Concerto para Bangladesh, promovido pelo ex-beatle George Harrison, no dia 1º de agosto de 1971, e no Live Aid, organizado por Bob Geldof, em 13 de julho de 1985.
10. FAZEDOR DE CLÁSSICOS
 
“Blowin’ in the Wind” figura no 14º lugar da lista das “500 Maiores Músicas de Todos os Tempos” da revista norte-americana Rolling Stone. Por coincidência, a música que ocupa o primeiríssimo lugar é “Like a Rolling Stone”, também escrita por Bob Dylan. Das 500 canções selecionadas, 13 são dele.
 
 
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