Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Outros 24.03.2014 24.03.2014

DEZ características dos musicais de Jorge Takla

Por Diego Garcia Bem
 
Com mais de 70 peças no currículo, incluindo musicais e óperas, atuação, iluminação, cenografia, figurinos e direção, o libanês Jorge Philippe Takla é um dos principais nomes do teatro brasileiro contemporâneo. Ele é responsável pela vinda de grandes espetáculos musicais da Broadway para o Brasil, como “My Fair Lady”, “West Side Story”, “O Rei e Eu” e “Evita”.
No dia 14 deste mês, estreou seu novo musical: “Jesus Cristo Superstar”, no teatro do Complexo Ohtake Cultural, em São Paulo. 
A polêmica ópera-rock do início dos anos 70 conta a história da última semana de vida de Jesus, desde sua chegada a Jerusalém até a crucificação. A peça mostra Cristo, Judas Iscariotes e Maria Madalena sob uma ótica humana e aborda os conflitos políticos, religiosos e pessoais que transpõem o tempo e fazem parte dos dias atuais.
Para apresentar um pouco mais do trabalho do diretor e mostrar o que o leitor poderá esperar da grandiosidade desse novo espetáculo, o SaraivaConteúdo conversou com profissionais da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Vinício Angelici, colaborador da revista Stravaganza, e Miguel Arcanjo Prado, editor de cultura do portal R7, enumeraram DEZ características que você pode ver nos musicais de Takla.
Confira o making off de Jesus Cristo Superstar:
 
 
1. CENÁRIOS PRIMOROSOS
Takla é responsável pela maioria das cenografias de seus musicais. Miguel explica que ele imprime as características da peça no cenário, que se encaixa com a proposta do espetáculo. Em “Jesus Cristo Superstar”, o cenário é dividido com Paulo Correa. Eles transpõem a cena hippie e ditatorial da versão original para as manifestações e protestos estudantis de rua, o que torna a montagem musical moderna e atemporal.
2. VERSATILIDADE
Além de dirigir, Jorge Takla é cenógrafo, produtor, figurinista e iluminador. Funções que aprendeu na Escola de Belas Artes e no Conservatório Nacional de Arte Dramática, em Paris. O trabalho com Bob Wilson também espelha os musicais que projeta. Ele herdou a versatilidade e a vanguarda do renomado encenador estadunidense. “O resultado é um grande espetáculo que atinge o público por meio dos olhos, som e sentidos”, afirma o crítico do R7.
3. PRECISÃO TÉCNICA
“Musicais seguem uma fórmula”, diz Arcanjo. Takla é fiel à precisão técnica da Broadway; porém, dá liberdade na encenação dos atores, extraindo as particularidades de cada um para enriquecer a dramatização dos personagens. “Ele abre mão da ‘obsessão pela técnica’ de forma sutil, valorizando a individualidade de cada um, e insere brasilidade na atuação”, explica o crítico, que cita como exemplo as atuações dos protagonistas de “My Fair Lady”, em 2007.
 
4. ADAPTAÇÕES DE GRANDES TEXTOS INTERNACIONAIS
Com grande experiência no teatro internacional, o diretor foi um dos precursores dos musicais no Brasil e, de acordo com Vinício, um dos principais responsáveis pelo “boom” do gênero no País. “Ele aposta em textos que foram sucesso lá fora”, explica Miguel. Takla dirigiu grandes adaptações brasileiras de sucessos da Broadway como “Cabaret”, “My Fair Lady”, “West Side Story”,“O Rei e Eu” e “Evita”.
5. PREPARAÇÃO CUIDADOSA DOS ATORES
Para Arcanjo, a forma como os atores se expressam por meio das palavras, gestos e expressões faciais é muito bem trabalhada pelo diretor e convence o espectador até em cenas mais dramáticas. Angelici cita como exemplos as atuações de Paula Capovilla, em “Evita”, que “interpretou a personagem-título com emoção e intensidade”, e de Cláudia Netto em “O Rei e Eu”. “Ela ofereceu uma performance arrebatadora, dosando autoridade e ternura”.
 
                                                                                                                                 João Caldas
Cenas dos musicais West Side Story e Evita, ambas produções de Takla
6. REQUINTE E SOFISTICAÇÃO
A atenção que confere a seus musicais, na direção, cenário, luz, som e figurinos, resulta em peças sofisticadas e requintadas, como explica Vinício. “Em ‘O Rei e Eu’, o público ficava inebriado pela cenografia composta de telões inspirados no Sião do século 19 e pelos figurinos coloridos, um mix de elementos orientais e ocidentais”. Ele afirma que a versão brasileira foi superior à montagem do mesmo texto que ele assistiu em 1996, na Broadway.
7. ELENCO AFINADO
Os musicais de Jorge Takla mesclam artistas renomados e nomes desconhecidos. Miguel Arcanjo explica que o diretor não tem uma “turma”, e a escolha do elenco é feita por testes. Ele cita o trabalho da atriz Amanda Acosta, protagonista de “My Fair Lady”. “Ela era uma ex-cantora infantil e ganhou respeito após sua atuação nesse musical”. Em “Jesus Cristo Superstar”, a novidade é a participação da cantora Negra Li, estreante nos palcos.
8. LINGUAGEM MODERNA
Faz parte das características de Takla a transposição dos musicais que dirige para os tempos atuais. Ele se permite fazer alterações nas linguagens, cenários e figurinos para gerar maior identidade com o espectador e trazer para o texto problemáticas da vida moderna. Em seu novo espetáculo, por exemplo, ele troca os hippies dos anos 70 por estudantes revoltados do século XXI.
 
9. OUSADIA
Takla é ousado. Miguel afirma que o artista não tem que ter medo de arriscar. “Ele não é funcional e imprime sua visão nos espetáculos que dirige”. Vinício diz que o diretor teve de vender um apartamento para bancar o musical “O Rei e Eu”, que não obteve patrocínio. Em “Jesus Cristo Superstar”, ele enfrentou protestos antes da estreia do musical. O texto tornou-se polêmico por mudar a história sobre o líder da religião cristã.
10. ROCK’N’ROLL
Para Jorge Takla, o rock’n’roll é uma música libertadora. Não é à toa que o estilo musical permeia algumas de suas peças desde seu primeiro espetáculo, de 1984, “O Segredo da Alma de Ouro”, passando por “Evita” e agora em “Jesus Cristo Superstar”. Nessa ópera-rock, os sentimentos diversos de Jesus, Judas e Maria Madalena são expressos pelo rock.
 
                                                                                                                       João Caldas
O diretor Jorge Takla, que já é considerado o precursor dos musicais no Brasil
Igor Rickli vive Jesus Cristo no novo musical de Jorge Takla
 
 
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