Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 02.08.2013 02.08.2013

Dez anos após sua morte, rapper Sabotage ganha biografia

Por Andréia Martins
 
O escritor paulistano Toni C. levou dez anos para concluir um projeto que considera um de seus principais trabalhos: contar a história de Mauro Matheus dos Santos, mais conhecido como Sabotage.
Depois de algumas coincidências que colocaram o assunto ‘Sabotage’ no caminho de Toni, ele decidiu falar com o cantor Rappin Hood, velho amigo do rapper, para fazer a ponte com a família sobre o livro. “Pedi para ele fazer a ponte porque eu tinha interesse em fazer isso em conjunto com a família. Eu só queria fazer da maneira que a família participasse”, diz Toni ao SaraivaConteúdo.
O autor acaba de lançar Sabotage – Um Bom Lugar, título que faz referência a uma das músicas do rapper. A ligação de Toni C. com o mundo do hip hop (ele é autor de livros e documentários sobre a cena) facilitou a relação com a família de Sabotage. “Eles tinham interesse, era uma ideia antiga, mas não tinha aparecido ninguém com tanto vínculo para contar essa história”, conta Toni.
O rapper morreu em janeiro de 2003, em São Paulo, aos 29 anos. Sabotage havia deixado a mulher no trabalho e partia para o aeroporto onde pegaria um voo para Porto Alegre (RS). Ele era um dos nomes confirmados para o Fórum Social Mundial. Sabotage nunca chegou ao aeroporto. Foi morto com cinco tiros, dentro do carro. 
Da apresentação da ideia à família ao livro finalizado foram quase dez anos. Isso porque Toni seguiu seus projetos enquanto vasculhava a vida do rapper, até retomar a produção do livro. Falou com amigos, familiares, parceiros musicais e pessoas que trabalharam com ele. Durante a pesquisa, uma das dificuldades encontradas pelo autor foi o acesso aos documentos do processo.
“Quando você vai falar com as pessoas sobre o Sabotage, todo mundo quer falar, porque todo mundo gostava dele. Mas o difícil é documentar. Levou um ano para conseguir os autos do processo, que é um documento público”, conta Toni que, dividindo o tempo entre o trabalho e os debates sobre hip hop, escreveu o livro de 344 páginas em um ano, nas madrugadas. “Foi uma produção intensa, todo o resto ficou secundário”, ele diz.
 
O rapper Sabotage

Além do livro, no ano em que se completam dez anos de sua morte, Sabotage ainda será homenageado no cinema e na música. O disco póstumo Canão Foi Tão Bom tem produção de Daniel Ganjaman, Tejo Damasceno e Rica Amabis (criadores da banda Instituto). O álbum seria o segundo da carreira de Sabotage, que já tinha gravado todas as músicas quando morreu. Seu primeiro e único disco até hoje, Rap é Compromisso, é considerado um clássico do rap nacional.

No cinema, uma ficção ainda em pré-produção deve levar a história do rapper para a grande tela, enquanto o documentário Sabotage – O Maestro do Canão já está finalizado e usa o depoimento de pessoas próximas ao rapper para relembrar sua história. O filme tem lançamento previsto para o segundo semestre de 2013.
Assista ao teaser do documentário Sabotage – O Maestro do Canão
 
Além do disco e de inúmeras parcerias, Sabotage também teve uma carreira curta, mas de destaque no cinema. Integrou o elenco dos filmes O Invasor (2001), de Beto Brant, em que trabalhou com o titã Paulo Miklos, e Carandiru (2003), de Hector Babenco. Este último, ele não teve oportunidade de assistir, pois a estreia aconteceu duas semanas depois de sua morte. Uma das cenas mais célebres do filme é a de Sabotage beijando o bumbum de Rita Cadillac.
“Essa cena é uma cena ícone do cinema moderno. Que outro rapper faria isso? Não ficou depravado nem superficial. Ficou a cara do Sabotage”, comenta Toni.
Para o autor da biografia, a rápida jornada de sucesso de Sabotage, que em apenas dois anos sacudiu o universo do rap e da música brasileira com parcerias com Sepultura, Charlie Brown Jr., entre outros rappers, e ainda fez dois filmes, ainda não pôde ser digerida. Essa rápida ascensão e morte inesperada é muitas vezes comparada à vida de rappers americanos, como Tupac Shakur.
“Dez anos talvez seja pouco para perceber. Assim como o Chico Science e os Mamonas Assassinas, eles modificaram tudo por onde passaram, modificaram gêneros. Mas ainda não dá para absorver tudo o que ele fez”. Uma delas foi deixar bem claro que “rap é compromisso, não é viagem”.
 
Capa da biografia Sabotage, Um Bom Lugar
 
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