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‘Deus da Carnificina’: do texto para a peça, dos palcos para os cinemas

Por Thaís Ferreira
Uma atriz que escreve para atores. Assim pode ser definido o estilo da francesa Yasmina Reza. Antes de se dedicar à criação, ela dava vida aos personagens e, por isso, seus textos privilegiam uma intepretação intensa. Para tal efeito, seu currículo é formado por obras que partem de situações banais do cotidiano para expor as partes mais problemáticas dos indivíduos.
Para a autora, o ser humano se protege com uma máscara social e, por detrás dela, se esconde a selvageria, que acompanha a humanidades desde os primórdios, sempre pronta para ser exposta. É um teatro de tensão, sem excluir, no entanto, o humor como parte essencial. Situações trágicas que nascem do cômico e vice-versa.
Entre os textos de Reza, um se tornou o maior representante de seu estilo: Deus da Carnificina. A história narra o encontro de dois casais que se reúnem para discutir a briga de seus filhos, que resultou em uma agressão física. A educação inicial dos envolvidos se transforma em troca de ofensas e mostra que mesmo os aparentemente civilizados escondem uma barbárie interior.
Escrita em 2006, a obra foi encenada pelo mundo. A primeira montagem foi em Zurique, seguida de Paris e Londres.
Nos palcos da Big Apple
Após o sucesso nos palcos europeus, a consagração aconteceu na Broadway. O texto, adaptado da versão inglesa, estreou em março de 2009 para uma temporada de cinco meses, mas permaneceu até junho de 2010 em cartaz.
No elenco, nomes reconhecidos pelo grande público como Jeff Daniels (de Debi&Lóide – Dois Idiotas em Apuros), Hope Davis (de Gigantes de Aço), James Gandolfini (do seriado Família Soprano) e Marcia Gay Harden (de Na Natureza Selvagem).
O espetáculo rendeu duas estatuetas do Tony Awards (o principal prêmio do gênero nos Estados Unidos): de melhor atriz para Marcia Gay Harden e de melhor peça.
 
Deus da Carnificina:em terras tupiniquins
“O texto apropria-se de situações corriqueiras e mundanas e nos devolve toda uma discussão sobre questões da sociedade e do mundo contemporâneo”, reflete Emílio de Mello, diretor da versão brasileira. 
No Brasil, para esclarecer o nome enigmático e sombrio, a peça ganhou o subtítulo de 'Uma comédia sem juízo’. Com elenco de peso, formado por Deborah Evelyn, Julia Lemmertz, Orã Figueiredo e Paulo Betti, a encenação levou prêmios da APTR e do Prêmio Quem, ambos de melhor atriz para Julia Lemmertz.
 
A obra está em cartaz há mais de um ano e passou por diversas capitais, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. Atualmente, a montagem percorre o interior do estado de São Paulo.
 
Cena da adaptação brasileira com Deborah Evelyn e Orã Figueiredo
A versão de Polanski
Para os que perderam a versão brasileira nos palcos, o trabalho de Reza pode ser visto nos cinemas. O filme tem direção de Roman Polanski, premiado com o Oscar e com a Palma de Ouro por O Pianista.
Assim como as adaptações no teatro, a produção conta um elenco consagrado: Kate Winslet (vencedora do Oscar por O Leitor), Christoph Waltz (de Bastardos Inglórios), John C. Reilly (de Chicago) e Jodie Foster (premiada por O Silêncio dos Inocentes). O próprio Polanski e seu filho Elvis Polanski fazem participações na história.
O longa estreou em 2011 no circuito internacional e ganhou o Pequeno Leão de Ouro no Festival de Veneza.
 
Assista ao trailer de Deus da Carnificina:
 
 
 
 
 
Mais um texto de Yasmina Reza…
 
Está em cartaz no Teatro Leblon, no Rio de Janeiro, a peça Arte, com direção de Emílio de Mello, mesmo diretor da versão brasileira de Deus da Carnificina. O texto também é da francesa Yasmina Reza. A peça conta a história de três grandes amigos que têm sua relação abalada quando um deles compra um quadro aparentemente em branco.
 
Arte foi escrita em 1994 e adaptada para filmes de televisão em Portugal, Suécia, Alemanha e França.
 
 
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