Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 24.05.2012 24.05.2012

Depois dos palcos, as histórias de frustrações e paixões de ‘Música Para Cortar os Pulsos’ são lançadas em livro

Por Andréia Silva
Quantas canções de amor a sua história já colecionou? Quando chegou aos palcos, primeiro em São Paulo, 'Música Para Cortar os Pulsos' tinha na musicalidade uma forte aliada.
 
A peça, primeiro texto para o teatro do diretor de cinema e TV Rafael Gomes (um dos diretores de Tapa na Pantera e autor do projeto Música de Bolso), apresenta os universos particulares de três jovens em torno dos 20 anos: Isabela, Ricardo e Felipe.
Felipe (interpretado nos palcos primeiro por Kauê Telloli e depois Felipe Lucindo) ficou com Isabela (vivida por Mayara Constantino no teatro), que era melhor amiga de Ricardo (Victor Mendes e Guilherme Gorski), que virou amigo de Felipe, que se apaixonou por Isabela, que tinha terminado um namoro, mas sonhava com Ricardo, que já tinha um namorado, mas se apaixonou por Felipe, que não conseguiu mais nada com Isabela.
Com estrutura de monólogos intercalados, a tríade vai pouco a pouco desfolhando seus sentimentos íntimos, anseios, frustrações, dúvidas, tudo ao som das melhores trilhas para embalar uma paixão.
 
A de Roberto Carlos ao rock oitentista do The Cure e Smiths, passando ainda por Beatles, Caetano Veloso, Chico Buarque, o sertanejo de Leandro e Leonardo (com a clássica “Entre Tapas e Beijos”), Los Hermanos, Little Joy, entre outros. 
Agora, a história sai dos palcos, onde continua viajando pelo país, e chega às livrarias pela editora LeYa, no livro Música Para Cortar os Pulsos . São dez capítulos que exploram a vida do trio amoroso, citando também, em versos, os trechos das músicas cantadas nos palcos.
 
Publicar a peça não estava nos planos, revela Gomes, que desde o início já tinha a ideia de adaptá-la para o cinema. Ele conta que o livro “é uma consequência direta dos pedidos das pessoas de, ao fim das sessões, quererem levar o texto para casa”.
 
“Em uma temporada que fizemos em São Paulo em agosto do ano passado, resolvi fazer um teste e imprimi algumas cópias caseiras, colocando-as à venda todas as noites. Foi um sucesso. Ali ficou claro que a ideia vingaria", conta Gomes ao SaraivaConteúdo.
“Eu estava ferrado, jogado na sarjeta e jurei que ia me apaixonar pela primeira pessoa que cruzasse meu caminho, fosse um homem ou uma mulher. Passou um travesti. E passou me zoando. Eu joguei uma garrafa de cerveja nele, ou nela, que não foi muito longe, quebrando perto de mim. Eu me desequilibrei e caí e cortei o pulso. Cortei o braço, bem perto dos pulsos. O nome disso é ironia”, diz um dos trechos do livro, onde fica clara a situação de desilusão, de arriscar e de solidão, em determinado momentos desses personagens.
 
Para o diretor e escritor, esse registro tem grande significado. "Todos os textos inéditos escritos para a cena que encontrassem alguma repercussão ou sucesso deveriam, na minha opinião, ser publicados.
 
 
 
Essa me parece a grande questão de publicar um livro de teatro, de forma geral. Existe ali um valor de pesquisa e documentação – além, é claro, no caso do Música…, desse valor afetivo imenso que as pessoas encontraram nas palavras e na história".
 
Com relação ao filme, o diretor e autor diz que não abandonou a ideia, mas que “vai acontecer ao seu tempo”, até porque ele deixa em aberto o que mais essa história de amor pode inspirar.
 
"Pode virar uma série de TV, um segundo livro, dessa vez em formato 'romance'… Enquanto estivermos no terreno da dramaturgia, tudo é possível".
 
Curiosamente, mesmo trabalhando muito com o universo musical, Gomes se diz um músico frustrado. “Não toco em nenhuma banda e acho que sou um músico frustrado. Brinco com o violão, mas não sei nada formal sobre música. Mas a música, até por ser essa arte de uma compreensão mais abstrata e instintiva, tem um poder imenso de comoção, que não me larga (e nem acho que jamais largará). Então eu vou sendo ‘músico’ através dos filmes, das peças, dos textos e até mesmo dos shows que dirijo”, conta ele.
 
Para quem ainda não assistiu à peça, em julho há ainda a possibilidade de o espetáculo participar de um grande festival, o que Gomes ainda não confirma, e em setembro eles retornam aos palcos de São Paulo.
 
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