Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 24.02.2011 24.02.2011

Deborah Secco na pele de Bruna Surfistinha

Por Bruno Dorigatti
Fotos de Tomás Rangel

O enredo é conhecido por muitos: filhaadotiva, ela sai da casa de classe média alta depois de muitas brigas com ospais e o irmão e, para ganhar dinheiro, vai se prostituir em uma casa do ramo,em São Paulo. Em poucos anos, troca a clientela variada e sortida, a companhiadas colegas de trabalho e a cafetina para dedicar-se aos clientes endinheirados.Cria um blog para narrar suas aventuras com eles, dar notas e comentar asperformances de cada um. Não demorou muito para que se tornasse conhecida paísafora, uma celebridade mesmo surgida na web. Aproveitou seus minutos, naverdade, anos de sucesso, se deslumbrou com eles, afundou-se na drogas, masconseguiu sair dessa. Depois largaria a chamada profissão mais antiga doplaneta, escreveria um livro narrando a sua tortuosa trajetória e alcançaria ostatus de best-seller. Agora, suahistória chega aos cinemas. 

No papel principal, Deborah Secco em seuprimeiro longa-metragem como protagonista interpreta Raquel Pacheco, que viriaa se tornar Bruna Surfistinha. O filme, dirigido por Marcus Baldini (foto abaixo) em seuprimeiro longa-metragem, estreia nesta sexta, 25 de fevereiro, com 315 cópiasem todo o país, maciça campanha publicitária e a intenção de repetir o sucessode O doce veneno do escorpião (PandaBooks, 2005), que, em cinco anos, vendeu 250 mil cópias, além de ser traduzidoem 15 idiomas. Bruna Surfistinha nãoprocura julgar a personagem, mas apresentar a suatrajetória, entre as dificuldades, alegrias e a redenção que alcança, semglamourizar nem abordar de forma moralista a opção que Raquel fez para a suavida. “No meio daquela confusão toda, de sensualidade, interesse midiático queela despertava nas pessoas, existia por baixo uma menina que me parecia tímidae procurava se encontrar como garota de programa. Isso me interessou para fazerum filme”, conta Baldini. 

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Além de Deborah, cuja interpretação é umdos pontos altos, participam do longa Drica Moraes, no papel da cafetina dolocal onde Raquel passa a morar e trabalhar, Fabíula Nascimento, como uma dasprostitutas que dividem o espaço e os clientes com ela, e Cássio Gabus Mendes, interpretandoum cliente que tenta tirá-la desta vida. As cenas de sexo são abundantes, porémmuito sutis, nada exibicionistas. São dezenas de clientes que vemos com Deborah,ainda que em cenas de poucos segundos, mas que passam a ideia do número elevadode programas que uma profissional encara e das situações nada agradáveis quetem que se submeter. 

“Não chorei, não pedi para parar, não voltei correndo paracasa. Mas aquela Raquel que eu era tinha acabado”, a personagem diz enquantoacompanhamos seu primeiro programa. O filme acompanha sua vida em quatromomentos: primeiro, entre o colégio e a casa dos pais, na adolescência;depois, virando Bruna, na casa onde começa a fazer programas; na sequência, oauge, quando se torna Bruna Surfistinha e alcança o sucesso; e, por fim, odeslumbre e a decadência com o abuso das drogas, as más companhias, o fundo dopoço, voltando a fazer programas por preços ínfimos. 

“A maior preocupação era contar umahistória sem julgar. As cenas mais ousadas talvez sejam as minhas preferidas,porque mostram exatamente a dor, o sofrimento, a humilhação. Acho que isso énecessário, faz parte da história, senão seria uma fábula”, afirma a atriz. ParaDeborah, as semelhanças com Raquel estão no fato também de nunca ter sido agarota mais popular do colégio. Mas o filme fala às mulheres, toca em problemasque permeiam sua condição. “Acho que a identificação com a Bruna Surfistinha épela busca que nós, mulheres, temos por sermos aceitas, amadas, essa vontade deque um homem nos acolha, nos escolha”, finaliza.

> Assista à entrevista exclusiva de Deborah Secco e Marcus Baldini ao SaraivaConteúdo e confira o trailer de Bruna Surfistinha

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