Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 28.11.2012 28.11.2012

De volta às origens: a onda dos “prequels” no cinema

Por André Bernardo
 
A palavra “prequel” pode até não constar nos dicionários de Língua Inglesa, mas tem sido uma das mais proferidas, nos últimos tempos, em Hollywood. Desde 1999, quando o cineasta George Lucas resolveu narrar a infância de Darth Vader – o alter-ego de Anakin Skywalker, o pai de Luke – no filme Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma, produtores descobriram um novo (e rentável) filão cinematográfico. Combinação das palavras “pre” (antes) e “sequel” (sequência), “prequel” é o nome dado a todo e qualquer filme de uma franquia que conte a gênese da história original.
 
No caso de A Ameaça Fantasma, explica como teve início a saga de Luke, Leia, Han Solo & Cia. “O cinema virou uma marca. Sucessos puxam outros para um público cada vez mais receoso de experimentar o novo. Se o filme original não deixou pontas para uma sequência, aposta-se na origem”, analisa Érico Borgo, editor do site Omelete e coautor do Almanaque do Cinema. 
 
O mais recente prequel a invadir as salas de cinema é O Hobbit, escrito e dirigido por Peter Jackson a partir do romance do escritor sul-africano naturalizado britânico J. R. R. Tolkien. Publicado há exatos 75 anos, no dia 21 de setembro de 1937, O Hobbit antecede a saga narrada em O Senhor dos Anéis e conta a história de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), um hobbit que, a pedido do mago Gandalf (Ian McKellen), sai em busca de um tesouro roubado pelo dragão Smaug.
 
'Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma'
 
A exemplo do que aconteceu com O Senhor dos Anéis, franquia que faturou cerca de 3 bilhões de dólares e, ainda, conquistou 17 dos 30 Oscars disputados, O Hobbit também vai virar trilogia. A primeira parte, O Hobbit – Uma Jornada Inesperada, chega à telona no próximo dia 14 de dezembro. A segunda, A Desolação de Smaug, está prevista para estrear no dia 13 de dezembro de 2013, e a última, Lá e de Volta Outra Vez, no dia 18 de julho de 2014. 
 
Cena de 'O Hobbit'
 
A lista das produções que devem ganhar prequels nos próximos anos é extensa e inclui 300, de Zack Snyder; Eu Sou a Lenda, de Francis Lawrence; e Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino. Até James Cameron, o elogiado diretor de Titanic, avisou que o quarto filme da série Avatar será um prequel. Em recente entrevista ao site da MTV, ele disse que a ideia é mostrar as primeiras expedições a Pandora, mostrar o que deu errado por lá entre humanos e Na’vi e explorar como era a vida no planeta onde se passa a história. Já o jornal britânico The Guardian dá como certo o prequel do filme O Iluminado, de Stanley Kubrick. Segundo o tabloide, a Warner já teria, inclusive, contratado o produtor James Vanderbilt, de O Espetacular Homem-Aranha, e a roteirista Laeta Kalogridis, de Ilha do Medo, para tocarem o projeto. Nesse caso, a ideia é contar a história do aterrorizante Overlock Hotel antes da chegada de Jack Torrance (Jack Nicholson) e sua família. 
 
Um dos mais respeitados críticos de cinema do Brasil, Rubens Ewald Filho, tende a olhar com desconfiança para produções que se propõem a explicar o que não ficou totalmente esclarecido na história original. Para ele, tais longas não passam de caça-níqueis que atestam o esgotamento das sequências cinematográficas. “Para se fazer dinheiro, inventa-se qualquer coisa. É mais fácil investir numa franquia de sucesso do que convencer o público a ver um filme do qual ele nunca ouviu falar.
Artisticamente falando, é uma estratégia arriscada porque raramente funciona”, opina Rubens, que torce o nariz para quase todos os (mais recentes) exemplares do gênero, como O Exorcista – O Início, de Renny Harlin; Hannibal – A Origem do Mal, de Peter Webber; e até mesmo Star Wars – A Ameaça Fantasma. Ao que parece, ele só livra a cara do recente O Planeta dos Macacos: A Origem, de Rupert Wyatt. “Até que o comecinho foi bom”, avalia o autor de O Oscar e Eu e Dicionário de Cineastas
 
'O Planeta dos Macacos – A Origem'
 
No cinema, nada é garantia de sucesso. Nem remakes, reboots ou crossovers. Se fosse assim, todas as sequências cinematográficas repetiriam o sucesso do filme que deu origem à série. No caso dos prequels, Star Trek: O Futuro Começa, de J. J. Abrams, um dos mentores da série Lost, é quase uma exceção à regra. A produção que revisitou os célebres personagens criados por Gene Roddenberry nos anos 60, como Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto), mereceu elogios da crítica e jornalista Ana Maria Bahiana. “É o único que soube utilizar todo o potencial da história original”, salienta a autora de Como Ver um Filme. Borgo concorda. E vai além: “Tecnicamente, Star Trek não chega a ser um prequel porque não estabelece uma conexão direta com os filmes seguintes. Mesmo assim, de todas as grandes franquias que voltaram no tempo, é a minha favorita por honrar os filmes anteriores e estabelecer ao mesmo tempo algo novo e empolgante”. Que os próximos sigam o exemplo dos bons. 
 
 
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