Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 09.09.2011 09.09.2011

De Nova Iorque para o mundo

Por Bia Carrasco

 
Não foram só os americanos que se inspiraram no 11 de setembro para criar suas obras. O atentado que abalou o mundo também teve seus reflexos na arte de diferentes países e nacionalidades. Abordando o assunto de um modo mais direto, foram realizados diversos documentários, filmes e livros, como o One Nation: America Remembers September 11, 2001 (Uma Nação: América Recorda o 11 de Setembro de 2001, tradução livre), da Editora Little, Brown and Company. A edição comemorativa e expandida, que acaba de ser lançada, traz reflexões sobre como a nação mudou na última década, apresenta atualizações sobre as pessoas envolvidas no dia do ataque, e retratos exclusivos do premiado fotógrafo Joe McNally, que registrou imagens únicas sobre a tragédia.
 
Além das fotos disponibilizadas nesse livro, o americano Joe McNally lançou compilados especiais de outras fotografias sobre o atentado, além de exposições com esse trabalho. Segundo Joe, no momento do ataque ele estava em casa e, em meio a tantas sensações ao ver as imagens na televisão, a primeira coisa em que pensou foi pegar a sua câmera e ir até o local. “Mas eu não fiz isso. Eu não poderia ter acrescentado muito àquele registro imediato que já estava sendo feito por centenas de fotógrafos. Então fiquei em casa e tentei pensar em alguma forma de fazer uma contribuição”, conta Joe sobre como surgiu a ideia para Faces of Ground Zero (Rostos do Marco Zero, tradução livre), um ensaio de 150 fotos com os bombeiros que trabalharam durante os resgates.
 
Entre tantos livros e até pôsteres produzidos por vários fotógrafos, sob diferentes ângulos e visões, estão também obras que relatam depoimentos de pessoas que estavam presentes no local. Em Unmeasured Strength (Força Desmedida, tradução livre), de Lauren Manning, a sobrevivente conta como escapou do atentado após ter mais de oitenta por cento do corpo queimado. Outro livro de destaque é o 9/11: The World Speaks (11/9: O Mundo Fala, tradução livre), que apresenta uma seleção de cartas escritas por pessoas de vários países, em diferentes idiomas, colocadas no memorial de homenagem ao incidente.
 
Além da extensa lista de documentários, como Fahrenheit 9/11, dirigido por Michael Moore, muitos filmes de ficção e não-ficção também foram inspirados nos atentados. Em Voo United 93, dirigido por Paul Greengrass, a trama se passa durante o voo 93 da companhia aérea United Airlines, e conta o suposto drama dos passageiros, que teriam lutado contra os terroristas. Já a americana Cherien Dabis, filha de pai palestino e mãe jordaniana, estreou como diretora em Amreeka. Produzido em 2009 de forma independente, o filme documenta a vida de uma família americana, de origem palestina, após o 11 de setembro.
 
Cena do filme Voo United 93
 
As produções artísticas não param por aí. Na música, os sentimentos gerados pela tragédia também foram retratados. Entre os vários tributos e shows disponibilizados em áudio ou DVD, emerge o álbum Without a Song, do septuagenário Sonny Rollins. A homenagem jazzística foi gravada apenas quatro dias após os atentados, em um show realizado pelo nova-iorquino junto à sua banda, em Boston.
 
Em The Rising, Bruce Springsteen, em parceria com a E Street Band apresenta um retrato musical sobre os atentados. Lançado menos de um ano após o incidente, o álbum traz novamente à tona o papel que o músico e compositor ocupou durante grande parte de sua carreira: o de cronista do povo norte-americano. Para o músico country Toby Keith, quase desconhecido do público brasileiro, o sucesso do álbum Unleashed, gravado apenas um mês após o ataque, veio rápido. Só na semana de seu lançamento foram vendidas mais de 300 mil cópias, ao ritmo de uma das letras que revela o estilo “caipira invocado”: Suckerpunch came flying in from somewhere in the back/ We will put a boot in your ass/ It´s the american way (Um soco idiota veio voando de algum lugar pelas costas/ Nós iremos te dar um chute na bunda/ Esse é o jeito americano, tradução livre).
 
À brasileira
 
Quando o artista plástico paulistano Duda Penteado viu, atônito, o desabar das Torres Gêmeas da janela de seu apartamento em Nova Jersey, próximo a Nova Iorque, ele já sabia que precisava produzir algo a respeito. Mas o seu trabalho não seria nada parecido ao de um nacionalista americano, e sim ao de um brasileiro inserido em um mundo globalizado. Foi assim que, em 2009, na semana em que se completavam nove anos desde o ataque, Duda lançou a exposição Beauty for Ashes (Das Cinzas à Beleza, tradução livre), na capital paulista. Entre as obras, a escultura Memorial Beauty for Ashes (Memorial das Cinzas à Beleza, tradução livre), foi criada pelo artista a partir de pedaços dos destroços do WTC.
 
Outro brasileiro que abordou o episódio como fio condutor de sua obra, desta vez na literatura, foi Luis Eduardo Matta. “Desde a época dos atentados eu tinha vontade de escrever alguma coisa a respeito, já que foi um acontecimento que mudou os rumos do mundo. Também era um desejo antigo contar uma história que tratasse da tolerância e do poder da amizade. Foi da junção dessas duas temáticas que nasceu O Dia Seguinte”, conta o autor do livro publicado pela Editora Escrita Fina.
 
Grande parte do suspense de Luis se passa no dia seguinte ao ataque ao WTC, em que os personagens precisam encontrar familiares desaparecidos e investigar um esquema de fraudes. Segundo o autor, a ideia de escrever uma ficção partiu do princípio de que muito material de teor jornalístico ou documental já havia sido produzido em larga escala. “Os textos ficcionais me parecem menos numerosos e o 11 de setembro, pela sua importância histórica e política, e pela própria tragédia em si, é um tema que merece mais espaço na ficção”, observa. Ao utilizar personagens de origem síria e judaica, Luis diz que o objetivo foi justamente ir contra os estereótipos e preconceitos que tomaram força contra os povos do ocidente após os ataques. “Existem terroristas, assassinos e canalhas em todas as sociedades. Fiz questão de falar da amizade entre um sírio e um judeu para mostrar que, antes de tudo, somos todos seres humanos e que é perfeitamente possível viver acima dos antagonismos que nos são culturalmente impostos”, conclui.
 
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