Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 03.08.2010 03.08.2010

De “”Betty, la fea”” a “”Ugly Betty””: como uma série conquistou o mundo

Por Diogo Bruggemann*

Quem nunca ouviu falar na história do Patinho Feio? Um pato fora dos padrões, desengonçado, que era rejeitado pelos amigos, mas quando cresce se torna um lindo cisne. Foi apostando nesta premissa que surgiu Yo soy Betty, la fea, uma novela colombiana escrita por Fernando Gaitán em 1999, em que uma mulher fora dos padrões atuais de beleza consegue emprego numa empresa de moda – onde a beleza é supervalorizada. Neste ambiente ela sofre discriminação e se apaixona pelo seu chefe mulherengo, para no fim das contas se transformar numa linda mulher e conquistar seu coração.

Betty, la fea fez tanto sucesso na Colômbia que logo foi importada para outros países, como México, Turquia, Brasil, Georgia, Bósnia, Rússia, chegando até à China e ao Vietnam. No Guinness Book 2010 a telenovela entrou como o programa de TV com o maior número de adaptações mundo afora – são 20 até o momento. No Brasil, a novela Bela, a feia segue os mesmos moldes da produção colombiana e mexicana. Nos Estados Unidos, entretanto, Betty, la fea virou Ugly Betty, um seriado que conquistou o país e durou quatro temporadas, mas soube adaptar a fórmula latina de uma maneira muito peculiar e criativa.

Ugly Betty não foi só uma série em que uma atriz espetacularmente bonita se vestia mal, usava aparelho dentário e um par de óculos fundo de garrafa, como nas versões colombiana, mexicana e brasileira (em que nos últimos capítulos das novelas as atrizes só precisavam vestir um belo vestido, tirar os óculos e o aparelho para então se transformarem em cisnes). No seriado americano, escrito pelo cubano Silvo Horta, com produção de Salma Hayek, Betty era uma atriz fora dos padrões de beleza, acima do peso considerado ideal e de origem latino-americana. Claro, ela também ganhou óculos, aparelho dentário e roupas hediondas, porém, o fato de sofrer preconceito também por ser latina na cidade de Nova Iorque trouxe um enfoque único para a série.

Vivida pela talentosa atriz America Ferrera, que ganhou um Globo de Ouro e um Emmy pelo papel em 2007, a série contou com um elenco fabuloso (incluindo as veteranas Judith Light e Vanessa Williams), em que os atores souberam muito bem dosar comédia e drama. Os atores Michael Urie e Becky Newton roubaram a cena nos papéis dos hilários Marc e Amanda. Outro ponto em que a série acertou em cheio foi na história de Justin (vivido por Mark Indelicato), sobrinho de Betty, um rapaz que ao entrar no período da adolescência descobre que é homossexual. Uma trama muito bem elaborada por Silvio Horta, que assim como o personagem Justin é gay e de origem latino-americana.

De 2006 a 2010, Ugly Betty ganhou inúmeros prêmios, e chegou ao fim neste ano, após uma belíssima temporada em que Betty tirou sim o aparelho dentário, mas não deixou de estar um pouco acima do peso, nem de ser latino-americana. Ainda assim Betty atingiu seus objetivos, deixando de lado a revista de moda e trabalhando numa sobre jovens que seguem seus sonhos – algo que Betty sempre buscou. E ela se apaixonou pelo chefe mulherengo? A resposta ficou suspensa, mas o certo é que seu chefe acabou se apaixonando por Betty, assim como todos aqueles que acompanharam a série. Mais do que uma adaptação de O patinho feio, Ugly Betty trouxe a história de uma mulher forte, decidida, que soube atingir seus objetivos lutando por eles, uma verdadeira lição para todos nós.

*Diogo Bruggemann cursa Letras – Literatura Inglesa na Universidade Federal de Santa Catarina, tendo estudado Cinema na New York University. Ele também é vendedor da Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, em Florianópolis.

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