Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 14.09.2012 14.09.2012

Das garagens para os estádios americanos

Por Humberto Finatti
 
Eles existem há mais de uma década e já lançaram sete discos de estúdio. Porém, surgidos no underground do rock norte-americano, passaram boa parte dessa trajetória confinados na chamada cena musical “alternativa” dos Estados Unidos. Até que o estouro do álbum mais recente, El Camino (lançado em dezembro do ano passado), provocou uma reviravolta na carreira da dupla Black Keys: o sucesso do trabalho foi tamanho que agora o grupo praticamente só toca em estádios. E eles fazem relativo sucesso, inclusive no Brasil, onde estão cotados para se apresentar na segunda edição do festival Lollapalooza BR, que vai acontecer em março de 2013.
Com uma sonoridade inicial pouco palatável ao grande público (uma mistura de rock de garagem com blues, e algo da estética crua e agressiva do punk nas melodias) e composto por apenas dois músicos (o vocalista e guitarrista Dan Auerbach e o baterista Patrick Carney, sendo que, nas apresentações ao vivo, essa formação recebe a adição de músicos convidados), o Black Keys lançou trabalhos sempre elogiados pela crítica musical especializada, mas que faziam apenas relativo sucesso nas vendas – a maioria dos discos era comprada por fãs de rock ou universitários. Essa situação só começou a mudar em 2010, quando o duo lançou o álbum Brothers: eleito pela revista Rolling Stone americana como o segundo melhor disco daquele ano, o CD vendeu bem mais do que os anteriores e abriu as portas para que um público muito mais numeroso se interessasse pelo rock da dupla. “Black Keys é um fenômeno estranho para mim. Simplesmente não enxerguei a subida deles de uma banda ‘indie’ para um grupo que agora se apresenta em arenas”, analisa Luiz Cesar Pimentel, crítico de música e editor-chefe do portal R7. “Aliás, não conseguia prever ou imaginar. Para mim, continuam a mesma banda de rock alternativo e não acessível às massas”, diz ele.
 
Capa de 'El Camino'
E qual teria sido o motivo que levou o som do Black Keys a cair no gosto popular do ouvinte americano? “White Stripes foi um grupo explicitamente muito mais palatável aos ouvidos das massas”, compara Luiz Cesar, lembrando da finada banda (também uma dupla) do guitarrista e vocalista Jack White, e que chegou a vender milhões de cópias de seus discos. “O Black Keys tem um bom gosto em timbres e arranjos que pouco encontro na música atualmente”, avalia ele.
Esse bom gosto apontado pelo jornalista do R7 pode ser verificado em faixas como “Lonely Boy” e “Gold On The Ceiling”, do álbum El Camino. Foram os dois primeiros singles de trabalho do disco e ajudaram a empurrar a vendagem dele para a casa do milhão de cópias. Além disso, nas duas músicas, a dupla acertou em cheio na combinação de rock de guitarras com melodias bem dançantes e acessíveis, perfeitas para serem executadas exaustivamente em rádios. “Eles mudaram bastante a textura do som”, observa Gustavo Rivera, guitarrista e vocalista da banda paulistana Forgotten Boys. “Está mais produzido”, avalia o músico.
No momento, a banda segue em turnê de divulgação do último CD, tocando somente em arenas gigantes e com ingressos invariavelmente esgotados. A dupla também andou se apresentando nos principais festivais de verão europeus e americanos. E, com um pouco de sorte (e também com produtores locais desembolsando alguns milhares de dólares de pagamento de cachê para os dois músicos), os brasileiros poderão ver o Black Keys por aqui em março do ano que vem, já que há negociações nesse sentido – eles seriam a atração principal de uma das noites do festival Lollapalooza BR. A definição da programação do evento está prometida para o mês que vem. Até lá, resta aos fãs daqui cruzar os dedos e torcer.
 
Assista o clipe "Gold on the Ceiling":
 
 
 
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