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Cristovão Tezza fala sobre adaptações cinematográficas de livros

 
Por Luma Pereira
Na foto, o escritor Cristovão Tezza
 
Não é raro encontrar, em livrarias, obras literárias com capas de filmes. Isso é reflexo das adaptações cinematográficas, que levam os livros às telonas. Já tendo um público conquistado, a produção atrai as pessoas ao cinema para verem como ficou a “tradução” das linhas de determinado livro em imagens.
 
O Filho Eterno (Record, 2007), de Cristovão Tezza, que ganhou o prêmio Jabuti, em 2008, na categoria Melhor Livro de Romance, será adaptado para as telonas em 2012.
 
Em entrevista ao SaraivaConteúdo, Tezza fala sobre adaptações em geral e sobre esse filme que está sendo produzido.
 
 
 
 
O que você acha de adaptações cinematográficas de livros?
 
Cristovão Tezza. Cinema e literatura são artes próximas; modernamente, uma se alimenta da outra. Sinto prazer em ver filmes adaptados de livros (para mim, conta como algo positivo, a expectativa de um roteiro já testado).
Lembro de ter visto, nos anos 70, a adaptação de O Estrangeiro, de Albert Camus, num filme dirigido por Luchino Visconti. Eu tinha acabado de ler o livro e fiquei vivamente impressionado com a fidelidade.
E lembro também de uma adaptação trágica: As confissões de Schmidt, baseado no romance de Louis Begley, um livro refinadíssimo e que se transformou, a meus olhos, numa história caricatural e grosseira no cinema. Mas tantas pessoas gostam do filme que talvez eu tenha sido influenciado demais pela qualidade do romance para avaliar o longa.
Da saga Harry Potter eu vi alguns filmes e gostei muito. Diversão de alta qualidade. O Curioso Caso de Benjamin Button, de F. Scott Fitzgerald, é uma espécie de ‘conto conceito’, a pura ideia do avesso. Ficou interessante no cinema. Mas nada que me impressionasse muito.
 
Essas adaptações são a expressão de um mundo cada vez mais distante da literatura e mais próximo de outras linguagens, como a do cinema?
 
Cristovão Tezza. De modo algum. A literatura permanece como o ‘coração do texto’, sem o que a imagem se esvazia. Essa é a arma da literatura; ela jamais deve abdicar do seu silêncio, da sua singularidade textual, para correr atrás da borboleta do cinema. O contrário é que deve acontecer; o cinema se inspirar no que a intimidade literária tem a oferecer. O cinema só tem a crescer, aprendendo com a literatura.
 
Por que acha que existe essa necessidade/motivação de transformar obras literárias em filmes?
 
Cristovão Tezza. Do ponto de vista prático, não é fácil achar um bom roteiro. A literatura já oferece personagens e tramas prontos, acabados, complexos. É um ponto de partida maravilhoso para quem quer fazer um filme.
 
A adaptação de uma obra literária acaba dando mais visibilidade (divulgação) ao livro e conseguindo mais leitores, ou o filme acaba fazendo sucesso por si só?
 
Cristovão Tezza. Sei que um filme de sucesso sempre vende o livro em que se baseou; é um dado comercial das editoras. Às vezes, o filme é até melhor do que a obra em que se baseou. Alguém já disse que livros bons dão filmes apenas razoáveis, mas livros ruins podem dar filmes maravilhosos…
 
Dos seus livros, O Filho Eterno ganhará versão em filme em 2012. Qual está sendo seu envolvimento com a adaptação dessa obra literária?
 
Cristovão Tezza. Meu envolvimento é rigorosamente nenhum; fiz questão de não participar da adaptação de O Filho Eterno. É muito importante que o diretor tenha completa autonomia em seu olhar sobre o livro. Não sou cineasta; sou escritor. O meu trabalho eu já fiz. As filmagens não começaram ainda, mas, sim, gostaria muito de ir ao set, como curiosidade. O cinema é fascinante.
Há outro filme que será baseado num livro meu: Caio Blat vai filmar o romance Juliano Pavollini (Record 2010). Que, aliás, acho um livro com fortes traços cinematográficos. Achei excelente o roteiro que ele fez. Espero que sejam bons filmes, O Filho Eterno e Juliano Pavollini. Não penso nos atores ou nos diretores, mas estou muito otimista com os resultados, pelo carinho e cuidado das produções.
 
O que achou dos outros livros/contos seus que foram adaptados para o cinema. Tem algum projeto futuro ainda não divulgado?
 
Cristovão Tezza. Tenho um conto do livro Beatriz (Record, 2011), Beatriz e a Velha Senhora, que virou um curta-metragem da Páprika Filmes, dirigido por Léo Castillo, com Cynthia Falabella e Miriam Mehler. Achei uma adaptação muito boa. E aguardo a finalização dos outros dois projetos.
 
 
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