Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 30.11.-0001 30.11.-0001

Coppola volta às conturbadas relações familiares em ‘Tetro’

Ainda que sem a contundência da trilogia O poderoso chefão ou de O selvagem da motocicleta, Francis Ford Coppola retoma em Tetro, seu retorno ao cinema após longo jejum, questões que lhe são caras: a família, as relações entre pais, filhos e irmãos. É o primeiro roteiro original que o diretor escreve em 30 anos – o último foi A conversação, de 1974. O filme acompanha a ida de Benjamin (Alden Ehrenreich), 17, a Buenos Aires, em busca de seu meio-irmão Angelo (Vincent Gallo), que há uma década deixou os Estados Unidos, fugindo do pai deles, Carlo Tetrocini (Klaus Maria Brandauer), um famoso maestro.

Tetrocini – de onde Angelo tirou o pseudônimo “Tetro” por que é conhecido na Argentina – minou os sonhos do irmão Alfie (Brandauer, com maquiagem “a desejar”), também compositor, e infligiu seu destrutivo espírito competitivo também ao filho, desde a morte da mulher, num acidente de carro com Angelo ao volante.

O que Benjamin quer em sua estada portenha não é pouco: não somente reaproximar-se do irmão mais velho, que prometera, numa carta, voltar para buscá-lo, mas também entender a complicada série de acontecimentos que culminou com sua mãe em coma e com a partida de Angelo.

Na tentativa de montar o quebra-cabeças, Benjamin vasculha manuscritos de Tetro – um escritor frustrado -, que aparentemente contam a história da família. Às escondidas, o jovem chega a montar uma peça a partir do texto, provocando as reviravoltas e revelações finais do filme.

Coppola, cujo pai, Carmine, era músico, e chegou a compor trilhas para seus filmes, diz que Tetro é um de seus filmes mais pessoais. Seus familiares, diferentemente dos Tetrocini, não são imigrantes italianos com passagem pela Argentina. Ainda assim, a câmera passeia encantada por Buenos Aires. E ele reforça as zonas sombrias das relações de seus personagens com uma bela fotografia em preto & branco, de que escapa às vezes, num expediente curioso, em flashbacks coloridos. Algo parecido com que ele mesmo fez em O selvagem da motocicleta.

Com tintas autobiográfica ou não, Tetro reflete muito do diretor. Aos 70 anos, esse gigante hollywoodiano sempre esteve dividido entre o cinema autoral e o mainstream. Há anos se dedica mais a seus vinhedos do que à Sétima Arte, e retorna com um filme menos convencional, ainda que de boa digestão para o grande público. E com uma clara aposta: o jovem ator Alden Ehrenreich.

Ehrenreich, que o site imdb.com diz ter sido “descoberto” por Steven Spielberg num barmitzvah, pode vir a ser seu Leonardo DiCaprio, ator-fetiche de seu contemporâneo Martin Scorsese. Até se parecem. E Ehrenreich, que já está escalado para o próximo longa de Coppola, Twixt Now and Sunrise, é sem dúvida o destaque de um elenco em que as participações de Carmen Maura e Brandauer, ou ainda de Maribel Verdú, são de longe melhores do que a do próprio ator principal, Gallo. Vai longe esse garoto.

Veja abaixo um trailer legendado de Tetro:

 

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