Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 25.06.2010 25.06.2010

Copa do mundo, 80 anos de histórias e gols

Por Vinicius Valente

Como diz o vocalista da banda U2, Bono Vox, não importam diferenças sociais, religiosas ou políticas, pois a Copa do Mundo é “o mês, a cada quatro anos, onde todos concordam com uma única coisa: 32 nações e o mundo inteiro assistindo”. O maior espetáculo do futebol completa, em 2010, 80 anos de histórias, polêmicas, heróis, jogos dramáticos, dribles e, claro, muitos gols. São tantas informações, que não seria surpresa se alguns detalhes se perdessem com o passar tempo. Porém, para a alegria dos aficionados pelo esporte, todos os mundiais de futebol serão lembrados minuciosamente, graças ao trabalho do jornalista Lycio Vellozo Ribas. 

Antes do pontapé inicial na África do Sul, chegou às livrarias o volume O mundo das copas, resultado de seis anos de pesquisa do autor. 

“Depois da Copa do Mundo do México (1986), eu me interessei em fazer um livro sobre Copas. Em 2004, senti falta de um livro que fosse bastante completo e detalhado sobre Copas do Mundo. No mercado brasileiro, pelo menos, não conhecia nenhum nessa linha. A partir dali, começou a coleta de dados, informações, análise de partidas, elaboração. Eu tinha muita coisa guardada sobre futebol, desde 1982. É um acervo que ficou respeitável com o passar do tempo. Havia jornais velhos, revistas antigas, livros e fitas de vídeo. Mas também tive que recorrer à Biblioteca Pública do Paraná, para pesquisar determinadas coisas” afirma o autor em entrevista exclusiva ao Saraiva Conteúdo.

A quantidade de detalhes apresentada é realmente impressionante. No total, são 19 mundiais, que somam mais de 700 partidas, cada uma com sua história, contexto, escalações, placar, heróis e vilões. A obra apresenta, de forma organizada, informações e comentários sobre cada evento, partida, jogador e detalhes de cartões, placares e convocações, além de fotos e ilustrações feitas pelo próprio autor. Expert no assunto, Ribas não deixou de destacar as suas partes preferidas do livro e de apontar dificuldades durante a pesquisa.

“Para se conseguir material, as três primeiras Copas (1930, 1934 e 1938) foram as mais difíceis. Até pela ausência de material audiovisual. O que salvou foi um pouco de bibliografia estrangeira e um contato que tinha na imprensa mexicana. Das Copas que não assisti ao vivo, gosto muito da de 1954, pela alta média de gols, e da de 1970. Das que vi, a de 1982 é a minha preferida. A partida que achei mais emocionante foi Alemanha 3 x 3 França, pelas semifinais de 1982”, afirma.

Mesmo ainda não tendo terminado a Copa da África do Sul, o escritor faz uma comparação com os mundiais passados e fala ainda sobre a suas expectativas para o de 2014, no Brasil.

“A organização (de 2010) parece impecável, mas a qualidade dos jogos provavelmente está incomodando o torcedor. Os times têm jogado muito fechados, com medo de se expor, e isso prejudica o espetáculo. Mas infelizmente é uma tendência no futebol moderno, principalmente quando não se tem tempo para treinar e entrosar os jogadores, como é o caso das seleções. Até agora, é a pior média de gols entre todas as Copas. Em 2014, temo pela organização, que provavelmente será pior do que na África do Sul. Faltam quatro anos e, apesar das broncas do ministro do Esportes, Orlando Silva, a grande maioria das obras nem começou. Há estádios que sequer saíram do papel. E desencanei com o possível derramamento de dinheiro público para construção de estádios, porque não vejo uma perspectiva de isso não acontecer”, afirma.

A Copa do Mundo tem o poder de atrair a atenção de milhões de pessoas como talvez nenhum outro acontecimento consiga. De quatro em quatro anos, os holofotes do mundo inteiro se voltam para o país sede, enquanto os torcedores dos quatros cantos do globo deixam de trabalhar, gritam, sofrem e pulam ao assistir os lances de sua seleção preferida. Membro desse grupo de milhões de apaixonados pelo futebol, Ribas tenta explicar o motivo da paixão.

“Primeiro, porque desperta no torcedor o sentimento de nacionalismo, algo cada vez mais perdido no mundo globalizado. Segundo, porque trata-se de um único esporte, jogado por todo o planeta. Qualquer um pode jogar. Talvez seja a única linguagem universal do mundo. Não é como as Olimpíadas, que têm delegações com 600 atletas e outras com cinco, para disputar modalidades que fazem sentido para alguns países e para outros não. Além disso, o futebol tem a particularidade de o melhor nem sempre vencer, e uma incrível capacidade de fazer heróis e vilões. Por isso é tão apaixonante”, conclui.

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