Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 17.11.2011 17.11.2011

Contos de fadas invadem o cinema e conquistam o público adulto

Por Luma Pereira
Na foto, a atriz Julia Roberts em Mirror, Mirror
Os contos de fadas sempre estiveram presentes no cinema. Walt Disney produziu filmes no formato de desenho animado que encantam as crianças até hoje. Atualmente, porém, os enredos têm atraído também a atenção dos adultos, e novas versões vêm sendo feitas.
 
“É uma tendência, pela falta de roteiros criativos, aproveitarem o que já existe. E os contos de fadas caíram nas graças dos roteiristas”, afirma Janaina Pereira, editora e crítica de cinema do blog Cinemmarte.
 
Produções como Mirror, Mirror com Julia Roberts vivendo a rainha má, A Garota da Capa Vermelha (Hardwicke, 2011), Sleeping Beauty (Leigh, 2011) e A Fera (Barnz, 2011) são inspiradas nessas histórias, porém, o formato não é mais desenho e o conteúdo agora não é destinado ao público infantil. 
 
“São versões que estão pegando a onda da saga Crepúsculo, tanto na temática quanto na estética”, comenta Rogério de Moraes, crítico de cinema do blog Eu, Cinema. E completa: “são bastante livres em relação ao original, no modo como os conflitos e as personagens são retratadas”.
 
Inspirado em Chapeuzinho Vermelho, o primeiro é um suspense com um lobisomem que aterroriza uma vila medieval. E A Fera é baseado em A Bela e a Fera – um garoto é amaldiçoado por uma colega de classe e fica preso em uma figura horripilante.
 
 
Julia Roberts
 
A Branca de Neve e os Sete Anões
 
“Não preservam, exatamente, a atmosfera de conto de fadas. Funcionam apenas como um chamariz à curiosidade do público em ver uma adaptação moderna e não-infantil de um conto infantil”, diz Moraes.
 
Na época em que foram escritos – pelos Irmãos Grimm, por exemplo –, esses contos não eram para crianças. Foi Disney quem “adocicou” as histórias para que fossem destinadas ao público infantil. Agora, esses enredos voltam a ser feitos para adultos.
 
Sempre era uma vez
 
Por que essas histórias persistem tanto? Moraes acredita que tais narrativas fazem parte do imaginário popular e da memória afetiva, por isso são tão lembradas e adaptadas no cinema até hoje.
 
São sempre modernizadas à atualidade, conquistando outros tipos de público. Cinderela, por exemplo, é a história que mais teve versões produzidas pela Sétima Arte, como Cinderella (Nelson, 1957), Para Sempre Cinderela (Tennant, 1998) e A Nova Cinderela (Rosman, 2004).
 
A produção de Tennant se mantém fiel à história original, com a atmosfera de magia dos filmes da Disney. Apesar de não ser uma produção no formato desenho, pode ser vista por crianças. A Nova Cinderela difere um pouco, e agrada ao público adolescente – a protagonista não perde o sapato, mas um celular.
 
Em 2012, estreia nos cinemas Branca de Neve e o Caçador, com Kristen Stewart (Crepúsculo) como protagonista. É uma nova versão de Branca de Neve e os Sete Anões, agora com uma atmosfera sombria e algumas modificações na história.
 
Nova versão do clássico Branca de Neve com Kristen Stewart
 
Mas essa não é a primeira versão cinematográfica imprópria para crianças baseada no conto. Em 1997, foi produzido Floresta Negra (Cohn), filme que usa a linguagem das produções de horror, e a madrasta malvada é diabólica demais para o público infantil.
 
Para o crítico, a produção de contos de fadas no cinema é uma tendência atual. “Uma fórmula para faturar com um produto de fácil aceitação”, conta.
 
Cena de A Fera
 
Mas não importa se em desenho ou com atores de carne e osso, e se há mudanças drásticas no enredo ou apenas poucas referências ao conto original, o fato é que essas histórias persistem.
 
E a personagem que perder algum objeto na festa poderá ser a nova Cinderela – a mais recente de tantas outras que já houve. Qual será a próxima atriz a calçar o sapatinho de cristal nas telonas?
 
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