Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 25.09.2014 25.09.2014

“Conseguimos ver a ligação entre esse álbum e as músicas do nosso primeiro trabalho” diz o duo The Black Keys

Por Vinícius Costa
Pode não parecer, mas Turn Blue é o oitavo disco da dupla The Black Keys, que já está na ativa há mais de 13 anos. Muitos só conheceram a sonoridade deles através de álbuns como Brothers e El Camino, principalmente. É nele que estão sucessos como “Lonely Boy” e “Gold on the Ceiling”. E não é para menos: El Camino levou três Grammy em 2013 (melhor disco, canção e atuação de rock).
Este ano, chegou ao público Turn Blue, cercado de expectativas por parte dos fãs e principalmente da crítica, mas Dan Auerbach (vocal/guitarra) e Patrick Carney (bateria) não parecem se importar com isso: “Eu acho que cada disco soa diferente do último, em diferentes graus. A diferença entre Brothers e El Camino é muito grande, e El Camino, comparado com Turn Blue, é bastante drástico também. Mas, num cenário mais geral, conseguimos ver a ligação entre esse álbum e as músicas do nosso primeiro trabalho. Há músicas que estão vindo do mesmo lugar que algumas de The Big Come Up – como a faixa ‘Gotta Get Away’, por exemplo”.
A sonoridade do novo trabalho traz muitos elementos do “rock de garagem” e também uma certa psicodelia, elemento presente na arte da capa desenhada por Michael Carney, diretor de arte do duo (e irmão de Patrick).
O título faz referência ao “clima” do álbum: composições mais pessoais, introspectivas, que não trazem tantos elementos considerados comerciais e que podem gerar estranhamento naqueles que esperam algo semelhante ao dançante (e por que não “pop”) El Camino. Muito desse clima mais pesado se deve ao conturbado divórcio entre Dan Auerbach e sua mulher Stephanie Gonis. As letras de algumas músicas expõem fatos como uma tentativa de incendiar a casa.
El Camino, ganhador de três Grammy e Turn Blue, oitavo álbum da dupla
“Nós somos uma banda muito influenciada por tudo: de música para música e instrumento para instrumento. Tentamos trazer o maior número possível de referências. Em El Camino, fizemos referências ao The Clash e The Cramps, mas ao mesmo tempo David Bowie produzindo Lou Reed. Esse sentimento, sabe?”, conta a dupla. “Estamos apenas tomando emprestado pequenos elementos de um grande todo. Sons da bateria da Stax Records, guitarras do The Cramps”.
NA PRODUÇÃO, DANGER MOUSE
Um dos nomes que aparecem junto ao sucesso do The Black Keys é o do produtor e DJ Brian Joseph Burton, mais conhecido como Danger Mouse. Ele ganhou notoriedade como integrante do Gnarls Barkley, junto com CeeLo Green. Danger é responsável por álbuns como Demon Days, do Gorillaz, e já produziu quatro dos oito trabalhos do Black Keys.
“As pessoas nos perguntam como é ter o Danger Mouse produzindo nosso álbum, e eu realmente não sei como ele é quando trabalha com outras bandas/pessoas, porque quando estamos juntos no estúdio, ele é como um terceiro membro da banda”.
                                                                                                                                                                Danny Clinch
Dan Auerbach (vocal/guitarra) e Patrick Carney (bateria) já estão na ativa há mais de 13 anos
PRÓXIMOS PASSOS
Atualmente, The Black Keys está em turnê divulgando Turn Blue, mas um novo disco pode chegar mais rápido do que você imagina. Em entrevista à Billboard, Patrick disse já estar com vontade de gravar algo novo: “Se dependesse apenas do Dan e eu, e nós não tivéssemos que completar o circuito da nossa turnê,provavelmente já estaríamos de volta aos estúdios em janeiro”.
Ainda é muito cedo para tentar adivinhar o que vem por aí, mas se depender do que a banda está ouvindo atualmente, novidades podem aparecer: “Nós dois amamos os registros da música jamaicana do passado, o ‘low end’ desses registros é incrível. Estamos sempre também querendo a bateria da Stax Records”, dizem. “Os vocais de hip-hop e os tamborins do Motown… a lista só aumenta. Quando gravamos, pegamos pequenos pedaços do que queremos”.
“Ontem mesmo estávamos ouvindo alguns dub [reggae] que temos em vinil, e esta manhã ouvimos algumas músicas psych dos anos sessenta, da América do Sul”, concluem.
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